
No ano passado escrevi sobre esta história no Conexão Planeta. 26 diabos-da-tasmânia foram reintroduzidos em um santuário de vida selvagem de 400 hectares ao norte de Sidney, em New South Wales, na Austrália.
A espécie (Sarcophilus harrisii), endêmica da Tâsmania, uma ilha no extremo sul do país, também podia ser encontrada na parte continental do continente há cerca de 3 mil anos. Mas com o passar do tempo e a chegada dos colonizadores europeus fez com eles fossem dizimados completamente dessa área. Acredita-se que uma das principais causas foi a introdução de outros predadores, como o dingo, um cão selvagem, originário dos alpes australianos, que caça o diabo-da-tasmânia.
Mas em 2020, graças à parceria e ao trabalho de três organizações não-governamentais, a Aussie Ark, a Global Wildlife Conservation e a Wild Ark, os animais foram soltos na natureza e a expectativa era que se reproduzissem.

Pois esta semana chegou a boa notícia! A equipe da Aussie Ark anunciou que nasceram sete filhotes. Os primeiros na vida selvagem depois de 3 mil anos!
Como são mamíferos marsupiais, a única maneira de monitorar o nascimento dos filhotes é através da captura das fêmeas. Foi isso que foi feito, de maneira bastante cuidadosa, e se constatou a presença dos pequenos diabinhos na bolsa da mãe.
“Temos trabalhado incansavelmente durante a maior parte dos últimos dez anos para devolver os demônios às terras selvagens da Austrália continental com a esperança de que eles estabeleceriam uma população sustentável. Assim que estivessem de volta, a responsabilidade caberia inteiramente a eles. Estivemos observando-os de longe até que chegou a hora de intervir e confirmar o nascimento de nossos primeiros filhotes selvagens. E que momento foi este! Isto é apenas o começo!”, escreveu a Aussie Ark em sua página no Facebook.
A reintrodução do diabo-da-tasmânia faz parte do projeto “Rewild Australia” (“Torne a Austrália Selvagem Novamente”, em tradução livre para o português), que busca recuperar espécies e habitats no país, assim como eles eram em séculos passados.
O programa de reprodução iniciado na última década conseguiu que hoje a população mantida pelo Aussie Ark seja de mais de 390 animais. No começo, eram 44.

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Fotos e informações: Aussie Ark (a imagem que abre este post é de um filhote já grande. Os que nasceram agora e estão dentro da bolsa da fêmea não foram fotografados)
Que a Mãe Natureza acolha e proteja estes diabinhos-da-tasmania, pois todos os bebês são anjos quando nascem, mormente estes, pelos quais “se esperou” três históricos mil anos, para quem acha nove meses muito.
Emocionante. Dá vontade de estar lá.
não houveram colonizadores europeus à 3000 anos, foi a chegada dos primeiros humanos (hoje conhecidos como “aborigenes”) e a competição com os dingos que levaram à extinção deles no continente africano
Oi Giovane,
Sim, isso não ficou claro no texto. Já alteramos.
Obrigada pela mensagem.
Abraço,
Suzana
Parabéns Austrália que o mundo siga seu EXEMPLO.
Extinguiram-se há 3000 anos, mas a culpa foi dos colonizadores que lá chegaram há menos de 500 anos. Vão dar banho ao Diabo da Tasmania!
… “Acredita-se que uma das principais causas foi a introdução de outros predadores, como o dingo, um cão selvagem, originário dos alpes australianos, que caça o diabo-da-tasmânia”…
Está no texto! O mesmo aconteceu em diversos outros lugares, como na Inglaterra, por exemplo, onde a introdução do esquilo-cinza, vindo dos Estados Unidos, dizimou a espécie local.
Abraço,
Suzana