Voluntários lotam estações de trem em Berlim para receber refugiados ucranianos e oferecer refeições e estadia

Voluntários alemães lotam estações de trem em Berlim para receber refugiados ucranianos e oferecer refeições e estadia

Já passa de 1 milhão o número de ucranianos que foram obrigados a abandonar suas casas por causa da invasão das tropas russas à Ucrânia. Deixando tudo para trás, sem saber se um dia poderão voltar à sua terra natal, os refugiados lotam estradas e estações de trem para fugir dos bombardeios, que aumentam a cada dia. Carregam somente mochilas ou malas pequenas. Todo o resto é abandonado. A única coisa que importa é sobreviver. A Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) já considera este o maior êxodo de pessoas das últimas décadas.

A principal rota de escape passa pela fronteira da Polônia, onde por dia, milhares e milhares de ucranianos esperam horas e horas em filas para conseguir passar pela imigração. De lá, muitos partem para outras cidades da Europa. Uma delas é Berlim, onde o governo alemão determinou que todas as passagens de trens e ônibus para os refugiados sejam gratuitas.

E nos últimos dias, a principal estação de trem da capital da Alemanha tem sido inundada por uma onda de solidariedade e acolhimento. Centenas de voluntários estão no local para receber as famílias ucranianas. Além da oferta de uma refeição quente logo na chegada, muitos alemães estão abrindo suas casas para garantir que todos tenham uma estadia. Há também o atendimento de paramédicos.

Voluntários alemães lotam estações de trem em Berlim para receber refugiados ucranianos e oferecer refeições e estadia

Cartazes improvisados, em várias línguas, ajudam os refugiados a saber onde encontrar auxílio

Apenas na quarta-feira (02/03), seis mil refugiados desembarcaram em Berlim. A expectativa é que hoje cheguem mais 10 mil pessoas. Para aquelas que não têm conhecidos ou familiares na cidade, o governo da Alemanha as está encaminhando refugiados para abrigos e albergues.

A grande maioria dos refugiados são mulheres e crianças. Os homens entre 18 e 60 anos foram obrigados a ficar na Ucrânia, lutando para defender o país.

Os países da União Europeia aprovaram um medida esta semana que estabelece que os refugiados ucranianos receberão o direito imediato à residência e trabalho onde estiverem.

As cenas atuais lembram o que acontecem em 2015, quando a Alemanha recebeu mais de 1 milhão de refugiados da Síria.

A ONU estima que 12 milhões de pessoas dentro da Ucrânia precisarão de ajuda e proteção, enquanto mais de 4 milhões de refugiados podem precisar de assistência em países vizinhos nos próximos meses.

“Trabalho na resposta a crises de refugiados há quase 40 anos e raramente vi um êxodo de pessoas tão rápido como este”, disse Filippo Grandi, Alto Comissário da ONU para Refugiados, ao Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a Ucrânia. “Os níveis de risco estão tão altos agora, que está cada vez mais difícil para os trabalhadores humanitários distribuir de forma sistemática a ajuda de que as pessoas deslocadas precisam desesperadamente”.

Voluntários alemães lotam estações de trem em Berlim para receber refugiados ucranianos e oferecer refeições e estadia

Famílias ucranianas chegando de trem em Berlim

*Com informações do site Aljazeera, ACNUR Brasil e Berlin.de

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Fotos: The Official Website of Berlin/German Press Agency (dpa)

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Um comentário em “Voluntários lotam estações de trem em Berlim para receber refugiados ucranianos e oferecer refeições e estadia

  • 4 de março de 2022 em 6:34 PM
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    Essa rede de acolhimento e asilo de anjos voluntários dedicados a minimizar o inferno destes irmãos tão sofridos, só se compara mesmo ao colo de mãe ou ao calor de um berço, tanto quanto aos braços de um pai robusto e forte, abraçando e aquecendo quem perdeu tudo o que tinha mas precisa se lembrar de quem ainda é.

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