Artistas e profissionais da indústria do entretenimento se uniram para redigir e assinar carta aberta ao presidente Joe Biden, apelando para o cessar-fogo do Estado de Israel na Faixa de Gaza e Cisjordânia.
Entre os signatários estão Mark Ruffalo, Aminé, Cate Blanchett, Riz Ahmed, Anoushka Shankar, Joaquin Phoenix (na foto acima), Kristen Stewart, Susan Sarandon, Jon Stewart, John Cusak, Mahershala Ali, Ramy Youssef e Quinta Brunson, mas a lista continua crescendo: começou com 55 adesões e hoje está com 104! (leia o texto na íntegra no final deste post).
“Pedimos que, como Presidente dos Estados Unidos, você peça a redução imediata da escalada e o cessar-fogo em Gaza a Israel antes que outra vida seja perdida. Mais de 5 mil pessoas foram mortas na última semana e meia* – número que qualquer pessoa de consciência sabe ser catastrófico. Acreditamos que toda a vida é sagrada, independentemente da fé ou etnia e condenamos o assassinato de civis palestinos e israelenses”, destaca a carta.
[Dados atualizados pelo Ministério da Saúde da Palestina e as organizações Israeli Medical Services e Palestine Red Crescent Society indicam que já são mais de 6.500 mortos: 5.087 em Gaza, 90 na Cisjordânia e 1.405 em Israel]
“Pedimos à sua administração, e a todos os líderes mundiais, que honrem todas as vidas na Terra Santa e apelem e facilitem um cessar-fogo sem demora – o fim do bombardeamento de Gaza e a libertação segura dos reféns”, continua.
O texto foi divulgado pela organização Artists 4 Ceasefire, que incluiu comentário de James Elder, porta-voz da UNICEF, enfatizando a devastação infligida à população de Gaza pelos contínuos ataques aéreos israelitas e bloqueios à água e à energia.
“As crianças e as famílias em Gaza praticamente ficaram sem alimentos, água, eletricidade, medicamentos e acesso seguro aos hospitais, após dias de ataques aéreos e cortes em todas as rotas de abastecimento”, diz Elder, que acrescenta:
“A única central elétrica de Gaza ficou sem combustível na tarde de quarta-feira, desligando a eletricidade, a água e o tratamento de águas residuais. A maioria dos residentes já não consegue obter água potável de prestadores de serviços ou água doméstica através de canalizações. A situação humanitária atingiu níveis letais e, no entanto, todos os relatórios apontam para novos ataques. A compaixão – e o direito internacional – deve prevalecer”.
No final, a carta sentencia: “Recusamo-nos a contar às gerações futuras a história do nosso silêncio, de que ficamos parados e não fizemos nada. Como disse o Chefe de Ajuda de Emergência, Martin Griffiths, ao site da ONU: “A história está observando”.
Artistas pela Palestina no Reino Unido
Também em carta aberta, profissionais proeminentes do Reino Unido – atores, fotógrafos, designers, arquitetos, tatuadores, escritores, poetas, músicos, diretores e produtores, entre outros -, criticaram Israel por exacerbar o conflito na Faixa de Gaza, exigindo cessar-fogo em Gaza e a abertura à ajuda humanitária na região.
Sob o nome Artists For Palestine UK (Artistas pela Palestina no Reino Unido) e a atriz Tilda Swinton como porta-voz, eles acusam o governo britânico de “não apenas tolerar crimes de guerra, mas também de ajudá-los e incentivá-los”.
Também ‘atacam’ os governos mundiais aliados de Israel de “ajudar e encorajar” os “crimes de guerra” do Estado de Israel. E se comprometem a boicotar Israel em relação à cultura e apoio financeiro a seus projetos.
“Apoiamos a luta palestina pela liberdade, justiça e igualdade. Em resposta ao apelo dos artistas e trabalhadores culturais palestinos para um boicote cultural a Israel, comprometemo-nos a não aceitar convites profissionais para Israel, nem financiamento, de quaisquer instituições ligadas ao seu governo, até que este cumpra o direito internacional e os princípios universais dos direitos humanos”.
Veja quem assina a carta, aqui.
Carta a Biden
Leia a seguir, o texto da carta a Joe Biden na íntegra:
“Caro presidente Biden,
Unimo-nos como artistas e defensores, mas sobretudo como seres humanos que testemunham a devastadora perda de vidas e os horrores que se desenrolam em Israel e na Palestina.
Pedimos que, como Presidente dos Estados Unidos, peça uma desescalada imediata e um cessar-fogo em Gaza e Israel antes que mais uma vida seja perdida. Mais de 5.000 pessoas foram mortas na última semana e meia – um número que qualquer pessoa de consciência sabe ser catastrófico. Acreditamos que toda a vida é sagrada, independentemente da fé ou da etnia, e condenamos o assassinato de civis palestinianos e israelitas.
Instamos a sua administração, e todos os líderes mundiais, a honrar todas as vidas na Terra Santa e a apelar e facilitar um cessar-fogo sem demora – o fim do bombardeamento de Gaza e a libertação segura dos reféns. Metade dos dois milhões de residentes de Gaza são crianças e mais de dois terços são refugiados e os seus descendentes são forçados a fugir das suas casas. A ajuda humanitária deve poder chegar até eles.
Acreditamos que os Estados Unidos podem desempenhar um papel diplomático vital para acabar com o sofrimento e estamos a juntar as nossas vozes às do Congresso dos EUA, da UNICEF, dos Médicos sem Fronteiras, do Comité Internacional da Cruz Vermelha e de tantos outros. Salvar vidas é um imperativo moral. Para fazer eco à UNICEF, “a compaixão – e o direito internacional – devem prevalecer”.
No momento em que este livro foi escrito, mais de 6.000 bombas foram lançadas sobre Gaza nos últimos 12 dias – resultando na morte de uma criança a cada 15 minutos.
“As crianças e as famílias em Gaza praticamente ficaram sem alimentos, água, eletricidade, medicamentos e acesso seguro aos hospitais, após dias de ataques aéreos e cortes em todas as rotas de abastecimento. A única central elétrica de Gaza ficou sem combustível na tarde de quarta-feira, desligando a eletricidade, a água e o tratamento de águas residuais. A maioria dos residentes já não consegue obter água potável de prestadores de serviços ou água doméstica através de canalizações…. A situação humanitária atingiu níveis letais e, no entanto, todos os relatórios apontam para novos ataques. Compaixão – e direito internacional – deve prevalecer.” – Porta-voz da UNICEF, James Elder.
Para além da nossa dor e luto por todas as pessoas ali presentes e pelos seus entes queridos em todo o mundo, somos motivados por uma vontade inflexível de defender a nossa humanidade comum. Defendemos a liberdade, a justiça, a dignidade e a paz para todas as pessoas – e um profundo desejo de impedir mais derramamento de sangue.
Recusamo-nos a contar às gerações futuras a história do nosso silêncio, de que ficamos parados e não fizemos nada. Como disse o Chefe de Ajuda de Emergência, Martin Griffiths, ao UN News: “A história está observando”.
Veja aqui quem assina a carta à Biden (em 24/10, às 11h29, eram 104 signatários).
___________
Leia também:
– Poeta feminista palestina morre durante bombardeio de Israel em Gaza; minutos antes, deixa mensagem ao mundo (outubro 2023)
– Já passam de 6 mil os mortos na guerra entre Israel e Hamas (outubro 2023)
– No Conselho de Segurança da ONU, EUA veta proposta do Brasil para corredor humanitário em Gaza (outubro 2023)
– Casamento entre jornalista muçulmana e ator judeu causa reações de radicais e simpatizantes (outubro 2018)
– Professora palestina ganha o Global Teacher Prize, o Nobel da Educação internacional
– Um beijo pela paz e pelo fim da intolerância (janeiro 2016)
______________
Foto (montagem): Reproduções das redes sociais de Mark Ruffalo (ator), Amin (rapper), Cate Blanchett (atriz), Riz Ahmed (ator e músico), Anoushka Shankar (compositora e musicista, filha de Ravi Shankar), Joaquin Phoenix (ator)