PUBLICIDADE

Filhote de preguiça encontrada em mochila se recupera bem e pode voltar em breve à natureza

Filhote de preguiça encontrada em mochila se recupera bem e pode voltar em breve à natureza

Johnny de Souza Aurélio, Afonso Ferreira Silva e Tiago Junior Moreira da Silva costumavam capturar macacos-prego na mata do Parque Lage, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, e já estavam sendo investigados pela polícia por tráfico e outras infrações ambientais. Na semana passada, em 2/3, ao saírem do parque, foram flagrados por policiais da Operação Lagoa Presente (que circulam a pé, de viatura ou bicicleta) com filhote de preguiça-de-três-dedos dentro de uma mochila e presos.

Um deles admitiu que eles procuravam um macaco-prego, mas como estava difícil, pegaram a preguiça e a doparam para guardá-la na mochila. Ela seria vendida em feira de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, por valores entre R$ 1.500 e R$ 4 mil.

Os criminosos foram levados à 14ª Delegacia de Polícia, no Leblon, autuados por captura e/ou caça de animais silvestres em área de proteção ambiental (já capturaram e venderam aves e tartarugas também), além de associação criminosa, e depois encaminhados à Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, Zona Norte do Rio, onde devem passar por audiência de custódia.

Para Marina Morgim, supervisora de Fauna do Jardim Botânico, “casos assim não são difíceis de se ver, infelizmente. Só há o tráfico, porque há demanda”, declarou ao jornal O Globo. “As pessoas compram esses animais, porque acham que são pets. As pessoas acham fofo ter um bicho desse dentro de casa, mas não é. Esses animais merecem têm o direito de serem livres. Eles têm seu devido papel na natureza e sua retirada pode, futuramente, causar um desequilíbrio”.

PUBLICIDADE

Filhote ganhou nome e segue em observação

A filhote foi encaminhada pelos policiais para a equipe de Fauna do Jardim Botânico, que a levou para a sede do Instituto Vida Livre, organização não-governamental que trabalha na reabilitação e soltura de animais em situação de risco. Seria perigoso soltá-la sem saber de seu estado de saúde. 

No instituto, ela foi logo batizada – como acontece com todos os animais que passam por lá –, recebeu o nome Glória e os primeiros cuidados. 

“Realizamos um raio-x para analisar como estava o pulmão da preguiça, porque é muito comum que esse tipo de animal desenvolva pneumonia. O resultado foi perfeito. Além disso, ainda fizemos a microchipagem para mantermos o monitoramento adequado, e ainda pesagem e metragem. Agora, junto a equipe do Jardim Botânico, iremos devolvê-la na primeira área de soltura urbana do Brasil”, contou Roched Seba, diretor e idealizador da ONG, logo que recebeu a filhote. 

Ontem, no Instagram, o Vida Livre declarou: “O manejo de preguiças-de-três-dedos é sempre delicado porque são animais que, muitas vezes, não respondem bem ao cativeiro, por isso, encaminhá-las para soltura é sempre a prioridade”. E acrescentou:

“Glória tem histórico traumático: queda, captura, estresse e ainda a suspeita de uma sedação [segundo um dos criminosos, ela foi dopada com medicamente usado para tratar ansiedade]. Ontem, durante a primeira tentativa de soltura, nossa equipe, em conjunto com a equipe da Fauna do Jardim Botânico, entendeu que seria mais prudente acompanhar melhor seu quadro clínico”.

A pequena preguiça passou por novos exames – entre eles, ultrassonografia -, está respondendo bem à medicação, “já não precisa do acesso venoso”, segue em observação e seu estado é estável. 

E, para felicidade de todos, está comendo bem. No vídeo que ilustra o texto, ela aparece devorando folhinhas de embaúba. Hoje, você pode ver mais cenas dessa fofura se alimentando: observe suas garras segurando os dedos da mão de quem a alimenta.

No fim de semana, o instituto compartilhou fotos que Roched publicou em seu Instagram, nas quais Glória está agarrada a um bicho de pelúcia. Fofura maior, impossível!

Filhote de preguiça encontrada em mochila se recupera bem e pode voltar em breve à natureza
Glória agarrada a um bicho de pelúcia, com Roched Seba, diretor do Instituto Vida Livre / Foto: reprodução Instagram

Contaremos quando ela for solta, mas não deixe de acompanhar o trabalho lindo realizado pelo Vida Livre, todos os dias, pelo seu perfil no Instagram.

Ontem, eles soltaram – junto com a atriz Gloria Pires, uma das apoiadoras do instituto, assim como Nei Latorraca, Marisa Monte e Vera Holtz, entre tantas personalidades – o sapo cururu Rogério encontrado com a boca colada, que maldade! Veja aqui.

E quem se lembra da jiboia Santinha? Ela chegou ao instituto em agosto de 2022 desenganada depois de ter sido agredida cruelmente na cabeça. Sua boca estava destruída e “foram meses de imobilização e doses altíssimas de medicamentos para conter a dor e ajudar na cicatrização”. 

Na semana passada, Santinha comeu seu primeiro rato. Logo, logo ela poderá voltar para a natureza.

E aí, Light? A fauna carioca está morrendo!

Ao falar do Instituto Vida Livre, do qual sou fã, eu não poderia deixar de destacar seu trabalho de conscientização e sua luta por melhores condições para os animais silvestres que vivem no Rio de Janeiro e convivem com os humanos e seu estilo de vida no ambiente urbano.

Um dos principais problemas, hoje, diz respeito à fauna ameaçada por descargas elétricas provenientes de postes e fios de luz – de responsabilidade da empresa Light – na cidade do Rio de Janeiro.

Macaca-prego Marcelinha, que perdeu um braço devido a queimaduras causadas pela rede elétrica da Light / Foto: reprodução Instagram

Diferentes animais dependem da fiação para transitar pela cobertura vegetal tão fragmentada. Mas, sem proteção, manutenção e outras medidas que previnam acidentes, os impactos podem ser graves, como temos visto. 

“A Light não dispõe de métodos de prevenção de acidentes e nem de políticas de mitigação ou suporte à biodiversidade, por isso, é a responsável pela morte e debilitação de centenas de animais”, alertou a Ampara Silvestre em seu Instagram, apoiando o instituto.

Em setembro de 2022, o Vida Livre apresentou à Light um projeto de pesquisa vinculado a universidades para o desenvolvimento de métodos de prevenção e um plano de trabalho para atender animais eletrocutados na cidade, mitigando o impacto gerado pela eletrocussão

No entanto, mesmo demonstrando-se favorável ao plano, a empresa postergou o projeto por três vezes. Enquanto isso, animais continuam sendo eletrocutados, perdendo suas vidas ou ficando mutilados. 

Só no último semestre de 2022, o Vida Livre atendeu sete macacos-prego, cinco ouriços-cacheiros, 16 gambás, quatro micos, duas cuícas-lanosas, uma preguiça-de-três-dedos, uma coruja-orelhuda e uma jiboia.​

“Desses, apenas quatro puderam retornar à natureza. Os demais morreram em função de queimaduras, com a exceção de dois macacos-prego filhotes que jamais poderão voltar à natureza, devido às sequelas da eletrocussão”.​

A Light não auxilia no resgate e na reabilitação dos animais e também parece não estar interessada em adotar medidas de mitigação

No início de fevereiro, o instituto recebeu Marcelinha, uma macaco-prego vítima de choque da rede elétrica da Light (foto acima). 

Ela perdeu um braço devido à queimadura: movimentos e reflexos foram perdidos e, em função da intensidade da lesão, o tecido mumificou.

Mais um animal que não poderá viver livre e independente, por irresponsabilidade da Light. Por isso, é tão importante apoiar a causa do Instituto Vida Livre e pressionar a empresa de energia. A ativista pela causa animal, Luisa Mel, repercutiu e denunciou o caso. Você pode ajudar também?

Foto: reprodução do Instagram do Instituto Vida Livre

Comentários
guest

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Notícias Relacionadas
Sobre o autor