Você já parou pra pensar como os conflitos – sejam pequenos ou grandes – fazem parte de nossas vidas, diariamente? Seja com os filhos, o cônjuge, os pais, os vizinhos, os amigos, o chefe, o cliente, … Por isso, é sempre bom ter ‘jogo de cintura’ e vontade de driblá-los, não só entre pessoas, mas também entre empresas, organizações, instituições, comunidades, grupos e coletivos.
Foi para tentar reduzir impasses entre a indústria de papel e celulose, comunidades e ambientalistas que surgiu o Diálogo Florestal, uma das iniciativas mais inovadoras na construção de soluções de consenso e resolução de conflitos, tanto no Brasil como no exterior. E isso aconteceu há mais de dez anos, em 2015, no auge dos confrontos que envolviam essa indústria. A vontade de eliminar as tensões e negociar com mais transparência era tão forte, que nem mesmo a tensão dos primeiros encontros a derrubou. A inspiração veio do modelo da iniciativa internacional The Forests Dialogue (TFD) e trabalha a partir de fóruns e grupos de trabalho voltados para a cooperação, resolução de problemas e consolidação de oportunidades.
“As decisões são tomadas por consenso mesmo que isso demore mais tempo. Mas quando se chega a um acordo, ele reflete o processo de maturidade do grupo e por isso funciona”, conta Miriam Prochnow, secretária executiva. “Temos inspirado muitas iniciativas com nossa metodologia como acontece com a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura e outros diálogos regionais”, acrescenta.
Os primeiros diálogos começaram na Mata Atlântica e se espalharam por outros biomas brasileiros. Hoje, estão presentes em dez estados. “Ninguém poderia imaginar que isso aconteceria, o que nos faz acreditar ainda mais que é ‘dialogando que a gente se entende’ e que a tecnologia do diálogo pode ser muito útil neste momento da vida brasileira”, completa Miriam.
Por isso, a iniciativa lança, hoje, 2/8/2016, no You Tube e no Facebook, uma animação bem bacana para contar sua história: Dialogando a gente se entende, que pode ser assistida no final deste post. A intenção é que mais pessoas conheçam e compreendam o método desenvolvido pelo Diálogo Florestal, por isso a escolha desse formato e das histórias contadas. O vídeo apresenta dois dos mais emblemáticos acordos realizados por parceiros da iniciativa: a retirada dos plantios de pinus e eucalipto de núcleos urbanos e a rota de barcaças que transportam celulose para não atingir os pescadores e a vida marinha – baleias jubarte, por exemplo – no sul da Bahia.
A animação – produzida pela Mandra Filmes, com roteiro e coordenação de Maria Zulmira de Souza – Mirian Prochnow e Maura Campanilli – foi apresentada em julho, em Roma, na Itália, em evento paralelo à COFO 23 (Committee on Forestry) organizado pela FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, e muito bem recebido por representantes de vários setores.
Agora, fique com a animação do Diálogo Florestal:
Imagem: Divulgação