Desde meados de agosto cerca de 30 pinguins-africanos (Spheniscus demersus) já morreram ou precisaram ser sacrificados, vítimas da gripe aviária. Eles foram encontrados doentes na praia de Boulders, próximo à Cidade do Cabo, um importante local de reprodução da espécie na África Sul.
Autoridades locais, em parceria com a organização Southern African Foundation for the Conservation of Coastal Birds (SANCCOB), estão monitorando a região para tentar identificar mais pinguins contaminados e retirá-los de seus grupos e assim, evitar que mais aves sejam infectadas.
“Os guardas ambientais estão fazendo patrulhas todos os dias para procurar qualquer ave que possa ter sintomas… Quando se deparam com uma delas, a isolam da colônia”, revelou David Roberts, veterinário da SANCCOB à agência de notícia AFP.
A gripe aviária é causada pelo vírus HPAIV, considerado altamente contagioso. Poucos dias após a contaminação, os sintomas já ficam visíveis, como paralisia e inchaço de partes do corpo, e vários órgãos param de funcionar. A taxa de mortalidade chega a 90%.
A espécie de pinguins Spheniscus demersus é a única encontrada no continente africano. É considerada em risco alto de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza. Na colônia de Boulders, estima-se que vivam cerca de 3 mil indivíduos.
“Os pinguins-africanos enfrentam outras ameaças, desde a falta de alimentos até a destruição do habitat e um colapso do ecossistema oceânico… E nesses casos estamos preocupados que uma doença possa empurrá-los para o limite”, reforça Roberts.
Há 18 espécies de pinguins conhecidas pela ciência – três delas são as que mais preocuparam conservacionistas, como é o caso do pinguim-africano, que ao longo das últimas décadas teve o número de sua população diminuindo gradativamente. Desde 1989 houve uma redução de 65%.
De acordo com um censo feito em 2021, no total há aproximadamente 14.700 casais de pinguins na África, a grande maioria deles na África do Sul e pouco mais de 4 mil na Namíbia.
Os pinguins africanos têm pés com membranas pretas e a face com manchas cor-de-rosa acima dos olhos. Há um padrão único e distinto de pintas no peito, usadas para distinguir os indivíduos uns dos outros
(Foto: reprodução Facebook SANCCOB)
Mortes podem aumentar com o período de migração
Estados Unidos e Europa registraram um enorme surto de gripe aviária em 2022. Neste último, já se considera a pior crise observada até hoje. Precisaram ser abatidas 50 milhões de aves, sobretudo frangos e galinhas de fazendas de produção de carne.
Especialistas apontam as aves migratórias, principalmente as aquáticas, como patos e gansos, como as principais responsáveis pela transmissão da doença. Elas parecem estar imunes a ela e permanecer assintomáticas, mas quando o vírus infecta outras espécies, sobretudo através das fezes, a situação é diferente.
Por isso mesmo, em grandes centros de criação de aves fica praticamente impossível conter a disseminação do vírus e a única solução é o sacrifício dos animais quando é detectado algum caso da doença.
Há um temor que mais aves morram já que, em geral, a transmissão é mais alta nos meses do outono e inverno do Hemisfério Norte.
“À medida que a migração do outono começa e o número de aves selvagens que passam o inverno na Europa aumenta, elas provavelmente correm maior risco de infecção por HPAI do que nos anos anteriores devido à persistência observada do vírus na Europa”, ressalta Guilhem de Seze, alto funcionário do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da Europa, em um comunicado divulgado há poucos dias.
*Com informações do site Phys.org e da Agência Reuters de Notícias
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Foto de abertura: Bernard DUPONT from FRANCE, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons