O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Tocantins (CRMV) anunciou nesta quarta-feira (20/10) que irá averiguar a conduta ética profissional da médica-veterinária que marcou um bezerro na face com o número 22.
A entidade se refere a um vídeo que viralizou nas redes sociais com a imagem de uma veterinária marcando com ferro quente a face de um bezerro com o número 22 e ao fundo era possível ouvir a música do jingle em apoio ao presidente: ‘Vota, vota e confirma. 22 é Bolsonaro’.
Fernanda Paula Kajozi assumiu ser apoiadora do presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro. Todavia, ela nega que o ato seja parte de campanha política e afirma que só estava fazendo a marcação do rebanho com o ano (20)22.
“Eu não marquei 22 na cara do bezerro por conta do Bolsonaro, não. É porque você marca na cara do bezerro o ano, na paleta você marca o mês e atrás, na anca do bezerro, você marca a marca da propriedade, no caso a do meu pai é F1. Eu apenas filmei fazendo um procedimento que desde o mês um está fazendo e até o mês 12 vai estar fazendo. Ano que vem vai ser 23 e assim sucessivamente. Então não tem nada a ver com Bolsonaro. Mas eu sou Bolsonaro”, disse a veterinária.
Mas especialistas dizem que essa não seria a maneira certa nem recomendada pelo Ministério da Agricultura para realizar a marcação de gado.
Logo após a polêmica e a enxurrada de críticas recebida, Fernanda Paula desativou seu perfil na rede social.
— O FISCAL do IBAMA (@fiscaldoibama) October 19, 2022
Ainda segundo o conselho de veterinária do Tocantins, se comprovada a irregularidade, “a profissional poderá responder Processo Ético Profissional, que será analisado e julgado em Plenária, podendo ser punida, conforme Resolução Nº 1330, de 16 de junho de 2020 e observando a Lei nº 1236, que trata sobre maus-tratos a animais“.
De acordo com o Ministério da Agricultura, o bezerro foi marcado com o número 22 na face esquerda, reservada para o caso de vacinações contra a brucelose. Entretanto, o padrão neste caso seria usar apenas a sigla ‘V’ ou o último algarismo do número do ano da vacinação, ou seja, somente 2.
Há ainda denúncias sobre a maneira como Fernanda Paula Kajozi, com a ajuda de outra pessoa, imobiliza o animal, ao pisar em sua cabeça.
“Essa marcação é totalmente anormal. Além do que a prática com o que ela foi feita pode caracterizar maus-tratos aos animais porque a moça que aplicou a marca está pisando na cabeça do bezerro. A contenção mal feita e a aplicação de uma marca que não é normal ou frequente. Muito provavelmente foi com interesse político. A prática foi totalmente equivocada”, ressaltou Mateus Paranhos da Costa, ootecnista e professor de etologia e bem-estar animal na Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da UNESP, em entrevista ao site de notícias G1.
O profissional destaca ainda que muitas fazendas já estão mudando esse tipo de procedimento, com a marcação a ferro sendo substituída pela colocação de argolas coloridas nas orelhas ou tatuagens, justamente para evitar o sofrimento dos animais. Além disso, o rosto é uma das partes mais sensíveis do corpo e a marca equivale a uma queimadura de segundo ou terceiro graus.
Ou eu não sei o que é direita e esquerda, ou quem fez a matéria não sabe. Porque no vídeo a marcação é feita no lado direito da cara do bezerro. A marcação não tem nada a ver com o programa do PNCEBT.
José,
Olhando de frente para a face do bezerro a marcação foi feita do lado esquerdo. Quem criticou a maneira que foi feita foram veterinários e o Conselho de Medicina Veterinária do Tocantins, não a jornalista que escreve a matéria, no caso, eu. Estou apenas relatando a polêmica.
Abraço,
Suzana