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Toninha, o menor cetáceo do mundo e o menor golfinho do Brasil, está seriamente ameaçada de extinção

1º de outubro é Dia Internacional da Toninha. A ideia original com esta efeméride – inicialmente lançada como dia nacional, em 2019 – foi de apresentar à sociedade um pouco da biologia e da ecologia dessa espécie para incentivar sua conservação. A data foi escolhida por marcar um dos períodos de maior registro de nascimentos de filhotes no Brasil e, em 2021, se tornou mundial.

A toninha é o menor cetáceo do mundo, que habita águas costeiras entre a Patagônia Argentina (Golfo San Matias, na Província de Chubut) e o estado do Espírito Santo (Itaúnas), e é parente do boto cor-de-rosa, que vive nos rios da Amazônia. 

Está seriamente ameaçada de extinção no Atlântico Sul, devido à pressão humana. Seu hábito essencialmente costeiro torna a espécie muito vulnerável.

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Poluiçãodestruição de seus habitatsingestão de resíduos (plásticos, em especial), turismo desenfreadocolisão com embarcações e, principalmente, a captura acidental (não são o alvo) em redes de pesca, o emalhe, são as práticas responsáveis por manter a toninha nas listas vermelhas da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais) e do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).

Recentemente, a IUCN classificou-a como “vulnerável” (indicando que a população dessa espécie provavelmente já declinou mais que 30% do seu tamanho original) e, na Lista Nacional de Fauna Ameaçada, do ICMBio, está na categoria “criticamente em perigo” (com declínio superior a 50% das populações brasileiras). E o motivo principal é o emalhe. 

Foto: R3 Animal/divulgação

Em 2012, foi criada a Instrução Normativa Interministerial nº 12, do MPA (Pesca e Aquicultura) e MMA (Meio Ambiente), a fim de ordenar a pesca de emalhe no sul e no sudeste do Brasil, visando, entre outros, reduzir o esforço pesqueiro e a mortalidade das toninhas e de outras espécies ameaçadas. 

E, assim, com a norma, a pesca de emalhe nessa região teve que se adequar a limitações diferenciadas nos tamanhos das redes e nas áreas de pesca. Mas a falta de fiscalização efetiva, continua vulnerabilizando a espécie. 

De acordo com pesquisa lideradas pelo Grupo de Estudos de Mamíferos Aquáticos do Rio Grande do Sul (Gemars), restam menos de 20 mil indivíduos no Brasil.

A espécie

A toninha (Pontoporia blainvillei) é o menor cetáceo do mundo e o menor golfinho do Brasil, podendo atingir 1,60m (machos) e 1,80 (fêmeas), e pesar entre 50 e 29 quilos. Seu rosto e focinho são longos e estreitos e tem até 200 dentes em formato cônico.

Ilustração de Leandro Coelho, do livro Toninha, um pequeno cetáceo ameaçado de extinção

O corpo é marrom acinzentado, com uma parte inferior mais clara e pescoço flexível. As nadadeiras também são muito grandes em comparação com o tamanho do corpo, e muito largas, mas estreitas na junção do corpo, por isso são quase triangulares.

A idade máxima varia de 17 anos para machos e 21 anos para fêmeas: é uma longevidade baixa se comparada à do golfinho-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus), que pode viver até 50 anos.

Costuma nadar em pequenos grupos de dois a cinco animais e tem comportamento muito discreto – se move suave e lentamente -, o que dificulta seu avistamento.

Foto: Gemars/divulgação

Essa é uma característica que diferencia a toninha do golfinho: ela não é uma espécie acrobática e, muito raramente, tem comportamentos aéreos. Alguns pesquisadores brincam dizendo que ela é “recatada e tímida”. 

Se alimenta de peixes (cerca de 24 espécies), cefalópodes (polvo e lula) e crustáceos (camarões), e seus predadores naturais são as orcas e os tubarões.

A maturidade sexual da toninha (ambos os sexos) é atingida com dois ou três anos e a fêmea tem um ciclo reprodutivo de apenas dois anos (até os 5 anos de idade). Sua gestação dura de 10 a 11 meses – a maioria nasce entre setembro e fevereiro, durante a primavera e o verão austral – e a fêmea tem apenas um filhote. O período de amamentação dura cerca de nove meses. 

Toninha, boto e golfinho: não é tudo igual?

O projeto Toninhas do Brasil responde a essa dúvida:

“Na verdade, esses são nomes populares e uma mesma espécie pode ser conhecida como golfinho numa região e boto em outra. A toninha, por exemplo, é conhecida em algumas localidades do Brasil como boto-cachimbo ou boto-amarelo, enquanto no Uruguai e Argentina é chamada de franciscana. Todas estas designações se referem à mesma espécie, a nossa toninha. Já seu nome científico, Pontoporia blainvillei, é sempre o mesmo, em qualquer país”. 

A ONG ainda explica que existem dezenas de espécies de boto e golfinho, e que todas integram um grupo denominado “cetáceos odontocetos”, ou seja, “são mamíferos aquáticos que passam sua vida na água e que possuem dentes; diferente das grandes baleias, que não têm dentes”.

Como saber mais

Para se aprofundar no conhecimento da espécie, indicamos o livro digital Toninha, um pequeno cetáceo ameaçado de extinção, de Isabela Rugitsky Domingues, do Instituto de Biociências da USP, sob orientação do professor Marcos César de Oliveira Santos, do Instituto Oceanográfico da USP.

Capa e páginas do livro Toninha, um pequeno cetáceo ameaçado de extinção

Ele também está disponível gratuitamente no site do Laboratório de Biologia da Conservação de Mamíferos Aquáticos (LABCMA) do Instituto Oceanográfico (IO) da USP

Leia também:
– Toninhas aparecem mortas em Bertioga, no litoral de São Paulo (março 2023)
– Ameaçadas de extinção, toninhas sofrem com captura acidental em redes de pesca 
(janeiro 2023/Jornal da USP)
– Suécia registra primeiro caso no mundo de toninha morta pela gripe aviária 
(setembro 2022)
– Toninha: o menor golfinho da costa brasileira e o mais ameaçado do Atlântico Sul 
(setembro 2020)

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Fontes: ICMBio, Toninhas do Brasil, Jornal da USP, Funbio, FURG, Instituto Verde Azul, WWF-Brasil

Foto (destaque): Toninhas do Brasil

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