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Vencedores do ‘DayTime Emmy Awards’ denunciam assassinatos de jornalistas por Israel na Faixa de Gaza

Vencedores do 'DayTime Emmy Awards' denunciam assassinatos de jornalistas por Israel na Faixa de Gaza

Na noite de ontem, 17/12, o apresentador e vídeojornalista Yara Elmjouie e a produtora executiva Shadi Rahimi do programa ‘Eat This With Yara’, do grupo de notícias Al Jazeera, se destacaram na cerimônia de entrega do DayTime Emmy Awards, promovido pela Academia Nacional de Artes e Ciências Televisivas. E não foi só devido ao prêmio que reconhece os melhores programas de TV diurnos do ano – receberam o de Excelente Programa de Estilo de Vida.

Após receber o troféu e agradecer o reconhecimento, Yara comentou sobre os ataques ao povo palestino na Faixa de Gaza desde 7 de outubro (logo após a invasão do Hamas a Israel) e denunciou as atrocidades cometidas por Israel também contra jornalistas, que, em qualquer conflito – assim como médicos –, devem ser respeitados.

Yara falou, em especial, sobre o assassinato de um colega da Al Jazeera: “Nosso cinegrafista Samer Abu Daqqa foi morto em um ataque aéreo israelense. Outro colega, Wael Al Dahdouh, ficou muito ferido, isso depois de perder sua esposa e filhos em um ataque israelense anterior”, contou.

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Samer e Wael (chefe da sucursal da Al Jazeera na Palestina) trabalhavam em dupla diariamente.

Samer foi morto por um ataque de drone na sexta-feira, 15/12, enquanto relatava bombardeio a uma escola usada como abrigo para pessoas deslocadas em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza. Cerca de 20 dias após o início dos bombardeios de Israel em Gaza, a mulher e os filhos de Wael foram mortos por um míssil direcionado à sua casa. Depois de enterrá-los, incansável, ele voltou ao trabalho.

Yara também contou que são muitos os jornalistas mortos nessa “guerra”, devido a bombardeios ou ataques realizados por franco-atiradores (snipers) ou drones, de forma deliberada. Durante a fala de Yara, Shadi exibiu cartaz no qual se lia: “Matar jornalistas é crime de guerra”. 

Shadi Rahimi, produtora executiva do programa ‘Eat This With Yara’ exibe cartaz em que se lê ‘Matar jornalistas é crime de guerra’ na entrega do DayTime Emmy Awards / Foto: reprodução Instagram

Convidados e espectadores presentes à cerimônia ficaram atônitos, chocados e demonstraram surpresa com tudo que ouviram. Uma prova de que a imprensa mundial manipula informações do genocídio israelense em Gaza. Boa parte das pessoas, ali, parecia não ter ideia da dimensão do sofrimento do povo palestino.

Antes da cerimônia, Shadi Rahimi desfilou pelo tapete vermelho com as mãos cobertas de tinta vermelha, que sugeria sangue, nas quais se lia “Salve Gaza” (foto no destaque). Ela contou que a ação foi uma “homenagem às mães palestinas cujas mãos estão manchadas com o sangue de seus filhos”.

Em comunicado, no sábado, a Al Jazeera Media Network, sediada no Qatar, anunciou que vai encaminhar o assassinato do cinegrafista Samer Abudaqa em Gaza para o Tribunal Penal Internacional (TPI), e que já instruiu sua equipe jurídica para remeter o caso “com urgência”.

73% dos jornalistas mortos em 2023 estavam em Gaza

Segundo a Al Jazeera, o Escritório dos Direitos Humanos da ONU, instalado nos territórios ocupados da Palestina, declarou estar alarmado com taxa sem precedentes de trabalhadores da mídia mortos em Gaza, desde 7 de outubro.

O Gabinete do Comissário para os Direitos Humanos confirmou o assassinato de 50 jornalistas e trabalhadores dos meios de comunicação social, e recebeu informações de que mais 30 podem ter morrido, representando cerca de 6% de todos os registrados no Sindicato dos Jornalistas em Gaza.

Há fontes que indicam que já há 98 jornalistas e profissionais da mídia assassinados naquele país.

Segundo a Federação Internacional de Jornalistas, 73% do número total de jornalistas e trabalhadores da mídia mortos globalmente até agora, em 2023, estiveram em Gaza.

Em declaração à imprensa, o gabinete da ONU disse: “Jornalistas e trabalhadores dos meios de comunicação, utilizando uma variedade de ferramentas, incluindo as redes sociais, mantiveram o mundo informado em tempo real sobre os horrores que os civis em Gaza estão a suportar. A dedicação deles merece homenagem. Mas, um por um, estes olhos no chão estão a ficar escuros”,
  
E finalizou: “Graças ao seu trabalho, o mundo está vendo a realidade. Eles devem ser protegidos. Tem de haver responsabilidade”.

Números, alvos, fome

Os ataques de Israel não só têm tirado filhos/as de suas mães e pais, mas também deixado muitas crianças órfãs: até agora, há cerca de 25 mil.

Desde 7 de outubro, após o ataque do Hamas à Israel (que resultou em 1.200 mortos e cerca de 240 reféns), em Gaza, Israel já matou quase 19 mil palestinos (18.787), entre eles 7.870 crianças (muitos bebês) – estima-se que nos escombros estejam 7.780 – e feriu 50.897 pessoas.

(Vale destacar que parte dos reféns em poder dos Hamas foi libertada a partir de negociações que envolveram Egito e Qatar e da troca com prisioneiros palestinos)

Soldados e snipers bem armados matam qualquer um que se movimente, como aconteceu com três reféns que fugiram do cativeiro do Hamas. Mesmo acenando com bandeira branca e falando em hebreu, foram assassinados por soldados de Israel. 

Em alguns casos, palestinos são presos e humilhados e servem à encenações que os soldados divulgam para “anunciar” que “prenderam terroristas” do Hamas. Há um médico entre eles.

Ontem, tratores avançaram sobre um campo de refugiados em Khan Youunis, no sul da Faixa de Gaza, e esmagaram a maior parte das pessoas que ali estava, enterrando-as vivas. 

Hoje, o Dr. Hani Al Haitham, chefe do departamento de emergência do Hospital Shifa, foi assassinado junto com sua esposa, Dra. Sameera Ghifari, e seus cinco filhos. Morreu também um comentarista da Al Jazeera, Abdullah Alwan, devido a bombardeio em sua casa. Mais dois alvos eliminados, entre outras dezenas de pessoas anônimas.

Cerca de 2 milhões de palestinos estão amontoados no sul da Faixa de Gaza, onde as condições de sobrevivência são péssimas, em todos os sentidos. Quem não morrer por bombardeio, tiro de fuzil ou ataque de tanques e tratores, vai morrer de fome e sede.  

Na Cisjordânia, colonos armados por Israel atuam como milícias tomando as casas dos palestinos que lá moram ou os assassinando. Até agora, foram mortos cerca de 300 palestinos, sendo 63 crianças, e há cerca de 3365 feridos. 

Nada justifica tantas mortes e sofrimento. Nada!

A seguir, assista ao discurso de Yara e ao momento em que Shadi Rahimi abre o cartaz que trazia nas mãos:

 

 
 
 
 
 
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Foto: reprodução Instagram 

Fontes: Fepal Brasil, Al Jazeera, Palestinian Health Ministry, Palestine Red Crescent Society, Israeli Medical Services.

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