A história do Xingu começa em 1961, quando o território foi demarcado e recebeu o nome de Parque Indígena do Xingu graças aos irmãos Villas-Bôas e ao Marechal Rondon, entre outros, que pleitearam sua criação ao presidente da República com o intuito de preservar a fauna e a flora intocada, assim como resguardar os povos indigenas que ali viviam, e sua beleza e riqueza culturais.
No entanto, a primeira terra indígena reconhecida no Brasil e a mais importante reserva indígena das Américas, reúne dezesseis etnias que têm enfrentado inúmeras formas de intervenção e violência e, por isso, inspirado os povos originários do país na luta por direitos.
Os povos Aweti, Ikpeng, Kaiabi, Kalapalo, Kamaiurá, Kĩsêdjê, Kuikuro, Matipu, Mehinako, Nahukuá, Naruvotu, Wauja, Tapayuna, Trumai, Yudja e Yawalapiti têm grande similaridade em seu modo de vida e visão de mundo, mas identidade étnica muito particular e grande variedade linguística.
Suas vivências – também fora do território – têm sido registradas numa profusão de imagens – fotos e filmes -, por viajantes europeus, expedições do Estado brasileiro, como também pela cobertura da imprensa e de fotógrafos indigenistas e, mais recentemente, devido à “revolução desencadeada pela formação de fotógrafos e cineastas indígenas”, como também de artistas e jovens comunicadores e influenciadores de todos os povos.
É essa diversidade de olhares, de indígenas e não-indígenas, de registros instantâneos e mais elaborados, que o Instituto Moreira Salles, em São Paulo, apresenta com a exposição Xingu: Contatos, que vai de 5 de novembro a 9 de abril de 2023.

Lá está contada a história do território e de seus povos a partir de imagens organizadas de forma a estabelecer um diálogo harmônico entre os registros realizados no século XIX até os dias de hoje.
De acordo com o IMS, a exposição reúne “obras comissionadas a autores indígenas, itens de arquivos públicos e particulares, e alusões a outras concepções de imagem presentes nas culturas xinguanas, como grafismos e narrativas orais”. E parte das fotografias são do acervo do museu.

“A exposição é o marco inicial de um processo de requalificação desse conjunto de imagens, com a colaboração de pesquisadores e lideranças indígenas, por meio da identificação de pessoas, locais e situações retratadas”, destaca a instituição. “Buscamos, assim, colocar o acervo a serviço da reflexão crítica sobre a representação dos povos originários na história do país e do desenvolvimento de novas formas de autorrepresentação indígena“.

Mural com grafismos tradicionais: presente para SP
A convite dos curadores Guilherme Freitas e Takumã Kuikuro, o artista indígena Wally Kamaiurá produziu a pintura de um imenso mural na empena de um prédio na Rua da Consolação, bem pertinho do IMS Paulista, que fica na Avenida Paulista.
Nele, Wally e sua assistente, Yne Kuikuro, reproduziram dois grafismos tradicionais usados nas pinturas corporais durante rituais dos povos do Alto Xingu. O título da obra – Hototo ijatagü Tüihuguisinhü – refere-se ao nome indígena dessas artes: Axila da borboleta e Pintura da cobra.
O desenvolvimento desse trabalho foi registrado em vídeo por Maria Clara Villas e Valmir Rodrigues, que você pode assistir no final deste post.
Outras atrações
Completam a exposição, neste fim de semana da abertura, rodas de conversa com as presenças dos artistas indígenas convidados e dos curadores, além de uma apresentação de narrativas orais com Yamalui Kuikuro.
A foto que escolhi para destaque deste post é de Takumã Kuikuro e apresenta Kainahu Kuikuro, integrante do Coletivo Kuikuro de Cinema, no ritual do Kuarup na aldeia Afukuri, em 2021.
A seguir, veja mais algumas imagens que estão na exposição e assista ao vídeo que apresenta entrevista com Wally e Ine e seu mural.





Fontes: IMS e ISA
Foto (destaque): Takumã Kuikuro








