Que imagem mais triste. Doze toninhas (Pontoporia blainvillei) foram encontradas sem vida na praia do Indaiá, em Bertioga, no litoral norte de São Paulo. Os animais foram achados pela equipe do Instituto Gremar, que realiza o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos.
Segundo os profissionais, eram quatro machos adultos e oito fêmeas (uma filhote, duas juvenis e cinco adultas). As carcaças estavam no início do processo de decomposição, ou seja, as toninhas não tinham morrido há muito tempo.
Todas foram encaminhadas para o Centro de Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos, no Guarujá (SP), para ser feita uma necropsia para tentar identificar a causa da morte.
Exames iniciais apontaram a presença de resíduos sólidos (lixo e plástico) no estômago de duas toninhas. Além disso, todas elas apresentavam congestão pulmonar, indicativo de afogamento. Por fim, a equipe também constatou que três das oito fêmeas estavam prenhes, com fetos ainda em estágio inicial de desenvolvimento.
Segundo o Gremar, só na área monitorada pelo projeto, em 2022 foram registrados 109 encalhes de toninhas. Neste ano já são 53 animais mortos, incluindo esses doze achados na semana passada.
Ainda de acordo com o instituto, os principais responsáveis pelo óbito dessa espécie de golfinho são interação com redes de pesca, a poluição marinha, a sobrepesca (que reduz a disponibilidade de alimento) e a poluição sonora causada pela intensa atividade portuária.
Toninhas encontradas mortas: autopsia deve revelar causa da morte
(Foto: divulgação Gremar)
Espécie em risco de extinção
A toninha habita águas costeiras, em profundidades de até 30 metros. Vive em pequenos grupos de dois a cinco indivíduos. Esses cetáceos se alimentam de peixes, cefalópodes e crustáceos.
Eles podem ser facilmente identificados pelo pequeno porte e o “focinho”, acentuadamente longo e fino, com mais de 200 dentes. Os olhos e a nadadeira dorsal são pequenos, e esta última, é retangular. O corpo tem coloração que pode variar entre tons de marrom, cinza e amarelo.
Justamente por viver perto da costa, esta espécie de golfinho fica mais ameaçada às atividades do homem, como a pesca.
Segundo a Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas, da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), que avalia as condições de sobrevivência de centenas de animais e plantas no planeta, a toninha é classificada como vulnerável e na Lista Nacional de Fauna Ameaçada, como criticamente em perigo.
Animais sem vida na areia
(Foto: divulgação Projeto Gremar)
*Fonte e reprodução de partes de textos sobre a espécie retiradas do site do Instituto Biopesca
**Texto atualizado em 31/03 para incluir o resultado de alguns exames iniciais realizados pelo Instituto Gremar
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Foto de abertura: divulgação Projeto Gremar







