O presidente Lula está na Europa, desta vez com agenda cheia que se iniciou em Roma ontem, 21/6, quando se encontrou com autoridades, incluindo o Papa Francisco, e segue em Paris (a partir de hoje), onde se reúne com o presidente francês Emmanuel Macron, da França, em Paris, e participa de dois eventos internacionais.
O primeiro é a Cúpula para um Novo Pacto Financeiro Global, na qual as nações convidadas visam chegar a um novo acordo para ajudar países pobres a enfrentar os impactos das mudanças climáticas. O outro é o Festival Power Our Planet: Live in Paris, da organização Global Citizen, que terá declarações de líderes do Timor Leste, Barbados, Gana e Quênia, além da prefeita de Paris, Ane Hidalgo, entre outros, e no qual Lula fará o discurso de encerramento a convite da banda Coldplay (contamos aqui).
Mas, assim que chegou à capital francesa, o presidente brasileiro já conversou com os presidentes da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e de Cuba, Miguel Díaz-Canel, além de encontrar a companheira e presidente do Banco dos BRICS, Dilma Rousseff.
Depois de oito anos, o Brasil volta à Itália
Esta é a primeira visita oficial de um governante brasileiro à Itália: a última foi da ex-presidenta Dilma Rousseff, em 2015.
Logo cedo, em Roma, Lula se encontrou com o ex-primeiro-ministro italiano, Massimo D’Alema, e com a secretária-geral do Partido Democrático Italiano, Elly Schlein. Em seguida, foi recebido pelo presidente, Sergio Mattarella, no Palácio Quirinal, onde também almoçou.
À tarde, visitou a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, uma das representantes da extrema-direita mundial. E, por fim, fez uma visita de caráter pessoal ao prefeito de Roma, Roberto Gualtieri.
O político foi uma das personalidades internacionais que visitou Lula durante o período em que esteve preso em Curitiba, de 2018 a 2019, no âmbito da Operação Lava Jato. Na época, em julho de 2018, exercia mandato de eurodeputado pelo Partido Democrático Italiano. No ano passado, Gualtieri apoiou o presidente nas eleições de 2022.
“Uma boa conversa sobre a paz no mundo”
Em meio a tantos compromissos, o presidente brasileiro se dirigiu ao Vaticano para uma audiência com o Papa Francisco. Os dois conversaram sobre desigualdade, combate à fome, meio ambiente e paz (devido à guerra entre Ucrânia e Rússia), ressaltando a convergência de ideias e de posições entre eles.
A visita do presidente ao pontífice já havia sido anunciada durante conversa ao telefone com o papa, em 31 de maio, na qual Lula destacou disse “que queria visitá-lo” e “agradecer-lhe a atenção que me deu quando eu estava preso em Curitiba”, e o convidou para vir ao nosso país.
No Vaticano, já na presença da comitiva e de membros do Vaticano, Lula reforçou o convite ao líder da Igreja Católica para uma nova visita ao Brasil (a última foi em 2013, no Rio de Janeiro), em especial para assistir a uma das maiores festas católicas do país, o Círio de Nazaré, realizado em outubro em Belém, no Pará.
Não foi à toa que a primeira-dama, Janja, presenteou o papa com uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré, padroeira da Amazônia (assista ao vídeo que registra esse momento, no final deste post).

O presidente brasileiro, por sua vez, deu-lhe uma gravura da Sagrada Família de autoria do artista pernambucano J. Borges.

Em referência à guerra na Ucrânia, o pontífice disse à Lula: “Estamos em tempos de guerra, e a paz é muito frágil”, e o presenteou com uma placa de bronze em baixo relevo com a Mensagem para a Paz deste ano – “A paz é uma flor muito frágil” -, produzida nas oficinas do Vaticano.
O presidente também recebeu do papa o Documento sobre a Fraternidade Humana e o livro sobre a Statio Orbis (mosaico de uma oração universal), de 27 de março de 2020 (durante a pandemia), editado pela Livraria Editora Vaticana. E um terço para sua irmã de 80 anos, a seu pedido.

Ao posar para Stuckert, mostrando a obra junto ao lado do papa, o presidente não disfarçou a emoção, com os olhos visivelmente marejados (veja no vídeo no final deste post).
Depois do encontro, Lula escreveu no Twitter: “Agradeço ao Papa Francisco pela audiência no Vaticano e a boa conversa sobre a paz no mundo”.
Clube da Paz: utopia?
O encontro com o Papa Francisco faz parte da estratégia do presidente brasileiro de fortalecer-se como possível mediador na guerra na Ucrânia.
Ele já se declarou ser a favor da criação de uma espécie de “Clube da Paz”, que seria composto por países neutros em relação ao conflito, que possam dialogar com Vladimir Putin e com Volodymyr Zelensky. A ideia é bem vista pelo pontífice que deseja o cessar-fogo para que o dialogo e negociações entre os dois países sejam possíveis.
A seguir, assista ao momento emocionante em que o papa entrega a placa de bronze a Lula e quando Janja presenteia o pontífice com a imagem de Nossa Senhora de Nazaré.
Foto (destaque): Ricardo Stuckert/PR
Fontes: EBC, G1, Veja, Vatican News