
Foram mais de dois anos de muito planejamento, trabalho e dedicação para chegar a esse momento tão aguardado: a soltura de Xamã na Amazônia. Desde o ano passado o Conexão Planeta acompanha a história desse macho de onça-pintada, que ficou órfão por causa de um incêndio. Ele foi encontrado por cães, assustado e sozinho, ainda filhote, numa propriedade particular na região de Sinop, no Mato Grosso, em agosto de 2022. Na época tinha cerca de dois meses e estava desnutrido e desidratado (leia mais aqui).
Após ter sido decidido que ele deveria retornar à natureza quando ficasse adulto, Xamã passou a ser cuidado pela equipe do Onçafari, que tem grande experiência na reintrodução de onças-pintadas, tanto no Pantanal, como no bioma amazônico (as fêmeas Pandora e Vivara já tinham passado pelo mesmo processo, em 2019).
Quando tinha aproximadamente oito meses então, Xamã foi levado para um recinto de reabilitação do Onçafari, de 15 mil m2, no meio da mata, no sul do Pará. Desde que chegou ao local, ele foi treinado, mesmo que só de longe, a desenvolver seus instintos naturais e assim, conseguir sobreviver na vida livre. O contato com os seres humanos era mínimo, somente o absolutamente indispensável, essencial para evitar o chamado imprinting, termo usado para descrever o apego do animal com seus cuidadores.
Pouco a pouco, por exemplo, ele foi introduzido a presas vivas para desenvolver suas habilidades de caça. “Soltar um macho é sempre um desafio maior, porque, diferentemente das fêmeas, eles correm mais e disputam território com outros machos. Por isso precisamos avaliar sua capacidade e rapidez de caça para realizar a reintrodução”, explica Leonardo Sartorello, biólogo e coordenador de reintroduções do Onçafari.

Foto: Noelly Castro/Proteção Animal Mundial
E há algumas semanas, chegou a hora da reintrodução de Xamã na vida selvagem. A soltura ocorreu em uma área extremamente preservada com cerca de 2 milhões de hectares, nas imediações da Serra do Cachimbo. Antes de ganhar a liberdade, entretanto, ele recebeu um colar GPS para que sua adaptação possa ser monitorada.
O processo de soltura foi o chamado de “soft release”, ou seja, houve a abertura da grade do recinto onde Xamã vivia e a iniciativa para sair dali dependia apenas dele. A onça deixou o ambiente fechado depois de 12 horas.

Foto: divulgação Onçafari
Para Júlia Trevisan, bióloga e coordenadora de vida silvestre da Proteção Animal Mundial, organização responsável por parte do apoio financeiro e técnico do projeto, a reintegração do Xamã é uma vitória do meio-ambiente.
“Cada vez que um animal silvestre morre, parte da floresta morre também. Isso porque cada espécie cumpre funções específicas na manutenção do ambiente, seja por meio da dispersão de sementes, polinização ou controle de presas. Outro motivo para celebrar é que a beleza da fauna silvestre reside em ser livre. Se o Xamã não tivesse condições de sobreviver ao ser solto, a outra opção seria viver em cativeiro, o que seria muito triste. A sensação é de dever cumprido”, comemora.

Foto: Noelly Castro/Proteção Animal Mundial
Foto de abertura: divulgação Onçafari
A mãe não criou o filhote, nem passou os bizú pra ele.
Será que a melhor opção era soltá-lo?
Ele passou por todo um processo de treinamento, a exemplo de outras reintroduções bem-sucedidas. A equipe do Onçafari só o soltaria caso tivesse certeza absoluta da sua habilidade em sobreviver. Além disso ele está sendo monitorado. Melhor na vida livre do que no cativeiro, não?
Abraço,
Suzana
Aqui no Brasil precisamos mais destes milagres
Talvez devesse a reportagem citar e cobrar punição aos culpados (governo atual), pelos incêndios q desalojam e matam os animais inocentes.
Roberto,
Essa reportagem, em específico, fala sobre a reintrodução do Xamã. Se você acompanha o Conexão Planeta, saberá que há diversas outras matérias em nosso site falando sobre incêndios, responsáveis e impactos sobre o meio ambiente. Basta você fazer uma busca que as encontrará.
Abraço,
Suzana