Wisdom, considerada a albatroz mais velha do mundo, retorna novamente, após sete décadas, ao lugar onde nasceu

Wisdom, considerada a albatroz mais velha do mundo, retorna mais uma vez, após sete décadas, a seu lar

Escrevo sobre Wisdom desde 2016. Sua história é realmente fascinante. Esta albatroz da espécie Laysan (Phoebastria immutabilis) foi avistada pela primeira vez em 1956 pelo biólogo americano Chandler Robbins e desde então, passou a ser acompanhada pela equipe do U.S. Fish & Wildlife Service, que colocou um anel de monitoramento em sua pata – a anilha vermelha com o número Z333. Nas últimas sete décadas, no início do inverno do Hemisfério Norte, ela volta ao Atol de Midway, uma reserva de proteção marinha a noroeste do Havaí, no Oceano Pacífico, lugar onde nasceu.

Wisdom é um dos milhões de albatrozes que retornam a esse atol para se reproduzir. Todavia, as aves dessa espécie não colocam ovos anualmente e quando o fazem, postam apenas um. Pelo registro dos biólogos da reserva, nos últimos anos, ao lado de seu companheiro Akeakamai, a albatroz mais famosa do mundo teve filhotes em 2016, 2018 e no começo de 2021.

Nesta temporada de inverno, Wisdom foi vista pela primeira vez em 26 de novembro do ano passado – um dia mais cedo do seu retorno em 2020. Entretanto, Akeakamai, que também foi anilhado, não foi observado ainda.

Em geral, albatrozes encontram um companheiro quando têm cerca de cinco anos. Eles serão parceiros pelo resto da vida. Novembro é quando começa a época de acasalamento da espécie, quando essas aves realizam danças e movimentos elaborados para a conquista. A maioria dos ovos é colocada no início de dezembro. Após cerca de 65 dias de incubação, eles eclodem no final de janeiro ou início de fevereiro.

“Não houve observações de Akeakamai este ano e nenhuma evidência de postura no ninho; portanto, é improvável que eles tenham filhotes este ano ”, afirmou Jon Plissner, biólogo no Atol de Midway.

O especialista explica que o processo de gestação de um novo filhote sempre exige a presença de ambos os pais. Macho e fêmea se revezam para incubar o ovo e cuidar da jovem ave após o nascimento, e ainda, para buscar alimento no mar.

Estima-se que Wisdom já tenha gerado entre 30 a 36 ovos. Em 2017, o filhote que ela deu à luz em 2001 foi observado, a poucos metros de seu ninho original.

“Wisdom continua a nos ajudar a entender melhor por quanto tempo essas aves vivem e com que frequência se reproduzem. É incrível saber que Wisdom está cercada por gerações de sua família em Midway Atoll ”, diz Pam Repp, gerente da reserva de vida selvagem. “É graças ao anilhamento de pássaros que sabemos que a Wisdom tem pelo menos 70 anos e onde seus familiares passam o inverno no Atol de Midway”.

O primeiro albatroz a receber uma anel de reconhecimento ali foi em 1936. Desde então, mais de 275 mil aves ganham uma anilha.

Wisdom, considerada a albatroz mais velha do mundo, retorna mais uma vez, após sete décadas, a seu lar

Wisdom e sua anilha vermelha: Z333

Fotos: Dragana Connaughton / Schoolyard Films

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

5 comentários em “Wisdom, considerada a albatroz mais velha do mundo, retorna novamente, após sete décadas, ao lugar onde nasceu

  • 3 de janeiro de 2022 em 5:53 PM
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    Para alguns humanos que descartam sentimentos verdadeiros com a ligeireza de um simples clique, aprender fidelidade e sabedoria com estas aves é o presente de uma grande lição.

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  • 6 de janeiro de 2022 em 9:52 AM
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    É realmente impressionante! Eu nunca imaginei que albatrozes poderiam viver mais do que águias. São realmente fortes. Vou buscar cada vez mais inspiração neles. Capitão Albatroz.

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  • 6 de janeiro de 2022 em 9:50 PM
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    Obrigado Suzana Camargo, pela bela reportagem

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    • 7 de janeiro de 2022 em 4:12 PM
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      Imagina, só estou escrevendo sobre uma bela história.
      Obrigada pela mensagem carinhosa.
      Abraço,
      Suzana

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      • 14 de janeiro de 2022 em 6:30 AM
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        História incrível e emocionante. Espero que o companheiro dela apareça. Obrigado por compartilhar.

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