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Duas de cada três geleiras do planeta podem desaparecer até 2100, preveem cientistas

Duas de cada três geleiras do planeta podem desaparecer até 2100, preveem cientistas

O mundo pode perder mais de 80% de suas geleiras neste século caso continuemos a investir em combustíveis fósseis. O alerta foi feito por um grupo de cientistas internacionais num artigo publicado na revista Science, Mudança global das geleiras no século 21: cada aumento na temperatura é importante. Juntos, os pesquisadores, liderados pelo engenheiro ambiental e glaciologista da Carnegie Mellon University, David Rounce, analisaram diferentes cenários, baseados no aumento da temperatura da superfície terrestre, variando entre 1,5oC e 4oC.

Usando modelos computacionais, eles simularam as condições de 215 mil geleiras terrestres, sem contar as das camadas de gelo da Groenlândia e da Antártica, e calcularam como as altas temperaturas as derreteriam e como consequência, qual seria ainda o impacto sobre o nível dos oceanos.

De acordo com os cientistas, seguindo o ritmo atual das emissões globais de gases de efeito estufa, o planeta ruma para um salto de 2,7oC na média da temperatura até 2100 (em relação aos registros pré-industriais). Caso isso se confirme, 32% da massa de geleiras do mundo seria perdida, ou 48,5 trilhões de toneladas métricas de gelo, bem como 68% das geleiras sumiriam.

Numa situação extrema, com 4oC a mais nos termômetros, a perda chegaria a 80% das geleiras.

“Elas são um recurso hídrico crítico para quase dois bilhões de pessoas e estão ameaçadas pelo aquecimento global“, diz Rounce. “Não importa o que aconteça, vamos perder muitas geleiras. Mas temos a capacidade de fazer a diferença limitando quantas delas perderemos”.

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Segundo o especialista, mesmo no melhor cenário de baixas emissões, onde o aumento da temperatura média global é limitado a cerca de 1,5oC, como acertado no Acordo de Paris, mais de 25% da massa glacial desaparecerá e quase 50% das geleiras devem derreter.

Embora a maioria delas seja considerada “pequena” para os padrões glaciais (menos de 1 km2), os cientistas ressaltam que haverá impacto para a hidrologia local, o turismo e a subsistência de comunidades locais.

“A maneira como as geleiras respondem às mudanças climáticas leva muito tempo. Cortar as emissões hoje não removerá os gases de efeito estufa emitidos anteriormente, nem pode interromper instantaneamente o que eles contribuem para a mudança climática, o que significa que mesmo uma interrupção completa das emissões ainda levaria entre 30 e 100 anos para se refletir nas taxas de perda de massa das geleiras”, explica o glaciologista.

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Foto de abertura: domínio público/pixabay

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