Um mês após chegada ao Santuário de Elefantes Brasil, Pocha e Guillermina aprendem a explorar e viver em meio à natureza

Um mês após chegarem ao Santuário de Elefantes Brasil, aos poucos, Pocha e Guillermina aprendem a explorar e viver em meio à natureza

Faz pouco mais de um mês que Pocha e Guillermina, mãe e filha, de 55 e 22 anos, respectivamente, chegaram ao Santuário de Elefantes Brasil (SEB), na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso. As duas elefantas asiáticas viviam num “recinto” de um ecoparque na cidade argentina de Mendoza: na verdade, um fosso, totalmente de concreto, sem vegetação alguma. Guillermina nasceu lá e nunca tinha tido contato algum com a natureza.

Depois de alguns anos de negociações para a transferência das duas para o santuário brasileiro e uma viagem de cinco dias para percorrer 3 mil km, Pocha e Guillermina vivem em meio a uma área natural de mais de 1 mil hectares, onde elas ganharam ainda a companhia de outras cinco elefantas, todas resgatadas também após anos vivendo em circos ou zoológicos: Maia, Rana, Lady, Mara e Bambi.

Este primeiro mês no novo lar tem sido de muitos desafios e explorações para Pocha e Guillermina, como tem compartilhado constantemente o Santuário de Elefantes Brasil em suas redes sociais. Afinal, foram décadas vivendo em cativeiro. A mãe praticamente perdeu seus instintos naturais e a filha, infelizmente, nunca teve a chance de aprendê-los.

Aos poucos as duas vão se acostumando com coisas novas e que aparentemente pareceriam simples para qualquer animal de vida selvagem, como por exemplo, caminhar no solo instável ou tomar banho numa lagoa. Além disso, essa é a primeira vez que elas interagem livremente com outros indivíduos da própria espécie.

“Alguns dias atrás, Pocha e Guille estavam comendo uma de cada lado de Maia. Todas estavam calmas e um pouco sonolentas. Guillermina pegou um pouco de feno da pilha de Maia, foi embora para comer, e Maia deixou. Então Guille decidiu que queria mais do feno de Maia – então ela pegou e foi embora novamente. Maia sinalizou que este não era um comportamento apropriado dando um empurrãozinho em Guillermina. As meninas costumam “compartilhar” o feno, mas permanecem no local e lancham juntas. Apenas pegar feno e ir embora não é tão aceitável. A correção de Maia foi gentil, mas também foi uma forma definitiva de dizer: “Não é assim que se faz, pequena”. Guille não respondeu; ela pode ter sido pega de surpresa que alguém a advertiu, já que ela não está acostumada com isso. Essas pequenas correções serão boas para ela quando ela começar a entender o que significa viver com outros elefantes. Todos terão que determinar o que funcionará e o que não funcionará à medida que os relacionamentos forem construídos”, relatou a equipe do santuário.

Recentemente também Guillermina percebeu pela primeira vez a lagoa. Ao lado da mãe, entrou e saiu diversas vezes da água.

“Ela se se divertiu muito batendo na água com sua tromba, encantada com o movimento da água. Pocha finalmente decidiu submergir todo o caminho sob a água, enquanto Guille permaneceu um pouco mais hesitante. Este foi provavelmente o momento mais brincalhão que vimos desde que elas chegaram; sua energia estava leve e Pocha parecia super sorridente pelo resto do dia. As meninas passaram a maior parte da tarde dentro e ao redor do lago, antes de voltar para o galpão. Mais um dia no Santuário, outra estreia para Pocha e Guillermina”.

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Fotos: reprodução Facebook Santuário de Elefantes Brasil

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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