Uma das maiores redes de supermercado do mundo vem à público afirmar que não compra carne do Brasil por causa do desmatamento

Uma das maiores redes de supermercado do mundo, a britânica Tesco, produz vídeo afirmando que não compra carne do Brasil por causa do desmatamento

Frente à pressão internacional que não apenas o governo brasileiro vem sofrendo devido à falta de controle sobre o crescente desmatamento da Floresta Amazônica, mas também companhias estrangeiras com negócios ligados à região, uma das maiores redes de supermercados do mundo, a multinacional britânica Tesco, decidiu vir a público informar que, desde 2018, não compra mais nenhum tipo de carne – frango, porco ou vaca -, produzida no Brasil.

Em mensagem e vídeo divulgados em suas redes sociais no último dia 5 de agosto, a cadeia escreveu a seguinte mensagem:

“Atear fogo para limpar o solo para plantações ou pastagens está destruindo habitats preciosos como a floresta tropical brasileira. Isso deve parar. É por esta razão que apoiamos o objetivo do Greenpeace de evitar mais desmatamento na Amazônia”.

Como mostramos nesta outra reportagem há poucos dias, a organização Greenpeace, no Reino Unido, lançou uma petição online pelo boicote dos supermercados britânicos à carne da JBS, associada ao desmatamento na Amazônia. Até este momento, 140 mil pessoas já assinaram o manifesto.

Terceira maior cadeia de supermercados do mundo em receita bruta, com 6.800 lojas em 11 países, o Tesco afirmou que só compra carne da Irlanda e do Reino Unido.

“Todos nós vimos as imagens terríveis da Amazônia queimando no ano passado. É por isso que a Tesco não compra carne do Brasil. É por isso que atingiremos nossa meta de desmatamento zero em nossa ração de soja para animais por meio da certificação este ano. E é por isso que nos comprometemos a fazer mais, estabelecendo metas mais rígidas para 2025″, garantiu Dave Lewis, CEO do Grupo Tesco.

A rede ressaltou que apesar de não comercializar mais carne brasileira, tem em sua cadeia de fornecedores produtores de soja no país, por isso mesmo faz parte de iniciativas como a Coalizão da Transparência da Soja e a Moratória da Soja na Amazônia, além de ter contribuído com 10 milhões de libras para um projeto de proteção ao Cerrado.

“Nossas linhas de produtos à base de proteína vegetal aumentaram 46% desde o ano passado e 10% das refeições prontas, leite, sorvete e proteínas congeladas são veganas. Estamos fazendo um progresso tangível, mas não podemos resolver isso por conta própria. O governo precisa agir também”, enfatizou Lewis.

Desde o ano passado, o Brasil tem sofrido reveses por causa de sua política ambiental. Em junho, uma rede de mercados sueca tirou de suas prateleiras produtos brasileiros por causa do excesso de agrotóxicos usados no país. No auge da crise dos incêndios florestais na Amazônia, em agosto, marcas internacionais suspenderam a compra de couro brasileiro e França, Finlândia, e Irlanda também fizeram ameaças de sanções comerciais ao devido ao aumento do desmatamento.

Este ano, as ameaças de boicotes e sanções comerciais continuam. Empresários e fundos de investimentos internacionais já alertaram o governo de Jair Bolsonaro que se o desmatamento continuar, irão retirar seu dinheiro do país.

Na Alemanha, mais de 400 mil pessoas já se engajaram em uma campanha que pede aos supermercados do país que boicotem produtos brasileiros se a ‘PL da Grilagem’ for aprovada.

Parece que, apenas agora, a ficha começou a cair no governo. Mas talvez seja tarde demais. O discurso “anti-ambiental” de Bolsonaro e de seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi um tiro no pé nas exportações brasileiras. Mais e mais empresas não vão querer teus seus nomes e reputações ligados ao país e ao desmatamento de seus biomas.

Mensagem compartilhada no Twitter, que já conta
com mais de 2 milhões de curtidas

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Imagem: reprodução vídeo

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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