Mistério cerca a morte de mais de 300 elefantes no Delta do Okavango, em Botsuana

Envenenados por caçadores? Vítimas de Covid-19? Ou de uma nova bactéria ou novo vírus? Alguns conservacionistas que acompanham o caso não descartam algumas possibilidades, mas todos ainda aguardam o resultado das análises laboratoriais a partir das amostras coletadas pelo Ministério de Conservação de Botsuana.

Por isso, o que levou mais de 300 elefantes – de todas as idades e sexos – à morte no Delta de Okavangohabitat de 1/3 da população de elefantes da África, que hoje é de 15 mil indivíduos –, ainda é um mistério. A população de elefantes em Botsuana tem declinado, mas, nessa região, em particular, ela tem aumentado. E agora vem essa tragédia inexplicável.

O biólogo e ativista Niall McCann, do National Park Rescue, sediado no Reino Unido, declarou que, no início de maio, em sobrevôo pela região, pesquisadores identificaram mais de 350 carcaças e alertaram as autoridades. Foram contadas 169, em três horas.

Para Keith Lindsay, biólogo conservacionista, em entrevista à Al Jazeera, as mortes podem chegar a mais de 400 elefantes em breve.

70% dos animais mortos foram encontrados em torno de poços de água. E, devido à posição de seus corpos, parece que alguns tiveram morte instantânea (caíram de cara no chão) e, outros, morreram lentamente (deitados de lado), como mostram as reproduções abaixo. Os pesquisadores também viram elefantes vivos, que caminhavam pela região, alguns em círculos (o que indica que podem ter seu sistema neurológico afetado), muito fracos, quase sem vida, o que pode já ter elevado as estatísticas.

Assim que tomou conhecimento, o governo de Botsuana descartou a caça ilegal devido ao fato de que as presas – que é o que os caçadores almejam – não haviam sido arrancadas. Declarou também que, caso os elefantes tivessem sido envenenados, certamente outras espécies teriam morrido.

McCann lembrou que, no ano passado, cerca de 100 elefantes foram dizimados por antraz, uma doença causada por bactéria que vive no solo da região, mas já descartou essa hipótese. Por outro lado, acredita que a causa seja alguma outra doença, que inclusive pode ser passada para os seres humanos, principalmente se estiver relacionada à água e ao solo.

“Sim, trata-se de um desastre de conservação da natureza, com potencial para ser uma crise de saúde pública”, declarou ele à BBC. Caso essa mortandade avance, o colapso do ecoturismo na região também será inevitável. “Os elefantes são como diamantes vagando pelo Delta do Okavango”, acrescentou McCann.

É muito preocupante ver um tipo de “extinção em massa” de uma espécie como a dos elefantes, que vivem próximos dos seres humanos, naquela região, em uma época de pandemia como a que vivemos. É, portanto, urgente impedir que a causa das mortes avance. É vital que o governo tome rapidamente as medidas que podem mitigá-la.

Fontes: The Guardian, Al Jazeera, BBC, G1, UOL

Foto: Reprodução

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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