Wuhan, epicentro da pandemia de coronavírus na China, proíbe consumo e criação de animais selvagens

Wuhan, epicentro da pandemia de coronavírus na China, proíbe consumo e criação de animais selvagens

No começo de janeiro, o governo da China declarou a suspensão temporária da comercialização de animais selvagens. Mas em março, a medida teve sua validade estendida por prazo indeterminado, conforme mostramos neste outro post. A determinação incluiu a caça, o comércio, o transporte e o consumo de animais silvestres, mas apenas os terrestres, criados em cativeiro ou capturados.

Esta semana, a prefeitura de Wuhan, na província de Hubei, anunciou restrições mais amplas. Todavia, por um período menor: de apenas cinco anos.

Wuhan é apontada como o epicentro da pandemia de coronavírus, onde surgiram os primeiros casos da COVID-19, em frequentadores do Huanan Seafood Wholesale Market, que vendia animais vivos, entre eles, filhotes de lobo, cigarras douradas, escorpiões e civetas, uma espécie de mamífero asiático.

Diferentemente da legislação nacional, Wuhan incluiu na nova determinação a proibição do consumo de espécies selvagens aquáticas também e ainda, divulgou um plano de auxílio e reembolso a produtores de animais exóticos para que eles deixem de comercializar esses bichos e busquem uma outra atividade de negócio.

Nos municípios de Hunan e Jiangxi, próximos a Wuhan, criadores de animais selvagens ganharam uma compensação financeira das prefeituras locais para começaram a cultivar ervas, frutas, legumes e outros vegetais.

Alguns especialistas suspeitam, mas não há confirmação científica ainda, que o novo coronavírus pode ter sido transmitido de animais para humanos. Todavia, cientistas já tinham alertado, em 2007, que o consumo de animais exóticos “era uma bomba-relógio porque o morcego é um reservatório de vírus SARS-Cov”.

“A proibição de Wuhan ao consumo de animais silvestres é extremamente bem-vinda, como um reconhecimento claro de que o risco à saúde pública da doença zoonótica disseminada pelo comércio desses animais deve ser levado muito a sério se quisermos evitar outra pandemia”, afirmou Peter Li, especialista da Humane Society International da China.

“No entanto, não haverá menos risco grave de doença devido ao consumo de animais silvestres daqui a cinco anos; portanto, qualquer coisa que não seja uma proibição permanente e abrangente ainda é um risco longe demais. Wuhan se torna a quarta cidade da China continental a mostrar essa liderança, mas agora precisamos de cidades e países de todo o mundo para avançar e encerrar o perigoso comércio de animais silvestres”, alertou.

Hoje o mundo atingiu a triste marca de 5 milhões de pessoas contaminadas pela COVID-19 e quase 330 mil mortes (veja números atualizados pela Universidade Johns Hopkins aqui).

*Com informações do jornal The Independent

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Foto: Natalie Ng on unsplash/creative commons

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Um comentário em “Wuhan, epicentro da pandemia de coronavírus na China, proíbe consumo e criação de animais selvagens

  • 21 de maio de 2020 em 3:21 PM
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    Apenas comprovam, com isso, que nada entenderam, que pena, do recado chamado Pandemia, que era para aprender, não apenas ter medo e morrer por causa dela. Não apenas adoecer por causa de um vírus que chegou para alertar o mundo inteiro sobre a necessidade de mudanças, não somente no cardápio, mas por dentro do coração de cada um. É preciso sentir compaixão por todas as espécies, mas alguns povos apreciam os animais, conforme o gosto deles na boca, salivando quando pensam neles, antevendo o prazer de degusta-los, ao invés de admirar-lhes a inteligência e o senso moral de altruísmo e grandeza, ausente, muitas vezes, em humanos gulosos e vorazes. Animais guias de cegos, pacientes e devotados; heróis dos salvamentos de pessoas e outros animais; terapeutas, interagindo com depressivos, cansados de sofrer suas moléstias, que recebem o alento da presença alegre e ordeira deles. Nada entenderam da mensagem, nas entrelinhas do medo, da angústia e do luto, que animais não são a comida que priorizavam, apesar das opções de escolha no celeiro vasto, magnífico e belo da Natureza, de onde é possível extrair a infinita gama de alimentos, nutritivos e saborosos, sem causar uma dor sequer em nenhum ser vivo. Começarão a cultivar o que já deveria ter sido feito, sujando as mãos de terra, ao invés de sangue e, tomara aprendam que pangolins, morcegos, sapos, cobras, cães, polvos, lulas, gatos e lagartos não nasceram para ser sepultados nos estômagos humanos, mas sob a terra, o lugar de todos os cadáveres. Restrições temporárias do consumo de animais, não solucionam o problema de quem mata e de quem morre. Revela, isto sim, que não por misericórdia, não por empatia, não por uma posição ecologicamente correta, não por reflexões mais profundas e coerentes do respeito à vida de todas as espécies, não por isso, mas por precaução à saúde de humanos, estas majestades nem sempre merecedoras das vidas imoladas para o repasto delas e quase sempre bem abaixo, em moralidade e sentimento, para que não se contagiem de novo e de novo não espalhem pelo mundo a doença traiçoeira e sinistra. “Por tempo indeterminado” será impossível desqualificar uma conduta equivocada, se ela não for substituída, no mesmo ato, por outra correta, racional e lógica. E por cinco anos, privar um povo inteiro de se deliciar com as vísceras de animais, a que sempre esteve acostumado, será o mesmo que condena-lo a uma nova pandemia, porque até mesmo as frutas, os legumes, as verduras, os grãos e cereais, benéficos e benditos que serão “obrigados” a consumir, lhes farão mal,tendo em vista que, sem o remédio para o desamor, que é a compaixão e sem a vacina para a maldição, que é a bênção, o Planeta apenas sairá de uma pandemia para entrar em outra e quantas mais necessárias sejam, para que olhos sejam abertos se corações não estiverem fechados.

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