Boto-cinza é agora patrimônio natural e símbolo do município de Cananéia, no litoral de São Paulo

Boto-cinza é agora patrimônio natural e símbolo do município de Cananéia, no litoral de São Paulo

O boto-cinza (Sotalia guianensis) pode atingir até 2 metros e chega a viver em média 30 anos. Uma das menores espécies de cetáceos, vive em águas costeiras, baías, enseadas e estuários. É encontrado no Brasil, na costa de outros países latinoamericanos e na região das Guianas. E agora, ele é patrimônio natural e símbolo de Cananéia, um município no litoral sul do estado de São Paulo.

Os vereadores da Câmara Municipal da cidade aprovaram por unanimidade o Projeto de Lei 2.380/2021 que defendia que o boto-cinza fosse elevado ao status de patrimônio local. A proposta para tal, que já foi sancionada pelo prefeito, foi idealizada pelos pesquisadores do Projeto Boto-Cinza, do Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC).

“Esta nova lei representa um grande passo na conservação do boto-cinza e reforça a importância socioeconômica da espécie na região”, comemora a equipe do IPeC. “É um marco para o Projeto Boto-Cinza, que há mais de 30 anos atua na pesquisa e conservação da espécie. Além dos estudos, os pesquisadores do projeto também atuam em ações de educação ambiental e capacitação profissional de diferentes setores, como educadores, monitores ambientais e condutores de embarcações de turismo”.

Desde 1981 o instituto tem um projeto para pesquisa da espécie, que é encontrada na região do Lagamar, situada entre o litoral sul de São Paulo e norte do Paraná, no estuário da Cananéia, e que tem a Baía de Trapandé como área de concentração.

Pelo texto da nova lei, a partir do ano que vem no dia 24 de outubro será celebrado o “Dia do Boto-Cinza”. É estabelecido também que tanto o poder público como a comunidade devem promover a preservação da espécie, assim como utilizar a imagem do animal em publicações de turismo como ferramenta de educação ambiental.

A administração pública se compromete ainda a manter a “articulação com entidades científicas e conservacionistas, visando ao estudo dos botos e à conscientização popular para a sua conservação e o onitoramento ambiental da região de ocorrência dos botos-cinza, evitando e/ou minimizando a sua degradação”.

Os pesquisadores do Projeto Boto-Cinza estimam que aproximadamente 400 indivíduos da espécie vivam no estuário da Cananéia. Sua proteção é muito importante porque a reprodução desses cetáceos é bastante lenta: a fêmea tem apenas um filhote a cada três anos.

Boto-cinza é agora patrimônio natural e símbolo do município de Cananéia, no litoral de São Paulo

O boto-cinza apresenta um rostro fino, nadadeira dorsal pequena e triangular
e uma faixa cinza oblíqua nos flancos

Uma das principais ameaças ao boto-cinza e a outras espécies marinhas é a captura acidental ou incidental (“bycatch”), o emalhamento não intencional de animais por pescadores em artefatos pesqueiros.

Segundo dados do IPeC, mais de 1 milhão de animais vertebrados marinhos morrem, por ano, presos acidentalmente em equipamentos de pesca e cerca de 640 mil toneladas de petrechos de pesca são perdidas ou abandonadas no mar se tornando redes fantasmas.

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Fotos: divulgação Projeto Boto-Cinza/Eric Medeiros

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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