Aquecimento global e pressão humana podem estar levando tigres a altitudes cada vez maiores

Tigres são observados em altitudes cada vez maiores devido ao aquecimento global e pressão humana

O tigre (Panthera tigris) é o maior animal dentre todos os felinos da Ásia e considerado um dos grandes da natureza. Apesar do declínio em números no passado, nas últimas décadas esforços conjuntos públicos e privados conseguiram reverter essa situação, com bons resultados. Na Índia, por exemplo, eles mais do que dobraram em 17 anos. Atualmente o país é o lar de 75% da população global da espécie.

Todavia, especialistas têm percebido uma mudança no comportamento desses animais. Cada vez mais eles são observados explorando regiões de maior altitude, que superam os 3 mil metros.

De hábitos solitários, em geral os tigres vivem em áreas de florestas densas, com temperaturas mais amenas. Sobretudo, se há presas disponíveis. Contudo, armadilhas fotográficas flagraram indivíduos a 3.966 metros, nas montanhas de Sikkim, que fica entre o Nepal, a Índia e o Butão.

As armadilhas foram colocadas ali justamente para um estudo sobre o impacto do aumento da temperatura global em grandes mamíferos. Segundo pesquisadores do Wildlife Institute of India (WII), o registro de tigres em altas altitudes confirma que o aquecimento global e as atividades humanas estão fazendo com que esses felinos busquem refúgio em locais onde até então não eram documentados.

Em janeiro do ano passado, no Nepal, tigres também foram avistados andando entre 2.500 e até 3.165 metros de altura nas montanhas da Cordilheira do Himalaia, para surpresa de biólogos.

“No sul da Ásia, tigres e leopardos ocupam uma ampla gama de habitats, incluindo prados aluviais de várzea, florestas decíduas subtropicais sazonalmente secas nas terras baixas”, explicaram os autores do artigo publicado na época. “Com os impactos das mudanças climáticas, sabe-se que eles estão se dispersando em novos habitats. Esses felinos requerem um ecossistema funcional e paisagens resilientes ao clima com grandes extensões intocadas e com presas suficientes para manter uma população viável para sua sobrevivência a longo prazo”.

No mesmo Nepal, um registro feito pela equipe do World Wide Fund For Nature (WWF) flagrou um desses animais numa altitude de 4 mil metros.

“Podemos estar presenciando uma mudança na área de distribuição dos tigres”, disse Pranabesh Sanyal, geólogo e principal especialista em tigres em Calcutá, em entrevista à Agência de Notícias France Press. “Nas últimas duas décadas, as temperaturas em grandes altitudes aumentaram mais rapidamente do que em altitudes inferiores a 2 mil metros”.

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Foto de abertura: Clovis Wood Photography on Unsplash

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Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.