
Durante uma fiscalização de rotina no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos (SP), na quarta-feira (18/06), uma equipe do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apreendeu partes e membros de animais silvestres, mais especificamente de um leão e de uma girafa. A carga tinha como origem a África do Sul e pertencia a dois cidadãos brasileiros.
Eram oito partes da espécie girafa-do-norte (Giraffa camelopardalis), incluindo crânio, capa, mandíbula e quatro ossos das pernas, e um troféu de caça, cabeça e pele inteira, da espécie leão-africano (Panthera leo). Troféu de caça é o termo utilizado para cabeças, corpos e membros de animais, que são empalhados, e entregues como prêmios a caçadores.
Segundo o Ibama, ambas as espécies estão listadas no Anexo II da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres (Cites), da qual o Brasil é signatário.

Foto: divulgação Unidade Técnica do Ibama/Guarulhos
Todavia, a carga só foi apreendida porque seus proprietários não possuíam a documentação Cites necessária. Caso estivessem com os documentos exigidos, a legislação brasileira permite a importação de troféus de caça e membros de animais.
Ainda não foi decidido o que será feito com as partes dos animais. Elas poderão ser destruídas, devolvidas ou doadas. O Museu de Zoologia de São Paulo já demonstrou interesse em receber o material.
Com base no Decreto nº 6.514, de 22 de julho de 2008 (art. 83-A), cada um dos proprietários da carga recebeu uma multa de R$ 1 mil por “importar um troféu de caça de espécime da fauna silvestre exótica, listada no anexo II da Cites, sem autorização do Ibama”.
Agora o Ibama encaminhou o caso para o Ministério Público, que decidirá se os brasileiros terão que responder a processo criminal ou não.
Em vários países da África, da Europa e nos Estados Unidos a caça de animais silvestres é permitida. E há aqueles lugares onde ela é proibida, mas é realizada de forma criminosa. Em 2024, uma operação na Argentina desmantelou uma poderosa rede ilegal de caça, que tinha como alvo onças-pintadas, jaguatiricas, capivaras, veados, dentre outros animais. A quadrilha recebia, sobretudo, caçadores estadunidenses e europeus e suas atividades eram promovidas em diversos sites desses países.

Foto: divulgação Unidade Técnica do Ibama/Guarulhos
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Foto de abertura: divulgação Unidade Técnica do Ibama/Guarulhos




