“É a primeira vez que as florestas vêm falar por si. É a primeira vez que nós estamos dizendo: não basta evitar desmatamento, é preciso cuidar da floresta, cuidar das pessoas que moram na floresta, e cuidar da biodiversidade da floresta. Isso custa muito dinheiro, e os países ricos têm que ajudar a pagar essa conta. É isso que nós queremos nesta COP”, declarou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste sábado (2/11), na COP 28.
Na companhia das ministras do Meio Ambiente, Marina Silva, e dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, ele liderou evento sobre preservação de florestas que reuniu especialistas, representantes de povos de florestas e chefes de Estado de países com florestas (como o presidente da França, Emannuel Macron, devido a posse sobre o território da Guiana Francesa, aqui na América do Sul), destacando que esta é a primeira vez, em 28 anos de COPs, que as “florestas falam por si”.
Ao lado de Marina, Lula quebrou o protocolo – “aqui tá tudo muito burocrático […] e, embora seja o presidente, não vou falar sobre a floresta” – e cedeu seu tempo de fala para ela por ser uma verdadeira representante da floresta, uma vez que ela cresceu nos seringais da floresta amazônica, no Acre. E se emocionou ao lembrar a história de vida da ministra.
“Eu não poderia utilizar a palavra para falar sobre a floresta, se tenho no meu governo uma pessoa da floresta. A Marina nasceu na floresta, se alfabetizou aos 16 anos. Eu acho que é justo que, para falar da floresta, ao invés de falar o presidente, que é de um estado que não tem floresta, a gente tem que ouvir ela, que é a responsável pelo sucesso da política de preservação ambiental que nós estamos fazendo no Brasil”.
Lula virou-se para Marina e lhe disse “existe um discurso pronto aqui, você poderia lê-lo, mas eu acho que você deve falar com seu coração sobre a floresta porque o encontro de hoje é inédito”. E finalizou: “Por isso que eu vou ficar aqui para ouvir a Marina falar”. E permaneceu a seu lado no púlpito.
Política ambiental é multisetorial
Em breve relato, Marina falou das políticas do governo federal para a preservação da floresta, destacando ações de combate ao desmatamento ilegal da Amazônia responsáveis por reduzir a derrubada da floresta em 49,5% nos 10 primeiros meses de governo, “evitando lançar na atmosfera 250 milhões de toneladas de CO₂. Se não fossem suas medidas, teríamos um aumento do desmatamento de 54%”.
Marina também evidenciou as políticas para os povos indígenas e quilombolas como essenciais para a preservação das florestas. “Os povos originários são responsáveis por 80% das florestas protegidas do mundo, e o povo quilombola agora também têm uma mulher, uma mulher negra, Anielle Franco, uma jovem que está ajudando a proteger floresta com o povo quilombola”.
E ainda lembrou que a política ambiental do governo Lula não é setorial [marca registrada desta gestão], mas está em todos os ministérios. Citou, como exemplo dessa abordagem sistêmica, o Plano de Transformação Ecológica apresentado na COP28 (1/12) pelo ministro Fernando Haddad, da Fazenda, e por ela – na companhia de Aloísio Mercadante, presidente do BNDEs, do embaixador André Correa do Lago, e de Dilma Roussef, presidente do banco dos BRICs.
Referindo-se ao presidente Lula, a ministra declarou que “sua diretriz para proteger a floresta é mais do que comando e controle [fiscalização e repressão], é uma diretriz de desenvolvimento sustentável em suas quatro dimensões: na dimensão ambiental, na dimensão social, na dimensão econômica e na dimensão cultural”.
Nesta COP, o Brasil apresentou proposta para que os países com Fundos Soberanos invistam, ao menos, US$ 250 bilhões em um fundo comum para manter as florestais tropicais em pé em todo o mundo.
A seguir, assista ao momento em que Lula quebra o protocolo e passa a palavra para Marina e, também, ao discurso da ministra do meio ambiente:
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Com informações da Agência Brasil
Foto: Ricardo Stuckert/PR