Michael Mann é um respeitado cientista dos Estados Unidos. Principal professor do Departamento de Ciências da Terra e Meio Ambiente da Universidade da Pensilvânia, sua especialidade é o clima. Já recebeu diversos prêmios e homenagens durante sua carreira, entre elas, apareceu na lista dos 50 maiores visionários da ciência e tecnologia da revista Scientific American e fez parte da lista das 50 pessoas mais influentes da Bloomberg News.
Cofundador da organização RealClimate.org, autor de mais de 200 publicações científicas e cinco livros, Mann chamou a atenção do mundo quando divulgou, em 1998, um gráfico na famosa revista Nature, que mostrava o assustador ritmo do aquecimento global, através do aumento da temperatura na Terra, nos 500 anos anteriores. O estudo, que ficou conhecido popularmente em inglês como “hockey stick”, porque sua curva lembra o desenho de um taco de hockey.
Rapidamente o gráfico, que tinha como autor principal Mann, foi alvo de críticas por negacionistas e mesmo alguns colegas no meio científico, e acabou virando tema de debate político nos Estados Unidos. Dez anos depois, e-mails trocados entre ele e outros colegas foram vazados e havia denúncias de que houve manipulação de dados. Entretanto, uma investigação feita pela universidade e outras instituições não encontrou nenhum indício de uso incorreto de informações.
A revista Nature, inclusive, publicou um editorial, divulgando a posição da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos (NAS), reafirmando que os dados contidos no gráfico eram confiáveis.
Mas o assunto não foi esquecido e em 2012, o Competitive Enterprise Institute publicou um texto de Rand Simberg, autor de um blog conservador, que comparava as investigações sobre o estudo de Mann a um caso de um ex-técnico de futebol americano da Universidade da Pensilvânia, que tinha abusado sexualmente de diversas crianças.
“Pode-se dizer que Mann é o Jerry Sandusky da ciência climática, exceto que, em vez de molestar crianças, ele molestou e torturou dados”, escreveu Simberg na época. Outro escritor, Mark Steyn, mais tarde referiu-se ao artigo de blogueiro conservador e em seu próprio artigo na National Review, chamou a investigação do cientista climático de “fraudulenta”.
Mann entrou na justiça então com um processo por difamação contra as publicações e os autores do texto. Segundo ele, as acusações afetaram sua carreira e reputação tanto nos Estados Unidos, como internacionalmente. O pesquisador teria perdido bolsas e financiamentos.
Após mais de uma década, na semana passada, o cientista ganhou a ação. Durante o julgamento no Tribunal Superior de Washington D.C., a decisão foi de que Simberg e Steyn devem pagar, cada um, U$ 1 milhão a Mann, cerca de R$ 10 milhões no total.
De acordo com o veredito dos jurados, as declarações dos blogueiros continham “malícia, rancor, má vontade, vingança ou intenção deliberada de prejudicar” Mann.
“É uma sensação ótima. É um bom dia para nós, é um bom dia para a ciência”, declarou ele após a decisão.
*Com informações da Agência de Notícias Associated Press
Foto de abertura: Patrick Mansell, Penn State