Uma em 30 milhões: lagosta raríssima laranja é salva graças à equipe muito atenta de um restaurante na Flórida

Uma em 30 milhões: lagosta raríssima laranja é salva de ser cozida graças ao gerente muito atento de um restaurante na Flórida

Ela não é tão rara quanto a lagosta, cor de algodão doce, encontrada no estado do Maine, nos Estados Unidos, e sobre a qual escrevi no final de 2021. Mas quando a viu, Mario Roque, gerente do restaurante Red Lobster, na Flórida, percebeu na hora que ali estava um animal especial. Em vez de ter a cor tradicional, um marrom escuro, ela tinha um tom laranja muito forte.

Graças à percepção de Roque, a lagosta laranja deixou de ir parar no prato de um cliente e agora está no Centro de Pesquisa de Ciências Marinhas do Ripley’s Aquarium, em Myrtle Beach, onde poderá ser observada por visitantes e estudada por cientistas.

Apelidada de Cheddar, a lagosta chegou junto a um carregamento entregue no restaurante em meados de julho. Assim que a equipe notou que ela rara, entrou em contato com o aquário.

“Às vezes, milagres comuns acontecem e Cheddar é um deles”, diz Roque. “Um grupo de pessoas incríveis nos ajudou a tornar isso possível. Estamos muito honrados por termos sido capazes de salvar Cheddar e encontrar um bom lar para ela.”

Uma em 30 milhões: lagosta raríssima laranja é salva de ser cozida graças ao gerente muito atento de um restaurante na Flórida

Mario Roque e seu “pequeno milagre”
(Foto: divulgação Red Lobster)

De acordo com os biólogos do Ripley’s Aquário, a chance de se encontrar uma lagosta laranja é uma em 30 milhões.

Como expliquei na reportagem sobre a “algodão doce” no ano passado, na verdade esses crustáceos obtêm sua cor de um pigmento e antioxidante chamado astaxantina, presente na sua alimentação, e a forma desse composto muda quando outras proteínas se ligam a ele.

A astaxantina é um dos pigmentos carotenóides responsáveis ​​pelas cores vermelhas brilhantes de muitos animais e plantas, incluindo as de laranjas, tomates e penas de algumas aves. Mas o que ocorre com as lagostas, que na água do mar aparecem em tons mais escuros, é que quando são cozidas, as ligações químicas que prendem as proteínas ao pigmento se quebram, liberando a astaxantina por toda a casca e pele, fazendo assim com que ela ganhe uma cor vermelho brilhante.

No vídeo abaixo, da Sociedade Americana de Química, um especialista em lagostas explica, em inglês, como isso acontece:

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Foto de abertura: divulgação Ripley’s Aquarium

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.