Turismo legal não explora animal!

Turismo legal não explora animal!

O turismo ético e o desenvolvimento sustentável têm como objetivo não causar impactos negativos ao meio ambiente, e logicamente aos animais, que fazem parte integrante do meio ambiente.

Recentemente um site especializado em turismo contou a história de um brasileiro que percorreu todo o continente americano a cavalo. Em seu relato, ele conta que quase perdeu um animal ao atravessar um rio no México e ainda, que no Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos, ficou sem água e percorreu caminhos longos e perigosos.

A narrativa demonstra que os cavalos foram submetidos a situações terríveis. Ele explorou e maltratou esses animais para escrever um livro com conteúdo questionável do ponto de vista da ética no turismo. Vários foram os comentários feitos nas redes sociais sobre a reportagem. Pessoas se mostraram contrárias à exploração dos cavalos, prova de que a sociedade rejeita cada vez mais os maus tratos aos animais e seu uso pelo turismo.

O fato chamou a minha atenção, assim como a de outras pessoas, e senti a necessidade de voltar a falar sobre o uso de animais pelo setor do turismo. Todos nós gostamos muito de viagens e aventuras, mas precisamos fazê-lo sempre com base na ética e no princípio da responsabilidade.

Estamos caminhando para a construção de uma sociedade sustentável e isso não é somente, em planejamentos urbanos e sustentabilidade ecológica, significa respeitarmos seres que fazem parte da natureza, ou seja, não apenas os seres humanos, mas também, os animais.

Ainda hoje animais são usados e explorados pelo turismo e depende de nós que isso tenha um fim! A escolha nos cabe: se vamos aceitar ou não esse mercado cruel com os animais.

Não é mais admissível que camelos, elefantes, burros e cavalos sejam utilizados para transporte e atividades com sobrepeso de humanos ou malas. Em Santorini, na Grécia, por exemplo, burros são obrigados a carregar malas de turistas pelas ruas íngremes. Na Tailândia, turistas andam em elefantes. E em Nova York, cavalos puxam charretes enquanto os visitantes desfrutam do cenário da cidade. Não compactue.

Focas, golfinhos e baleias orca são animais selvagens e não deveriam ser explorados para fonte de renda de parques. Esses animais são retirados de seus habitats e de suas mães, ainda filhotes, para fazerem ‘shows’ nesses locais. Beijar golfinho não é ético. Não compre essa ideia.

Na Indonésia, é comum apresentações de macacos aos turistas. Acorrentados pelo pescoço e fantasiados, eles são treinados e explorados para pedirem dinheiro aos turistas. Turista legal não compactua com o abuso animal.

Turismo legal não explora animal!

Orangotango sendo usado como atração em um parque de Bali


De acordo com dados da organização Proteção Animal Mundial, as atrações turísticas que oferecem interações com animais silvestres são responsáveis por quase 40% de todo o turismo globalmente. Esses animais são mantidos em cativeiros, usados como acessórios para fotos, montados ou explorados em shows.

Em julho de 2012, um grupo de especialistas internacionais assinou a Declaração de Cambridge, um documento que atesta a existência de consciência nos animais:

“A ausência de um neocórtex não parece impedir que um organismo experimente estados afetivos. Evidências convergentes indicam que os animais não humanos têm os substratos neuroanatômicos, neuroquímicos e
neurofisiológicos de estados de consciência juntamente como a capacidade de exibir comportamentos intencionais.


Consequentemente, o peso das evidências indica que os humanos não são os únicos a possuir os substratos neurológicos que geram a consciência. Animais não humanos, incluindo todos os mamíferos e as aves, e muitas outras criaturas, incluindo polvos, também possuem esses substratos neurológicos”.

Os Direitos Animais vêm de um direito natural decorrente da própria existência e capacidade da consciência e sentimentos. Esses direitos básicos não devem ser atribuídos somente aos seres humanos, relegando aos animais à mera condição de objetos perante a humanidade.

Temos que reconhecer que na essência ética e moral os animais são sujeitos de direito de acordo com interesses naturais inerentes à própria natureza por serem seres plenamente capazes da consciência e sentimentos – eles são seres sencientes. Os animais têm Direitos morais básicos: à vida, à liberdade, integridade física e psíquica.

Não podemos mais achar que os animais são meros “bens ambientais” a nosso dispor. Com a Declaração de Cambridge e a prova da existência de consciência nos animais temos que pensar no direito moral à um ser que possui a capacidade de consciência e impedirmos todo tipo de exploração a eles.

Exploração animal? Não compactue. Turismo legal não explora animal.

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Fotos: reprodução Facebook World Animal Protection

Um comentário em “Turismo legal não explora animal!

  • 18 de dezembro de 2020 em 1:45 PM
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    Nem racionais nem superiores são ainda alguns humanos; essa a razão de aberrações mentais que enxergam nos animais objetos de uso e descarte, conforme lhes aprouver. Por conta da ignorância humana é que animais têm sido abusados de todas as maneiras, até a exaustão e a morte. No entanto, felizmente, nunca como agora, tantas pessoas se mobilizam para salva-los ou denunciar maus tratos contra eles, doando seu próprio sangue, suor e lágrimas por amor e compaixao e as vezes a própria vida para livra-los da morte, benditas sejam.

    Resposta

Fernanda Tripode

Formada em Direito pela Universidade Braz Cubas, é advogada em São Paulo. Apoia o ativismo jurídico pelos Direitos Animais e as causas ambientais. Ama os animais e adora viajar