Com o clima mais quente, árvores estão absorvendo menos CO2 da atmosfera

Com o clima mais quente, árvores estão absorvendo menos CO2 da atmosfera

Nas últimas décadas o volume de dióxido de carbono, o CO2, gás liberado na atmosfera da Terra, principalmente como resultado das atividades humanas, tem aumentado assustadoramente. A quantidade já é a maior em 3,6 milhões de anos, segundo cálculos feitos pela Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA). Até agora, o homem contava com a ajuda das árvores para contrabalancear essa conta. Elas eram responsáveis por absorver cerca de 25% de carbono. Entretanto, um novo estudo alerta que à medida que a temperatura no planeta fica mais quente, esse percentual está se reduzindo.

“Descobrimos que as árvores em climas mais quentes e secos ‘tossem’ essencialmente em vez de respirar”, diz Max Lloyd, professor assistente de Geociências da Penn State University, nos Estados Unidos. “Elas estão enviando CO2 de volta à atmosfera muito mais do que as árvores em climas mais frios e úmidos”.

A notícia não podia ser pior, afinal no mundo todo o que se sente é o aumento da temperatura e ondas recordes de calor. 2023 foi declarado oficialmente o ano mais quente da história pelo Serviço Climatológico Europeu Copernicus e 2024 já começou com extremos climáticos em diversos países.

O estudo dos pesquisadores norte-americanos afirma que as árvores têm grande dificuldade para sequestrar CO2 quando as temperaturas estão mais altas e a umidade baixa, o que significa que podem já não servir como uma solução para compensar a pegada de carbono descomunal da humanidade.

No artigo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences, os cientistas explicam como no processo de fotossíntese, as árvores removem dióxido de carbono da atmosfera para crescer. No entanto, sob condições estressantes, elas liberam CO2 de volta à atmosfera, um processo chamado fotorrespiração.

Segundo a análise, que contou com a participação de pesquisadores de várias instituições dos Estados Unidos, dados globais revelaram que a taxa de fotorrespiração é até duas vezes maior em climas mais quentes, especialmente quando a água é limitada.

“Desequilibramos este ciclo essencial”, afirma Lloyd, principal autor do artigo. “As plantas e o clima estão inextricavelmente ligados. A maior redução de CO2 da nossa atmosfera é feita pelos organismos que realizam a fotossíntese”.

O próximo passo dos pesquisadores é estudar os índices de fotorrespiração em árvores fossilizadas para determinar a influência do clima nesse processo ao longo dos séculos.

“Sou um geólogo e trabalho com o passado. Portanto, se estamos interessados nestas grandes questões sobre como funcionava este ciclo quando o clima era muito diferente do atual, não podemos usar plantas vivas. Talvez tenhamos que voltar milhões de anos para entender melhor como será o nosso futuro”, destaca Lloyd.

*Com informações e entrevistas contidas no texto de divulgação da Penn State University

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Foto de abertura: kazuend on Unsplash

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Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.