Voluntários se unem para distribuir alimentos e água para os animais atingidos pelos incêndios no Pantanal

Assim que os incêndios se alastraram por diversas regiões do Pantanal, veio a urgência de salvar não só os animas feridos como também os sobreviventes, que conseguiram fugir do fogo e estão soltos na mata. Na região calcinada, não há alimento e eles podem morrer de fome, de desidratação e inanição.

O período de estiagem vai até o final de outubro, mas, mesmo que chova até lá, vai levar muito tempo para que a natureza se restabeleça e possa oferecer novamente tudo o que esses animais precisam.

Por isso, voluntários se uniram para tentar minimizar os impactos da tragédia sobre a fauna, garantindo água, alimentos e suprimentos, numa forca-tarefa poderosa, como os integrantes do Clube de Desbravadores Marechal Rondon (foto acima). Para se ter ideia da dimensão das ações desenvolvidas por eles, em 12 de setembro, os Desbravadores arrecadaram mais de 400 quilos de frutas e verduras que seriam descartadas por serem consideradas impróprias para consumo humano.

Os alimentos foram doados para o grupo É o Bicho MT, que reúne “protetores e defensores da causa animal” desde 2015 e, agora, criou a campanha A fauna do Pantanal pede a sua ajuda para ajudar os animais silvestres, inspirado por Domingas, dona da pousada Pantanal Lodge.

Domingas presenciou os incêndios e o sofrimento dos animais famintos e pediu doações de alimentos para os mercados de Poconé. “Todos foram muito solidários. Eu trouxe os alimentos e distribui em vários pontos próximos da pousada. Vi os animais se alimentarem”.

E, assim, ela viu capivaras, tatus, quatis, lobetes, veados-mateiros, cervos e macacos-pregos voltarem a circular nos arredores. Na semana passada, a pousada divulgou em seu Instagram uma cena linda: um tatu faminto encontrou uma manga: ele comeu três bem próximo da sede (veja no final deste post).

Parte das doações é entregue pelo grupo ao Posto de Atendimento a Animais Silvestres do Pantanal (PAEAS Pantanal) e a outra parte distribuída em pontos estratégicos e próximos à Rodovia Transpantaneira, debaixo de pontes, no meio da mata, em locais aleatórios e para parceiros, como a pousada de Domingas.

No texto que escrevi, esta semana, para indicar organizações que precisam de apoio financeiro para manter o combate aos incêndios e o resgate e a reabilitação de animais – Como ajudar o Pantanal -, comentei sobre o trabalho que a Fundação Ecotrópica realiza, que também inclui a distribuição de alimentos para animais silvestres e que seus integrantes chamam de Ilhas de Alimentação (abaixo).

Doar alimentos ou dinheiro?

Os dois! O grupo É O BICHO MT recebe doações de frutas, verduras e água de mercados, feirantes, empresários e moradores de Cuiabá e região. Basta fazer contato pelo Instagram para combinar, mas os alimentos são arrecadados nos pontos de coleta espalhados na cidade de Cuiabá Na semana passada, em um só dia, eles arrecadaram 4 toneladas.

Mas o grupo É o Bicho MT também recebe doações em dinheiro pelo crowdfunding na plataforma Abacashi.

Já a FUNDAÇÃO ECOTRÓPICA aceita apenas doações em dinheiro – também para o resgate de animais -, que podem ser feitas de três maneiras:
– crowdfunding na plataforma Vakinha, onde o doador encontra informações mais detalhadas sobre o trabalho da organização;
transferência/depósito em conta bancária (Banco Santander, Agência 4604, conta corrente 130026370 para Ecotropica Fundação de Apoio À Vida nos Trópicos, CNPJ 32.983.785/0001-56) ou
doação in loco: Rua 03 (Sebastiana Paes de Barros), n° 391, Boa Esperança, cep 78.068-375, Cuiabá/MT.

Informações sobre a Ecotrópica e os incêndios podem ser obtidas por WhatsApp (65 98155-4190, com Carla Bragma) ou por e-mail: fundacaoecotropica@gmail.com. Acompanhe a fundação pelo Instagram.

Onde há água, pode haver refúgio

A escolha para instalar essas “ilhas de alimentos” é definida pelo Ciman também a partir do mapeamento da água, que geralmente indica os locais preferidos pelos animais para se refugiar e procurar alimento.

É importante frisar que a oferta desses alimentos no habitat dos animais silvestres também é uma forma de assegurar que o hábito de procurar por alimentos seja preservado.

A observação da fauna faz parte do trabalho dos voluntários que, quando identificam sinais de inanição ou desidratação, encaminham os animais para o PAEAS Pantanal para recuperação.

Agora, assista ao flagra do tatu comendo manga, pertinho da pousada de dona Domingas.

Fotos: Divulgação

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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