Goiabeira, a amiga íntima das mulheres


Qualquer pessoa com alguma proximidade com a roça já tomou chá de folhas de goiabeira contra diarreia, pelo menos uma vez na vida. Esse remédio caseiro é conhecido no Brasil inteiro e não faltam goiabeiras à mão para assegurar sua utilização. Nativa das Américas do Sul e Central, tendo como provável centro de origem os cerrados da Região Norte, a espécie Psidium guajava hoje se espalha por toda parte, levada por aves e mamíferos (incluindo o homem), que muito apreciam seus frutos e largam sementes ao longo de seus caminhos. Mesmo nas cidades e até nas metrópoles, as goiabeiras estão pelos quintais, pelas praças e à margem das calçadas.

A goiabeira figura também em publicações do Ministério da Saúde, onde estão listadas as plantas aprovadas para fitoterapia no Sistema Único de Saúde (SUS). A recomendação oficial não menciona, porém, a atividade contra diarreia e, sim, a atividade antifúngica e antibacteriana nas afecções da boca e vagina, como candidíase, leucorreia, aftas e úlceras. Diversas pesquisas confirmam essa atividade, como um estudo publicado pela bióloga Joice de Freitas Fonseca e a cirurgiã-dentista Aline do Carmo França Botelho, ambas do Centro Universitário do Planalto de Araxá (Uniaraxá), de Minas Gerais. Elas testaram in vitro a atividade das folhas de goiabeira contra três espécies de Candida, gênero de levedura responsável pela imensa incidência de corrimentos vaginais e de infecções bucais vulgarmente chamadas de “sapinho”.

As espécies testadas foram Candida albicans (a mais comum), C. krusei e C. tropicalis. Todas elas normalmente fazem parte da flora vaginal. Embora estejam presentes, em geral a vagina é resistente às infecções, pois é um meio muito ácido e isso inibe a proliferação e o crescimento excessivo de patógenos como essas leveduras. Já o fluxo menstrual é alcalino, assim como a excitação sexual e o estresse. Se o pH vaginal aumenta muito devido a um ou mais desses fatores, os patógenos fogem ao controle e causam vaginites.

No caso do estudo, o extrato bruto (macerado hidroalcoolico) de folhas de goiabeira deu conta de inibir o crescimento do fungo nos testes de laboratório, inclusive com mais eficiência do que um medicamento contra micoses e candidíase de uso comercial. Ponto para a mulherada do interior que recorre a banhos de assento feitos com folhas de goiabeira para tratar do incômodo corrimento. E ponto também para quem usa o chá de folhas de goiabeira em bochechos, como antisséptico bucal caseiro.

Os adeptos da fitoterapia, com um mínimo de espaço para plantar, devem considerar a adoção de uma goiabeira em casa, de preferência da variedade vermelha (mais “vitaminada”). Além de ter as folhas disponíveis durante o ano inteiro, no verão ainda podem desfrutar das goiabas, muito ricas em ferro, fósforo e cálcio; vitamina C e licopeno (ambos antioxidantes), além das vitaminas A e do complexo B. É verdade que as goiabas vão atrair moscas-das-frutas e será necessário montar armadilhas para manter os frutos sem bichos. Mas as aves também vão passar a visitar a goiabeira, então vale o trabalho!

Fotos: Liana John

Jornalista ambiental há mais de 30 anos, escreve sobre clima, ecossistemas, fauna e flora, recursos naturais e sustentabilidade para os principais jornais e revistas do país. Já recebeu diversos prêmios, entre eles, o Embrapa de Reportagem 2015 e o Reportagem sobre a Mata Atlântica 2013, ambos por matérias publicadas na National Geographic Brasil.

Liana John

Jornalista ambiental há mais de 30 anos, escreve sobre clima, ecossistemas, fauna e flora, recursos naturais e sustentabilidade para os principais jornais e revistas do país. Já recebeu diversos prêmios, entre eles, o Embrapa de Reportagem 2015 e o Reportagem sobre a Mata Atlântica 2013, ambos por matérias publicadas na National Geographic Brasil.

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