
Esta semana, a organização Survival International divulgou (em seu site e nas redes sociais) imagens raras de indígenas isolados, os Mashco Piro, o maior povo isolado do mundo, que vive na Amazônia peruana, na fronteira com o Brasil.
Mas sua intenção não era expor esse povo à curiosidade humana e, sim, denunciar a proximidade da exploração madeireira para enfatizar a necessidade urgente de revogação das licenças das empresas que ali atuam, além de reconhecer que aquele território pertence aos Mashco Piro.
É estarrecedor ver dezenas de indígenas – inclusive crianças – à beira de um rio, em busca de alimento (supõe a ONG), muito próximos do local onde a madeireira Canales Tahuamanu faz suas intervenções na floresta.

A empresa tem licença de extração certificada pelo Conselho de Manejo Florestal (Forest Stewardship Council em inglês; cuja sigla é FSC). “Em teoria, esse selo de aprovação (aquela arvorezinha que você encontra em milhares de produtos feitos de papel) significa que a empresa opera de modo sustentável e ético, o que claramente não é o caso”, explica a ONG.
Caroline Pearce, diretora da Survival International, alerta: “Essas imagens incríveis mostram que grande número de indígenas isolados Mashco Piro vive a poucos quilômetros de áreas concedidas à exploração de madeira. Inclusive, a empresa Canales Tahuamanu já está trabalhando dentro do território dos Mashco Piro”.
Além de alertar para os riscos do contato dos indígenas isolados com madeireiros, com a divulgação das imagens a ONG quer expor a destruição da floresta (causada pela exploração não só da Canales Tahuamanu como de outras empresas) e chamar a atenção para essa cena incomum: vários grupos de indígenas se reunindo para procurar comida.

Em abaixo-assinado, a Survival denuncia a Canales para que perca sua certificação junto ao FSC -, são várias as empresas madeireiras que detêm concessões dentro do território do povo Mashco Piro.
No texto dessa petição, a ONG revela: “A Canales Tahuamanu vem extraindo madeira de suas terras há anos. Ela construiu mais de 200 km de novas estradas desde 2016, colocando a sobrevivência dos Mashco Piro em sério risco: a destruição de sua floresta, encontros casuais com os madeireiros e a disseminação de doenças podem exterminá-los (…)”.
“A empresa, que usa a certificação FSC como selo de aprovação para suas operações, já está sob pressão de organizações indígenas do Peru para se retirar do território Mashco Piro. Perder a certificação será um sinal poderoso – para as empresas e o governo – de que a exploração madeireira nesta área deve parar”, finaliza.
E Caroline acrescenta: “Está se formando o cenário de uma verdadeira crise humanitária – é absolutamente necessário que os madeireiros sejam removidos, e que o território dos Mashco Piro seja devidamente protegido. A FSC deve cancelar imediatamente a certificação da Canales Tahuamanu – se não, ficará claro que todo o sistema de certificação é uma farsa”. Exato!
A Survival ainda contou, em seu site, que, “nos últimos dias, mais de 50 indígenas Mashco Piro apareceram perto da aldeia dos indígenas Yine de Monte Salvado, no sudeste do Peru. Em um outro avistamento, um grupo de 17 indígenas apareceu na aldeia de Puerto Nuevo. Os Yine, que não são isolados, falam uma língua parecida com a dos Mashco Piro e já haviam relatado anteriormente que eles reclamaram da presença de madeireiros em suas terras”.
No dia em que as imagens foram divulgadas (16/7), Alfredo Vargas Pio, presidente da organização indígena local Fenamad – Federacao Nativa del Rio Madre di Dios y Afluentes, também se pronunciou:
“Esta é uma evidência irrefutável de que muitos Mashco Piro vivem nesta área que o governo não apenas falhou em protege-los, mas, na verdade, vendeu-se para empresas madeireiras. Os trabalhadores madeireiros podem trazer novas doenças que exterminariam os Mashco Piro e, também, há risco de violência de ambos os lados. Então é muito importante que os direitos territoriais dos Mashco Piro sejam reconhecidos e protegidos por lei”.

O drama dos Mashco Piro me remeteu à situação dos indigenas brasileiros, em especial os Yanomami, que sofrem com a exploração garimpeira.
A seguir, leia e assista os três posts publicados pela Survival Brasil para divulgar a denuncia da Survival International em nosso país:
________
Acompanhe o Conexão Planeta também pelo WhatsApp. Acesse este link, inscreva-se, ative o sininho e receba as novidades direto no celular.
Foto (destaque): Survival International
Com informações da Survival International