Apesar de apelo de cientistas, governo Trump derruba proteção aos lobos cinzas

Apesar de apelo de cientistas, governo Trump derruba proteção aos lobos cinzas

Depois de mudar regras para a caça e voltar a permitir métodos cruéis contra ursos e lobos nos Estados Unidos, em 2018, a administração do presidente Donald Trump acaba de anunciar mais um revés na área de proteção animal. Menosprezando o apelo da comunidade científica, entidades de conservação e 1,8 milhão de americanos que se manifestaram contra a proposta, os lobos cinzas deixaram de ser protegidos no país.

Desde 1974 os lobos faziam parte da lista de Espécies Ameaçadas Protegidas. Por serem predadores de topo de cadeia, eles tinham sido praticamente dizimados em solo americano na década de 30, inclusive, com o apoio governamental, que incentivou a caça, uso de armadilhas e envenenamento.

Apesar de nos últimos 50 anos, a população de lobos cinzas ter aumentado bastante, cientistas afirmam que ainda não é o suficiente. Eles não chegam a ocupar 15% do território onde costumavam ser observados no passado.

De acordo com o Departamento de Estado, já são cerca de 6 mil lobos nas regiões de Northern Rocky Mountains e Western Great Lakes e que esse número seria bem acima do estipulado nos planos de recuperação da espécie.

“Este não é um momento de ‘missão cumprida’ para a recuperação dos lobos. Eles estão apenas começando a se firmar em lugares como o norte da Califórnia e o noroeste do Pacífico, e precisam de proteção federal para explorar o habitat nas Montanhas Rochosas do Sul e no Nordeste”, afirmou Kristen Boyles, advogada da organização Earthjustice. “Essa decisão de exclusão é o que acontece quando ciência ruim leva a políticas ruins”.

No ano passado, mais de 100 cientistas vieram a público, em uma carta enviada ao governo dos Estados Unidos, ressaltar que a proteção aos lobos deveria ser mantida.

“A melhor ciência disponível mostra claramente que os lobos não estão prontos para serem retirados da lista porque a Lei das Espécies Ameaçadas exige que uma espécie seja recuperada em uma porção maior de sua distribuição histórica, e isso ainda não foi alcançado. Os problemas que surgem na recuperação de lobos, como a preocupação com conflitos entre lobos e rebanhos, são todos bastante administráveis ​​e os lobos não devem ser retirados da lista porque é uma solução politicamente conveniente para esses conflitos…

Sem proteções federais em vigor, o manejo das populações de lobos seria transferido para agências estaduais de vida selvagem. Tentativas anteriores de remover prematuramente as proteções para lobos levaram a temporadas de caça a troféus e armadilhas com cotas destinadas a reduzir suas populações a objetivos arbitrários baseados na política e não na ciência.

“A grande maioria do público americano mostrou repetidamente que apóia a conservação dos lobos e quer que a ciência guie a sua recuperação. Ignorar a ciência e permitir que a política guie a retirada dos lobos abrirá um precedente desastroso para centenas de outras espécies ameaçadas”.

Atualmente a caça aos lobos é permitida em quatro estados americanos, Alaska, Montana, Idaho e Wyoming. Em 2014, os governos de Michigan, Wisconsin e Minnesota tentaram derrubar o veto à caça da espécie, mas uma corte de justiça negou o pedido.

Segundo o International Wolf Center, existem duas espécies de lobos amplamente reconhecidas no mundo, o vermelho e o cinza. No entanto, cientistas suspeitam sobre a existência de outras possíveis subespécies do lobo cinzento. Há também um canídeo pouco conhecido, que vive nas terras altas da Etiópia, chamado Canis simensis, que se acredita ser um parente muito próximo do lobo.

Os lobos são os maiores membros da família canídeos, a mesma a que percentem os cães de estimação. Há muitas décadas, os lobos eram os mamíferos terrestres selvagens mais amplamente distribuídos no Hemisfério Norte.

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Foto: domínio público/pixabay

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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