
49,6oC. Esta foi a temperatura registrada há dois dias em Lytton, na província da Colúmbia Britânica, no Canadá. O mais impressionante é que foram três dias seguidos com os termômetros batendo quase os 50oC. E isso é porque ainda estamos no final de junho, ou seja, os meses realmente quentes do verão no Hemisfério Norte – julho e agosto -, ainda nem começaram.
A onda de calor extremo que castiga tanto o Canadá como as cidades da costa oeste dos Estados Unidos já é tida como a responsável pela morte súbita de 486 pessoas na região de Vancouver. Segundo as autoridades locais, o número de óbitos no período de cinco dias aumentou em 195% em relação à média considerada normal. Por esta razão, elas culpam a temperatura atípica como principal responsável pelos falecimentos.
“Embora ainda seja muito cedo para dizer com certeza quantas dessas mortes estão relacionadas ao calor, acredita-se que o aumento significativo seja atribuível ao clima extremo que a Colúmbia Britânica experimentou e continua a impactar muitas partes de nossa província”, afirmou a médica legista Lisa Lapointe em um comunicado.
A grande maioria dos mortos eram pessoas mais velhas, que moravam sozinhas. Geralmente os idosos sentem os efeitos do calor e não conseguem correlacionar com a temperatura. Além disso, muitos viviam em casas quentes e mal ventiladas.
Nos Estados Unidos a situação também é grave. Portland, a maior cidade do Oregon, tem uma temperatura média entre 15o e 20o nesta época do ano, entretanto, na semana passada, o calor chegou a quase 47oC. Em alguns estados, como não é normal fazer tanto calor, muitas residências nem têm ar-condicionado. Estima-se que em Seattle, por exemplo, somente 44% delas possuam um aparelho de refrigeração instalado.
Para a Agência Nacional de Oceano e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês), esta é “uma das, senão, a pior onda de calor nos registros modernos que impactou o noroeste do Pacífico americano e o oeste do Canadá durante o final de junho de 2021, não apenas quebrando recordes, mas quebrando-os em um período incrivelmente quente de quatro dias. E, ao contrário da onda de calor no sudoeste dos Estados Unidos em meados de junho, desta vez o calor perigoso foi sentido em uma região não conhecida por tais extremos”.
De acordo com os cientistas da agência, a causa mais provável para esta anomalia climática foi um sistema de alta pressão, mais forte do que jamais observado nessa grande área, que permaneceu sobre ela por vários dias, sem se mover. O céu sem nuvens e o ar descendente associados à alta pressão ajudaram a impulsionar ainda mais as temperaturas recordes.
Em alguns locais, havia também o efeito dos “ventos predominantes”, que no Hemisfério Norte sempre sopram no sentido horário em torno de alta pressão. Devido à topografia da região – montanhas e planaltos – os ventos de leste trazem o ar de grandes altitudes para áreas mais baixas, o que faz com que ele se comprima e aqueça. Esses ventos são chamados de ventos de descida e são conhecidos por elevar a temperatura ao longo de toda a costa oeste.
Por último, os cientistas ressaltam que não há como descartar o papel da mudança climática. Análises apontam que ondas de calor extremo nos Estados Unidos ocorreram com mais frequência e duraram mais tempo desde a década de 1960. Segundo o Índice de Extremos Climáticos da NOAA, a área percentual do Noroeste do Pacífico que experimentou temperaturas recordes no verão aumentou drasticamente nos últimos 20 anos.
“No futuro, as ondas de calor deverão continuar a acontecer, ocorrer com mais frequência e por períodos mais longos devido às emissões de gases de efeito estufa“, alertam os pesquisadores da agência.
Gráfico acima mostra como as ondas de calor nos verões da costa oeste têm se tornado mais intensas e frequentes ao longo do último século
*Com informações do jornal The Guardian e do NOAA
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