Filodendros absorvem poluentes de interiores

filodendros

Quem trabalha num ambiente com impressoras e copiadoras nem sempre percebe, mas está em contato diário com um gás incolor poluente, chamado formaldeído ou aldeído fórmico. Em sua versão líquida, a substância é mais conhecida como formol (sim, aquele usado para embalsamar). O formaldeído também se acumula em ambientes fechados quando há móveis novos feitos de compensados ou aglomerados, carpetes e cortinas recém-instalados, adesivos, solventes e outros materiais de construção.

Espalhado no ar de um escritório, o tal gás irrita olhos, nariz e garganta, provoca tosse seca, pele seca ou coceira. E mais: associado a outros poluentes de interiores, como os emitidos por produtos de limpeza, contribui para quadros de tontura e náuseas, dificuldade de concentração, fadiga e sensibilidade a odores, além de aumentar as chances de pessoas propensas desenvolverem esclerosa lateral múltipla.

Abrir as janelas e renovar o ar do escritório é uma boa alternativa, desde que o ar de fora não venha direto de ruas congestionadas de tráfego, quando então o ozônio e uma porção de gases poluentes de exteriores podem piorar a situação ao invés de melhorar. Outra opção é cultivar filodendros, um gênero de plantas de belas folhagens, comuns no sub-bosque de florestas tropicais e amplamente empregadas como ornamentais em nossas cidades.

A primeira recomendação de usar plantas para absorver poluentes de interiores é de 1989 e veio da agência espacial norte americana, NASA, após um experimento feito com 50 espécies ornamentais. As plantas foram colocadas em caixas fechadas, onde foram injetadas quantidades controladas de poluentes associados à Síndrome do Edifício Doente (Sick Building Syndrome, em inglês). O resultado foi uma lista de plantas recomendadas para interiores por absorver formaldeído, benzeno, xileno, amônia e tricloroetileno, publicada em um guia (veja aqui, na versão em inglês).

Em 2009, um experimento semelhante confirmou a capacidade de filtragem de outras plantas, apenas em relação ao formaldeído. Entre elas, estavam alguns filodendros nativos do Brasil. O pesquisador Kwang Jin Kim, do Instituto Nacional de Pesquisa em Horticultura, da Coreia, verificou que essas plantas absorvem até 80% do formaldeído liberado num ambiente fechado, num prazo de 4 horas, enquanto o decaimento natural do poluente, sem as plantas, é de apenas 7% no mesmo período.

Ele também comprovou que as folhas dos filodendros absorvem mais formaldeído durante o dia do que à noite, justamente quando há mais gente exposta ao gás. O jeito de manter o ar mais saudável no escritório, então, parece ser caprichar na decoração com as folhagens! Uma bela planta dessas para cada 10 metros quadrados é o suficiente. Vale lembrar que as plantas também aumentam a umidade do ar no ambiente fechado, equilibrando parcialmente o efeito secante do ar condicionado. Só se deve tomar o cuidado de não deixar crianças se aproximarem dessas plantas, porque elas são tóxicas se ingeridas.

Entre as espécies brasileiras recomendadas estão o filodendro (Philodendrum cordatum), da Mata Atlântica de Sudeste; o cipó-de-tracuá (P. megalophyllum), da Amazônia, cuja distribuição vai desde a Bolívia até o Pará, na região de Santarém; o imbé (P. imbe), das restingas do Norte, Nordeste e Sudeste, e a banana-de-macaco ou guaimbé (P. bipinnatifidum), nativa nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

Outros tipos de folhagens típicas de locais sombreados também funcionam bem como filtros de formaldeído, como é o caso da jiboia (Epipremnum aureum), originária da Polinésia Francesa, mas muito cultivada e fácil de encontrar pelos viveiros de todo o Brasil, e a costela-de-adão (Monstera deliciosa), do México, bem parecida com o guaimbé e igualmente disseminada por todo o país.

Assim não é preciso tirar as nativas das matas: basta comprar uma mudinha num viveiro, ou arrumar com algum amigo, e rapidinho elas chegam ao tamanho ideal para funcionar como filtros vivos!

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Fotos: Liana John (imbé, ao alto, e jiboia, acima)

Liana John

Jornalista ambiental há mais de 30 anos, escreve sobre clima, ecossistemas, fauna e flora, recursos naturais e sustentabilidade para os principais jornais e revistas do país. Já recebeu diversos prêmios, entre eles, o Embrapa de Reportagem 2015 e o Reportagem sobre a Mata Atlântica 2013, ambos por matérias publicadas na National Geographic Brasil.

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