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No Conselho de Segurança da ONU, EUA veta proposta do Brasil para corredor humanitário em Gaza

No Conselho de Segurança da ONU, EUA veta proposta do Brasil para corredor humanitário em Gaza

Atualizado pelo Conexão Planeta em 19/10/2023 para incluir protesto de integrantes do comitê de Direitos Humanos da ONU
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Por Paula Laboissière, com colaboração de Lucas Pordeus León*

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) rejeitou hoje, 18/10, a proposta apresentada pelo governo brasileiro sobre o conflito envolvendo Israel e o grupo palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza. O texto pedia pausas humanitárias aos ataques entre Israel e o Hamas para permitir o acesso de ajuda à Faixa de Gaza.

O resultado da votação foi 12 votos a favor, duas abstenções (Rússia e Reino Unido), e um voto contrário, por parte dos Estados Unidos. Por se tratar de um membro permanente, o voto norte-americano resultou na rejeição da proposta brasileira.

A análise da resolução estava inicialmente prevista para o início da semana, mas foi adiada para hoje na sede da entidade, em Nova York.

Após a votação, a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Linda Thomas-Greenfield (foto), lembrou que o presidente norte-americano, Joe Biden, está, neste momento, na região do conflito, o que, segundo ela, demonstra o envolvimento do país no tema.

“Apesar de reconhecermos o desejo do governo brasileiro de aprovar a proposta, acreditamos que precisamos deixar essa diplomacia acontecer”. 

“Sim, resoluções são importantes. E sim, esse conselho deve se manifestar. Mas as ações que tomamos devem levar em conta o que acontece no local e apoiar esforços diretos de diplomacia que podem salvar vidas”, declarou.

“Os Estados Unidos estão desapontados pelo fato dessa resolução não mencionar o direito de Israel de autodefesa. Como qualquer outro país do mundo, Israel tem o direito de se autodefender”.

Em 16/10 (segunda-feira), membros do conselho rejeitaram uma proposta de resolução da Rússia sobre o conflito. O país apresentou projeto de cessar-fogo imediato, incluindo a abertura de corredores humanitários e a liberação de reféns com segurança, mas não condenava diretamente o Hamas pelos atos de violência cometidos contra Israel. A proposta teve cinco votos favoráveis, quatro contrários e seis abstenções.

Fim das hostilidades

Em Brasília, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, explicou que o Brasil, na condição de presidente do Conselho de Segurança, foi demandado pela maioria dos membros do conselho a redigir uma proposta que acomodasse as opiniões de todos os membros. 

“Depois de intensas e múltiplas consultas, apresentamos texto que foi aceito por 12 dos 15 membros. Esse texto focava, basicamente, na cessação das hostilidades, no aspecto humanitário, criando uma passagem humanitária para que pudessem sair os nacionais de terceiro países, como nossos 32 brasileiros, e que também estabelecia a possibilidade de envio de ajuda humanitária. Infelizmente, não foi possível aprovar. Ficou clara uma divisão de opiniões”, relatou. 

“Fizemos todo o esforço possível para que cessassem as hostilidades, que parassem os sacrifícios humanos e que pudéssemos dar algum tipo de assistência às populações locais e aos brasileiros. A nossa preocupação foi sempre humanitária nesse momento e, enfim, cada país terá tido sua inspiração própria”.

Reação

Durante discurso da embaixadora Michelle Taylor, dos Estados Unidos, integrantes do Comitê de Direitos Humanos da ONU viraram as costas em protesto ao veto do país à proposta brasileira.

Foto: reprodução de vídeo

Entenda: membros permanentes e rotativos

O Conselho de Segurança da ONU tem cinco membros permanentes: China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos. Fazem parte do conselho rotativo a Albânia, Brasil, Equador, Gabão, Gana, Japão, Malta, Moçambique, Suíça e Emirados Árabes.

Para que uma resolução seja aprovada, é preciso o apoio de nove do total de 15 membros e que nenhum dos membros permanentes vete o texto.

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* Este texto foi publicado originalmente no site da Agência Brasil em 18/10/2023

Foto: reprodução de vídeo

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