
Depois de três semanas de viagem a bordo de um catamarã – para cruzar o Atlântico dos Estados Unidos à Europa – e de uma passagem rápida pela bela capital portuguesa, Lisboa, a jovem ativista sueca chega hoje a Madri, onde está sendo realizada a Conferência sobre Mudanças Climáticas da ONU, que começou no dia 2 e termina em 13 de dezembro. Sua primeira mobilização na capital espanhola será na Greve pelo Clima.
Greta não viaja de avião devido às emissões de gases de efeito estufa e, assim como foi de carona para os Estados Unidos, a bordo de um veleiro para participar da Cúpula Climática (onde fez discurso emocionado) e conhecer iniciativas nas Américas para participar da conferência do clima no Chile. Claro que voltar pelo mar também, mas não imaginou que seria tao rápido. Por isso, assim que soube do cancelamento da COP25 no Chile e sua transferência para Madri, na Espanha, fez apelos por carona em suas redes sociais. Em 13/11, três australianos aventureiros (na companhia de um bebê adorável) ofereceram carona em seu catamarã La Vagabonde para a adolescente e seu pai. O barco deixa pouca ou nenhuma pegada de carbono quando as velas estão abertas, e tem painéis solares e hidro-geradores para gerar eletricidade.
Para seguir para Madri, Greta viajou de trem.
Em Lisboa, brasileiro pede a proteção da Amazônia e entrega carta para Greta

Em Lisboa, Greta foi recebida com alegria por moradores, grupos ativistas pelo meio ambiente e políticos portugueses. O prefeito, Fernando Medina, fez questão de comparecer: “É um grande privilégio ter você aqui, que é uma das vozes mais marcantes lutando por todos nós”. Ele também lamentou que ela seja “alvo de muita crítica e de muita incompreensão”.
Sobre Bolsonaro, que atacou o ator Leonardo DiCaprio (que ela conheceu em sua passagem pelos Estados Unidos) de financiar as queimadas na Amazônia, e Trump, que constantemente critica a ativista, ela escreveu nas redes sociais: “As mentiras, o ódio e o bullying contra crianças e jovens que comunicam e atuam com base na ciência é um reflexo esperado. Tudo porque alguns adultos – com medo da mudança – não querem falar sobre a crise climática“, respondeu. “Esta é a esperança disfarçada. Estamos ganhando!”.
Mas Greta não esteve o tempo todo sozinha no palco, segundo o site Sputnik. O estudante brasileiro Abel Rodrigues, de 19 anos, lhe fez companhia. Minutos antes de ela chegar, Abel chamou a atenção do público ao discursar pela proteção da Amazônia. “O mundo precisa saber que a Amazônia está sendo assassinada”. Ele é paraense, descendente de indígenas e mora em Portugal há um ano. Assim que terminou de falar, procurou os organizadores da recepção da ativista e disse que gostaria de entregar-lhe uma carta. Foi convidado para dividir o palco com ela.
Saudada na conferência do clima e premiada
Greta não estava presente à abertura da conferência climática da ONU, mas foi lembrada pela ministra do Meio Ambiente do Chile, Carolina Schmidt, que saudou seu ativismo e o movimento que lidera e só cresce no mundo. “Ela é uma líder capaz de mover e abrir corações para muitos jovens e muitas pessoas em todo o mundo. Precisamos dessa força tremenda para aumentar a ação climática”.
Ao mesmo tempo, relatório do IPCC dava conta de que os anos de 2015-2019 e 2010-2019 “são, respectivamente, os mais quentes em períodos de cinco anos e de dez anos já registrados”, afirmou a Organização Meteorológica Mundial. “Desde os anos 1980, cada década sucessiva tem sido mais quente que a última”. E mais: os números de 2019 só serão divulgados em março, mas os cientistas preveem que este será o segundo ou terceiro ano mais quente desde o início das medições, com 2016 mantendo o recorde. Estes dados devem servir de base para o discurso que Greta certamente fará na conferência.

A ativista também não participou da cerimônia de entrega do Right Livelihood Award – o Nobel Alternativo – que aconteceu esta semana, mas foi representada por companheiras do movimento Fridays for Future (acima). No Facebook, ela escreveu: “Incrivelmente honrada em receber o prêmio @rightlivelihood. Estou aí em Estocolmo com vocês, em espírito!!”.
Como contei, aqui no site, em setembro, além de Greta, outros três ativistas receberam esse prêmio: o líder indígena Davi Kopenawa, a defensora saharaui dos direitos humanos, Amainetou Haidar, e a advogada chinesa que luta pelas mulheres, Guo Jianmei.
Finalizo este post com um retrato lindo da jovem ativista – feito por seu pai, certamente -, numa das ruelas de Lisboa. No Instagram, ela escreveu: “Mudança de cenário! Provavelmente pareço um pouco tonta, tropeçando pelas belas ruas de Lisboa com minhas pernas acostumadas ao mar”.

Fotos: Reprodução (Greta) e Caroline Ribeiro (Abel)