World Central Kitchen, criada pelo chef espanhol José Andrés, está na fronteira da Ucrânia com a Polônia, distribuindo refeições para refugiados

World Central Kitchen, criada pelo chef espanhol José Andrés, está na fronteira da Ucrânia com a Polônia, distribuindo refeições para refugiados

Já são mais de 1 milhão de refugiados, ucranianos fugindo da invasão russa ao país, segundo as estimativas mais recentes das Nações Unidas. Na tentativa desesperada para escapar do conflito, famílias inteiras, mas sobretudo mulheres e crianças, caminham horas e horas para chegar até a fronteira dos países vizinhos, principalmente, a Polônia. Lá, a espera pela aprovação de entrada na imigração também pode ser longa. E tudo isso em meio ao frio intenso do rigoroso inverno europeu.

Nessa jornada incansável pela sobrevivência, essas pessoas passam dias sem comer. O mais importante é sair da Ucrânia. Por isso, desde a semana passada a World Central Kitchen (WCK) está com equipes trabalhando na fronteira com a Polônia. Lá são servidas refeições quentes para os refugiados. Além disso, a organização está apoiando restaurantes nas cidades ucranianas Odessa e Lviv, onde a população pode conseguir um prato de comida.

Moradores da Ucrânia relatam que as prateleiras dos supermercados estão vazias e o estoque de alimentos nas casas está chegando ao fim. E sob os bombardeios das tropas russas, dificilmente será possível que caminhões com mantimentos cheguem aos ucranianos.

World Central Kitchen, criada pelo chef espanhol José Andrés, está na fronteira da Ucrânia com a Polônia, distribuindo refeições para refugiados

Refeições servidas num centro comunitário na Romênia

A WCK também enviou equipes para a fronteira com a Romênia e está preparando locais para atendimento aos refugiados na Moldávia, Eslováquia e Hungria.

Apenas na segunda, 28/02, no vilarejo de Medyka, que fica na fronteira entre a Ucrânia e a Polônia, foram servidas 4 mil refeições. Apesar da neve, os voluntários da World Central Kitchen montaram uma tenda e trabalham 24 horas por dia.

No ano passado, o empresário Jeff Bezos fez uma doação de US$ 100 milhões para a WCK. Parte desse dinheiro está sendo destinado à operação agora no leste europeu.

World Central Kitchen, criada pelo chef espanhol José Andrés, está na fronteira da Ucrânia com a Polônia, distribuindo refeições para refugiados

Atendimento em Medyka, onde os refugiados foram servidos com sopa quente,
chá, refogado de frango e torta de maça

Criada pelo renomado chef José Andrés, a World Central Kitchen é uma organização humanitária, sem fins lucrativos, que tem como principal objetivo amparar populações afetadas por desastres naturais e em zonas de conflitos. A ONG esteve presente, inclusive, na Bahia, durante as enchentes em janeiro, e em Petrópolis, após os deslizamentos provocados por temporais que deixaram mais de 200 mortos.

Celebridade no mundo da gastronomia, Andrés foi eleito pela Time Magazine, duas vezes – a última em 2018 -, uma das “100 Pessoas Mais Influentes do Mundo”. Proprietário de 31 restaurantes nos Estados Unidos, possui estrelas Michelin em seu currículo. Mas é seu trabalho humanitário que o destaca nesse universo onde há tanta gente tão boa quanto ele nas panelas.

Durante o pico da pandemia da covid, por exemplo, ele transformou seus restaurantes em cozinhas comunitárias para pessoas carentes.

World Central Kitchen, criada pelo chef espanhol José Andrés, está na fronteira da Ucrânia com a Polônia, distribuindo refeições para refugiados

A World Central Kitchen já está presente em oito pontos diferentes
da fronteira da Ucrânia com a Polônia

Leia também:
José Andrés, um dos chefs mais famosos do mundo, está nas Bahamas cozinhando para vítimas do furacão Dorian

Fotos: divulgação WCK

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.