Um ano de Brumadinho: MPF indicia acusados e marcha de 300 km relembra a tragédia e o crime da mineradora Vale

A impunidade é praticamente uma marca registrada em todos os casos de rompimento de barragens no país. Nos leva a pensar, em alguns momentos, que “não tem jeito” e que “é assim mesmo”. Parece é crucial resistir, sempre. Ontem, 21 de janeiro, o caso de Brumadinho ganhou um revés inesperado.

O Ministério Público Estadual de Minas Gerais apresentou denúncia contra a mineradora e também contra a empresa alemã de inspeções e certificações TUV SUD, além de outras 16 pessoas. Fabio Schvartsman. ex-presidente da Vale, está entre os acusados.

Agora, as empresas vão responder por crime ambiental e as pessoas poderão serão indiciadas por homicídio duplamente qualificado. A denúncia se baseia em informações confidenciais da Vale às quais os procuradores tiveram acesso durante as investigações, que revelam que a mineradora já tinha uma lista de barragens que podem ser classificadas como em situação inaceitável de segurança. Entre elas, Brumadinho. Ou seja, ficou provado que os envolvidos sabiam do risco de rompimento e nada fizeram para evitar a tragédia.

Protestos de Belo Horizonte a Brumadinho

Cerca de 350 pessoas vítimas de barragens se reuniram em 20 de janeiro, segunda-feira, em Belo Horizonte, para participar da Marcha para Brumadinho, que deve percorrer 300 km até a cidade.

O intuito da mobilização organizada pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) é relembrar um dos maiores crimes socioambientais do país: o rompimento da barragem da mineradora Vale, que matou 270 pessoas (e ainda tem 11 desaparecidos) e completará um ano no próximo sábado, 25.

Na verdade, eles querem muito mais:
dar visibilidade e legitimidade nacional e internacional à luta dos atingidos por barragens diante dos dois crimes da Vale, em Brumadinho e Mariana;
fortalecer a unidade e organização estadual e nacional entre atingidos na luta e resistência pelos seus direitos e na construção de um novo projeto energético popular;
denunciar os crimes e a forma como as empresas privadas vêm tratando a sociedade brasileira, especialmente os atingidos por barragens e
reconhecer os atingidos como defensores dos Direitos Humanos”.

Paradas e trajeto

A Marcha para Brumadinho foi iniciada com uma caminhada que saiu da praça do Papa e seguiu até a praça Milton Campos, na capital mineira. O grupo fez duas paradas de protesto: a primeira, em frente ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), na avenida Afonso Pena, e, a segunda, em frente à Agência Nacional de Mineração, para protocolar documentos que questionam a responsabilidade do Estado a respeito do rompimento da barragem.

Os caminhantes passarão pelas cidades de Pompeu, Juatuba, Citrolândia, São Joaquim de Bocas e Betim – antes de chegar a Brumadinho -, onde será realizado um seminário internacional sobre o tema, que contará com a presença do ex-presidente Lula. No sábado, a marcha terminará com a chegada a Brumadinho e a realização de atividades na cidade e no Córrego do Feijão.

Fotos: Divulgacao/Movimento dos Atingidos por Barragens

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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