Mais de 20 milhões de aves, principalmente frangos e perus, morreram nos últimos meses por causa da gripe aviária nos EUA

Mais de 20 milhões de aves, principalmente frangos e perus, morreram nos últimos meses por causa da gripe aviária nos EUA

Em 2015, mais de 50 milhões de aves foram abatidas nos Estados Unidos devido à gripe aviária. Apesar de não ser perigosa para os seres humanos, entre esses animais a doença é altamente letal. Agora, em 2022, um novo surto já foi detectado em pelo menos 25 estados americanos. O primeiro caso foi confirmado em fevereiro na Indiana e desde então cerca de 24 milhões de aves, sobretudo frangos, galinhas e perus já foram sacrificados.

Especialistas apontam as aves migratórias, principalmente as aquáticas, como patos e gansos, como as principais responsáveis pela transmissão da gripe aviária, que é causada por um vírus da gripe tipo A. Elas parecem estar imunes à doença e permanecer assintomáticas, mas quando o vírus infecta galinhas, perus, faisões, codornas e outras aves domesticadas, a situação é diferente. Poucos dias após a contaminação, os sintomas já ficam visíveis, como paralisia e inchaço de partes do corpo, e vários órgãos param de funcionar. A taxa de mortalidade chega a 90%.

Por ser transmitido através de secreções nasais, saliva e fezes, em grandes fazendas de produção de aves fica impossível conter a disseminação do vírus e a única solução é o sacrifício dos animais quando é detectado algum caso da doença.

Sob a supervisão do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), produtores fazem testes frequentes nas aves. Quando há confirmação da presença do vírus, os animais são mortos, o local entra em quarentena e em seguida é realizado um processo de descontaminação. Assim como aconteceu com a pandemia da covid-19, que melhores e mais eficazes exames foram desenvolvidos com o passar do tempo, o mesmo acontece com aqueles utilizados para a detecção da gripe aviária, por isso o controle hoje é mais rápido.

Todavia, como o surto atual parece estar afetando uma área geográfica maior do que aquele ocorrido em 2015, muitos zoológicos americanos decidiram, por precaução e temporariamente, recolher aves, como pelicanos e avestruzes, de espaços externos para ambientes internos, a fim de evitar uma possível contaminação.

O Centro para a Prevenção e o Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) também está monitorando a situação. O órgão do governo federal tem testado as pessoas expostas às aves contaminadas. Até o momento, nenhuma delas foi infectada.

A principal recomendação para aqueles que consomem ovos e carne dessas aves é sempre cozinhar bem antes de comer. Frangos e galinhas devem atingir a temperatura interna de 75oC.

Além dos Estados Unidos, a gripe aviária provocada pelo vírus H5N1, considerado altamente contagioso, já foi descoberta em vários países da Europa e da Ásia. Em janeiro deste ano, 350 mil patos e outros 400 mil foram abatidos na França por causa da doença.

*Com informações do United States Department of Agriculture, dos jornais The Guardian e The New York Times e do site The Conversation

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Foto: Lance Cheung, USDA/Flickr

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Um comentário em “Mais de 20 milhões de aves, principalmente frangos e perus, morreram nos últimos meses por causa da gripe aviária nos EUA

  • 18 de abril de 2022 em 1:59 PM
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    Estes pobres animais já sofrem o diabo mesmo sem gripe aviária, massacrados todos os dias, milhões deles, para constar do cardápio das majestades humanas na pressuposta necessidade protéica de seus cadáveres, vísceras, tripas e ossos. Apesar do verniz de civilização, a espécie humana, há milênios, continua barbarizando com outras espécies, desde a primitividade das cavernas, onde nossos ancestrais bárbaros disputavam, no tacape e no grito, os despojos
    sangrentos da caça abatida. Ao redor das fogueiras se reuniam, assim como nos reunimos
    hoje, em volta das churrasqueiras. Sempre consideramos os animais, a espécie a nosso serviço, sem limites para atrocidades contra ela, inclusive com o aval da lei. Então, pelo menos, quando são exterminadas por conta de doenças, sinalizam para uma mudança de hábitos impreterivel e inadiavel para a espécie Homo Sapiens Sapiens, se ela for capaz de alguma sabedoria.

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