Pela primeira vez a concentração global de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera da Terra é 50% maior do que aquela registrada na era pré-industrial. O marco foi atingido em 2022, segundo o relatório divulgado hoje pela Organização Meteorológica Mundial (WMO). E infelizmente essa concentração continua a crescer em 2023. O CO2 é apontado como o principal gás responsável pelo efeito de estufa no planeta. Ele é produzido sobretudo a partir da queima de combustíveis fósseis e a fabricação de cimento.
O levantamento também aponta um aumento nas emissões de metano, assim como de óxido nitroso, que apresentou o maior salto de um ano para o outro, entre 2021 e 2022. O Greenhouse Bulletin é elaborado para servir de base para as negociações a serem discutidas durante a Conferência das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas, a COP. A próxima delas começa em 30 de novembro, em Dubai.
“Apesar de décadas de alertas da comunidade científica, de milhares de páginas de relatórios e de dezenas de conferências sobre o clima, ainda estamos caminhando na direção errada”, afirma Petteri Taalas, secretário-geral da WMO. “O atual nível de concentrações de gases com efeito de estufa coloca-nos no caminho de um aumento das temperaturas muito acima das metas do Acordo de Paris até ao final deste século”.
Ele lembra ainda que o principal reflexo da alta concentração de gases de efeito estufa na atmosfera é o aumento da ocorrência dos extremos climáticos, incluindo calor e chuvas intensos, derretimento do gelo, aumento do nível do mar e acidificação dos oceanos, algo que já está acontecendo, como nesta semana no Brasil, em que quinze estados estão com alerta para calor: no Rio de Janeiro a sensação térmica passou dos 52 graus.
“Os custos socioeconômicos e ambientais também aumentarão. Devemos reduzir o consumo de combustíveis fósseis com urgência”, ressalta Taalas.
Os especialistas da organização explicam que pouco menos da metade das emissões de CO2 permanecem na atmosfera. Cerca de 1/4 quarto é absorvido pelos oceanos e pouco menos de 30% pelos ecossistemas terrestres, como as florestas. E enquanto as emissões crescem, o dióxido de carbono continuará a acumular-se na atmosfera, levando ao aumento da temperatura global.
E mesmo que o mundo inteiro parece de emitir gases de efeito estufa neste momento, eles demorariam décadas para se dissipar da atmosfera.
Tabela mostra o aumento dos três gases entre 2021 e 2022
(Fonte: Organização Meteorológica Mundial)
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Foto de abertura: Nasa/Scientific Visualization Studio