Após quase um século, pesquisadores reencontram árvore raríssima no coração da Amazônia

Após quase um século, pesquisadores reencontram árvore raríssima no coração da Amazônia

Foi em 1936 que o cientista russo Boris Krukoff descreveu pela primeira vez a Androcalymma glabrifolium. Naquele ano, o pesquisador fazia uma expedição ao alto Rio Solimões, no Amazonas, próximo à fronteira com a Colômbia e o Peru, quando se deparou com essa raríssima árvore, que atinge 40 metros de altura, a única espécie descrita até hoje em seu gênero botânico. Temia-se que ela tivesse sido extinta.

Pois 86 anos depois, pesquisadores brasileiros embarcaram numa missão para tentar reencontrar a espécie no coração da Amazônia. O desafio não era fácil. Através da viagem que envolveu viagens de avião, carro e barcos, Marcus Falcão e Vidal Mansano, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, e Guilherme Silva, da Universidade de Campinas (Unicamp), precisavam chegar até a região do Igarapé Belém, um dos afluentes do Solimões.

Na busca pela Androcalymma glabrifolium, os botânicos contaram ainda com a ajuda de indígenas do povo Ticuna, que conhecem como poucos a fauna e a flora da floresta.

Mas o esforço foi recompensando! Em dezembro do ano passado foram redescobertas várias árvores dessa espécie tão rara. E pela primeira vez foram feitas fotos dela e coletadas amostras de folhas, frutos e flores, o que permitirá ainda a realização de exames genéticos de DNA da planta.

Após quase um século, pesquisadores reencontram árvore raríssima no coração da Amazônia

Segundo relato dos pesquisadores, as flores brancas da árvores são extremamente perfumadas
(Fotos: M. Falcão)

A redescoberta dessa árvore amazônica foi relatada em um artigo científico na revista internacional Phytotaxa. No texto, os botânicos alertam que a espécie pode estar em risco de extinção.

“Embora a Androcalymma ocorra dentro de uma terra indígena legalmente protegida e próximo a uma pequena aldeia cuja população gera um impacto relativamente pequeno na selva circundante, que em sua maioria está preservada, a terra indígena como um todo vem sofrendo intensa impacto devido a invasões, desmatamento ilegal, caça, mineração e pesca, além da ausência de políticas públicas para gerar alternativas de vida mais ecologicamente sustentáveis para as crescentes populações indígenas de algumas das maiores aldeias da região. Tais fatos indicam um alto nível de ameaça à espécie… e assim inferimos aqui um status preliminar de criticamente ameaçado para a Androcalymma glabrifolium“, relatam os pesquisadores.

Leia também:
Pesquisadores encontram a árvore mais alta da Amazônia: um Angelim vermelho de 88,5 metros, na Floresta Estadual do Paru, no Amapá
Coccoloba gigantifolia: árvore da Amazônia com folha gigante é descrita pela ciência
6.727 árvores compõem primeiro banco de dados da Amazônia

Foto de abertura: divulgação Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Deixe uma resposta

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.