
O Brasil se destaca por ter a maior biodiversidade mundial: uma exuberante e abundante fauna, além de florestas, savanas, rios e mares que abrigam aproximadamente 13% da vida do planeta. Não é à toa que o país é também um dos grandes alvos do tráfico de animais silvestres.
O número é assustador: mais de 38 milhões de animais de diferentes espécies são capturados na natureza de forma cruel e criminosa todos os anos! E a maioria não chega com vida ao “destino”: de cada dez animais, nove morrem devido aos maus-tratos.
Esta atividade clandestina é a terceira maior do mundo (em volume de dinheiro), perdendo apenas para os tráficos de armas e de drogas: movimenta cerca de 23 bilhões de dólares por ano e, deste total, entre 5% a 15% são oriundos do Brasil: em apenas dois anos, foram apreendidos mais de 86 mil animais!
De acordo com levantamento do Observatório do Tráfico da ONG Freeland Brasil, realizado com base em notícias sobre esse tipo de tráfico, em 2021, mais de 25 toneladas de carne de caça e mais de 130 toneladas de pescado foram comercializados de forma ilegal.
Cerca de 59 mil animais vivos foram recuperados em operações de combate contra o crime e em torno de 1.700 animais mortos foram apreendidos.
Os principais alvos são aves (araras, pássaros canoros, papagaios) – 400 espécies de aves nativas são alvo de traficantes -, répteis e anfíbios ( jabuti, jiboia, sapo-garimpeiro), invertebrados (borboletas e aranhas) e mamíferos (onças-pintadas, jaguatiricas, saguis, macaco-prego).

Foto: Sou Amigo da Fauna/divulgação
Diante desse cenário, não é mais possível deixar de agir. A demanda por respostas rápidas e efetivas contra esses crimes é urgente e, por isso, quatro organizações de preservação ambiental – Instituto Libio, AMPARA Silvestre, Onçafari e SOS Pantanal – se uniram e criaram um projeto grandioso – SOU AMIGO DA FAUNA -, lançado hoje, 29/6, em São Paulo.
Trata-se de um movimento que tem, por objetivo, combater o tráfico de animais silvestres em todo o território nacional – incluindo a caça e a pesca ilegais – visando a conservação das espécies. Para tanto, ainda conta com o apoio de parceiros fundamentais para o combate ao tráfico de animais silvestres: a Socicam, empresa administradora de aeroportos, terminais urbanos, rodoviários e portuários, e da Azul Linhas Aéreas.
Selo Amigo da Fauna
O projeto contempla a sensibilização e a capacitação de funcionários de empresas, instituições parceiras e da sociedade civil sobre os impactos do tráfico, impulsionando a participação em iniciativas de preservação ambiental e em ações de prevenção e repressão a esse crime.
Nesse sentido, as ações de conscientização serão impulsionadas por campanhas publicitárias, como também por meio da adesão de empresas e instituições ao SELO AMIGO DA FAUNA, que, além de identificar quem está comprometido com a causa, contribuirá para a difusão de informações sobre os impactos do tráfico de animais para a sociedade.
Esta é uma ação estratégica para a captação de novos parceiros, que já conta com a adesão de 13 aeroportos localizados em regiões remotas de grandes centros urbanos do país, que se constituem naturalmente como rotas dos crimes de tráfico de animais silvestres. São eles:
- Aeroporto Piloto Oswaldo Marques Dias, de Alta Floresta (MT);
- Aeroporto Maestro Marinho Franco, de Rondonópolis (MT);
- Aeroporto Presidente João Batista Figueiredo, de Sinop (MT);
- Aeroporto Internacional Marechal Rondon, de Cuiabá (MT);
- Aeroporto de Vitória da Conquista (BA);
- Aeroporto Jorge Amado, de Ilhéus (BA);
- Aeroporto de Una-Comandatuba (BA);
- Aeroporto de Caldas Novas (GO);
- Aeroporto Regional Presidente Itamar Franco, de Goianá (MG);
- Aeroporto de Araçatuba (SP);
- Aeroporto de Presidente Prudente (SP);
- Aeroporto de São José do Rio Preto (SP); e
- Aeroporto Serafin Enoss Bertaso, de Chapecó (SC).
O que pensam líderes e parceiros do projeto
Para reforçar a dimensão e a importância do projeto Sou Amigo da Fauna, representantes das organizações fundadoras e de companhias parceiras destacam alguns de seus principais aspectos e revelam o que os levou a aderir a este movimento.
“O projeto nasceu da indignação de crimes contra a natureza que exploram e tiram vidas de muitos animais. A transformação deste triste cenário é o que nos move”, explica Raquel Machado, fundadora e presidente do Instituto Libio, e uma das criadoras do projeto. “É preciso conscientizar as pessoas. Para isso, queremos nos unir a uma grande rede de instituições em prol da conservação da biodiversidade”.
Para Mario Haberfeld, CEO e fundador do Onçafari, “o trabalho de conscientização do Sou Amigo da Fauna tem como objetivo dar visibilidade ao tema do tráfico de animais silvestres, além de trazer conhecimento e informação para que possamos impactar a maior quantidade de pessoas possível e coibir esses crimes”.
Gustavo Figueirôa, biólogo e diretor de comunicação e engajamento do Instituto SOS Pantanal, a conscientização da necessidade de combate às investidas contra a fauna nativa do país é um dos pilares para a conquista de objetivos mais amplos.
“O tráfico de animais é um assunto transversal na conservação. Não podemos esperar que apenas instituições focadas no assunto ergam suas vozes. Esse programa é exatamente sobre unir forças para combater um inimigo em comum, que tira milhões de animais todos os anos de seus habitats”, argumenta o especialista.
“A preservação do meio ambiente desempenha um papel fundamental no alcance de um desenvolvimento sustentável“, destaca Juliana Camargo, CEO e fundadora do Ampara Silvestre. “Ao mantermos os ecossistemas em pleno funcionamento, garantimos a sobrevivência da fauna, contribuímos para a mitigação das mudanças climáticas, melhoramos a nossa qualidade de vida e asseguramos a diversidade biológica”, conclui, reiterando a importância vital da soma de esforços como os articulados com o projeto Sou Amigo da Fauna.
“Ser a primeira companhia aérea a apoiar essa campanha é um reconhecimento de nossas ações em favor da valorização e proteção da fauna e da flora brasileiras – e que incluem, por exemplo, curso de combate ao tráfico de animais para todos os aeroviários da Azul que atuam nos aeroportos e também a expertise para o transporte seguro de espécies ameaçadas de extinção“, salienta Filipe Alvarez de Oliveira, gerente de sustentabilidade da Azul Linhas Aéreas.
“Estamos orgulhosos do convite para participar dessa iniciativa tão importante e conectada a outros projetos de conservação da biodiversidade e fomento à bioeconomia que desenvolvemos”, acrescenta o executivo.
Para Marcelo Bisordi, diretor da Divisão de Aeroportos da Socicam, “reconhecemos a importância de colaborarmos com o combate ao tráfico de animais e, por isso, abrimos as portas para que esse projeto pudesse ser modulado com base nas experiências trocadas com nossos aeroportos da Centro-Oeste Airports, em Mato Grosso”. E completa: “Realizamos um trabalho consistente de manejo de fauna e flora em nossos empreendimentos, além de uma série de ações socioambientais que envolvem comunidades no entorno dos equipamentos. Por isso, vislumbramos nessa parceria a consolidação do nosso engajamento nas questões ambientais”.