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O artista Eduardo Srur questiona a crueldade contra os animais confinados em jaulas, gaiolas e aquários, em obras expostas em parques

Texto atualizado em 1 de junho para informar as novas datas de duas obras da exposição ‘Vida Livre’: no Parque do Ibirapuera e no Parque do Povo
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Eduardo Srur é um artista engajado, questionador e provocador, que faz de suas intervenções urbanas convites à reflexão sobre temas urgentes da atualidade. Já questionou a mobilidade urbana (Carruagem), o consumismo e o desperdício (MercadoSupermercado e Labirinto), a poluição do Rio Tietê (CaiaquesTrampolim e Pintado) e da Baía da Guanabara (Guanabara), entre outros. 

Em dezembro de 2017, a convite da Associacao Brasileira de Neurologia, espalhou por pontos movimentados de São Paulo três pés gigantes acompanhados por formigas para alertar sobre uma doença genética rara e irreversível, a PAF (contamos aqui).

Este mês está provocando o público que circula pela capital paulista com obras em grande escala para falar dos animais confinados em jaulas, aquários e gaiolas para o entretenimento humano.

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As três obras estão instaladas assim:
Aquário, no Parque Ibirapuera até 6 de julho;
Voo dos Pássaros, no Parque do Povo até 3 de julho e
Zoo, em frente ao Parque Trianon até 2 de junho.

“Nós estamos saindo de uma pandemia que nos obrigou a ficarmos presos dentro de casa. Perdemos o direito de ir e vir. E foi quando caiu a ficha pra mim. Por que que nós, humanos, que sentimos na pele como é difícil ficar confinado tratamos os animais dessa forma?”, indaga o artista.

Srur nos lembra que o Brasil lidera o ranking do tráfico de animais silvestres no mundo: a cada ano, mais de 38 milhões de animais são retirados da natureza. Uma vergonha e uma crueldade sem tamanho. “É uma prática criminosa que precisa acabar!”.

Mais: as intervenções da série Vida Livre de Srur surgem num momento em que se discute a importação de 18 girafas da África com destino ao Bioparque do Rio de Janeiro, administrado pelo Grupo Cataratas, que chegaram ao Brasil em novembro de 2021 e é cercada de mistério e contradições. Há indícios de que elas são selvagens (o que é proibido pela nossa legislação) e suspeitas de que podem ter sido traficadas (leia o último post publicado em meados de maio).

Agora, vamos às obras de Srur!

Aquecimento global e plástico

Aquário de Srur está instalado no Parque Ibirapuera, em frente ao lago, e é composto por um tanque pintado de azul, que comporta 30 mil litros de água, além de elementos escolhidos pelo artista “para simbolizar os milhares de animais que são obrigados a viver em aquários restritos pelo mundo”.

Eles são tirados de mares e oceanos “para nos seduzirem com sua beleza artificial, sem oxigênio e sem o direito de respirar”. 

Em sua crítica, Srur quis levantar dois temas urgentes que enfrentamos em todos os continentes. O primeiro é o aquecimento global provocado pela emissão de gases de efeito estufa causada pelos combustíveis fósseis. Vem daí o urso polar que observa o aquário.

O segundo, é o uso excessivo de plástico, que está sufocando a vida marinha em mares e oceanos e está presente dentro do aquário, dividindo o espaço com manequins que representam duas meninas. 

O aquário de Srur visto de fora / Foto: Divulgação/Role
As garotas em exibição no aquário que ainda exibe objetos usados pelos humanos nas praias, além de pedaços de lixo plástico / Foto: Divulgação/Role
O público olha a menina dentro do aquário: diversão e inquetaçao / Foto: Divulgação/Role

Brasil é líder no tráfico de animais

A intervenção Voo dos Pássaros foi construída no Parque do Povo, no bairro do Itaim-Bibi, com mais de mil gaiolas apreendidas pela Polícia Federal em operações de tráfico de animais silvestres. 

Uma árvore feita de gaiolas apreendidas pela PF: A verdadeira morada dos pássaros é a árvore”, diz Srur / Foto: Divulgação/Role

Ela nos lembra da triste realidade de milhares de aves tiradas de seus habitats e de suas famílias – muitas morrem no caminho devido às péssimas condições de transporte -, privadas de sua vida livre na natureza.

“A verdadeira morada dos pássaros é a árvore, e não a gaiola do homem. Pássaro feliz é pássaro livre”, destaca o artista.

Srur encaixou uma gaiola na outra para construir sua árvore / Foto: Divulgação/Role
A árvore de gaiolas ao entardecer / Foto: Divulgação/Role

Bugios e seus gritos na natureza

Em frente ao Parque Trianon e do outro lado do Masp – Museu de Arte de São Paulo, num trecho da Avenida Paulista – onde passa muita gente todos os dias – está a intervenção Zoo

A jaula está instalada na frente do Parque Trianon; do outro lado, o Masp / Foto: Divulgação/Role

Trata-se de uma obra interativa que conta com a participação de atores que se revezam em performances dentro de uma jaula. À sua volta, esculturas de macacos – representando os bugios, espécie ameaçada de extinção – parecem observar o humano enjaulado, que grita para chamar a atenção de quem passa na calçada. Para complementar a intervenção, o som dos gritos característicos de bugios que vivem na natureza. 

“Os zoológicos não são bons exemplos de conservação e preservação de espécies. Lembre-se que os animais estão presos contra sua vontade”.

O ator performa o desespero de estar enjaulado ao som dos bugios serelepes, livres na natureza/ Foto: Divulgação/Role
O ator se pendura na jaula para atrair a atenção; num espaço restrito como esse qualquer ser se sente acuado / Foto: Divulgação/Role
Os bugios se divertem do lado de fora e chamam a atenção de quem por ali passa / Foto: Role/Divulgação

A arte engajada como a de Eduardo Srur sempre nos ajuda a refletir sobre questões complexas e a nos posicionarmos diante delas na sociedade. É impossível ficar indiferente às suas obras, que “conversam” com pessoas de todas as idades e opiniões. Se você não pode visitar as intervenções desta série, acompanhe o artista em suas redes sociais e assista aos vídeos que ele produziu para explicar melhor sua percepção e posição a cerca deste tema, e que reproduzo a seguir.

Mas convido você também a ler o texto do pesquisador José Sabino, para quem voos e aquários são muito mais do que entretenimento: “têm função educativa e de pesquisa da vida selvagem”.

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Fontes: site e Instagram de Eduardo Srur, G1

Foto (destaque): Divulgação/Role

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