Que tal adotar um axolote para salvá-lo da extinção?

Que tal adotar um axolote para salvá-lo da extinção?

O axolote é realmente único. Pra começar já tem um nome diferentão. Por isso mesmo, popularmente é chamado de monstro aquático ou peixe que anda. E a aparência então? Seu corpo é um misto de lagarto com peixe, mas na verdade, ele é uma salamandra da ordem dos anfíbios caudados. Possui três pares de brânquias externas e chega à fase adulta ainda com características de quando era larva.

Seu habitat são lagos de água doce, onde se esconde na vegetação aquática e na lama. E quase todas as 18 espécies desse curioso animal são encontradas em apenas um lugar do mundo, o México. Contudo, infelizmente, todas estão ameaçadas de extinção. De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), o axolote está classificado como ‘criticamente ameaçado’, ou seja, um estágio antes de desaparecer por completo na vida selvagem.

Nas últimas duas décadas, houve uma redução de 99,5% da população de axolotes em seus dois principais habitats, entre eles, o lago Xochimilco, na Cidade do México. Entre suas principais ameaças estão a poluição dos lagos, um fungo letal e predadores, como uma truta exótica, além da captura ilegal para abastecer o mercado de animais de estimação.

Segundo o último censo realizado por pesquisadores da Universidade Autônoma Nacional atualmente há 36 axolotes por km2, comparado a 6 mil indivíduos no passado. Estima-se que restem apenas 1 mil desses anfíbios na natureza.

Para tentar salvar o axolote da extinção, pesquisadores da universidade mexicana estão relançando uma campanha de adoção virtual desses bichinhos. O objetivo é arrecadar recursos para a recuperação de seus habitats e um programa de reprodução em cativeiro.

Dependendo do valor da doação é possível pagar algumas refeições para um axolote, adotar um deles por um, seis ou doze meses (e receber atualizações sobre seu estado de saúde) ou ainda, bancar a restauração do local onde vivem.

Como a Mônica Nunes contou nesta outra reportagem aqui no Conexão Planeta, os axolotes têm também outras características únicas:

“Ele é capaz de se regenerar, mas de um jeito muito especial, inclusive em regiões do sistema nervoso: recupera-se de feridas sem deixar cicatriz; regenera extremidades amputadas e, em caso de lesões, sua medula espinhal se recupera completamente.

O axolote é um ser muito antigo, original do México e chegou ao país nas embarcações dos espanhóis colonizadores. Por isso, faz parte da mitologia local: dizem que a espécie é a reencarnação do antigo deus asteca Xolotl, responsável pelo fogo e pela iluminação.

E já foi muito admirado por artistas como o pintor mexicano Diego Rivera que o introduziu em murais, o poeta mexicano Octavio Paz, que falou dele em poemas, e o escritor argentino Julio Cortázar que, em 1956, escreveu um conto inspirado nesta criatura fantástica”.

Que tal adotar um axolote para salvá-lo da extinção?

A maioria dos axolotes são escuros, mas alguns possuem a pele mais clara
(Foto: Ruben Undheim from Trondheim, Norway via Wikimedia Commons)

Foto de abertura:  Robert Röhl (CC BY-NC-SA 2.0) via Flickr

2 comentários em “Que tal adotar um axolote para salvá-lo da extinção?

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Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.