Taxa de letalidade da COVID-19 cai pela metade no Brasil entre maio e julho e há boas notícias no tratamento na doença

Taxa de letalidade da COVID-19 cai pela metade no Brasil entre maio e julho e há outras boas notícias no tratamento na doença

O Brasil continua sendo o segundo país do mundo com o maior número de casos e mortes provocados pela pandemia do novo coronavírus, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Segundo dados da universidade americana John Hopkins, já passam de 700 mil óbitos globais e mais de 18 milhões de pessoas contaminadas. Em nosso país, quase 96 mil brasileiros perderam a vida por causa da COVID-19 e 2,8 milhões testaram positivo.

Por isso, antes de chegarmos às boas notícias, é bom deixar claro: ainda não há uma vacina pronta para prevenir a doença, então o uso da máscara de proteção e o distanciamento social continuam sendo as principais recomendações de médicos e especialistas de saúde para evitar o contágio, afinal, ainda temos mais de 1 mil brasileiros morrendo diariamente devido à COVID-19.

Enfim, mas a boa notícia é que a taxa de letalidade da doença caiu pela metade nos últimos três meses. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, que acompanha as estatísticas do mundo inteiro, no Brasil, a taxa caiu de 6,9% em 3 de maio para 3,4% no último dia 3 de julho. Isso significa que, apesar de termos mais pessoas contraindo o vírus atualmente, se colocarmos esses números em termos de proporção, menos gente está morrendo em decorrência do coronavírus.

Para se calcular a taxa de letalidade usa-se o número de óbitos e o compara com a quantidade de casos confirmados de infecção pelo coronavírus.

Apesar do aumento do volume de pessoas contaminadas, após mais de seis meses tratando a doença, os profissionais de saúde sabem agora como melhor enfrentá-la. Há diversos protocolos de tratamento, que inexistiam quando os primeiros casos surgiram. No começo do ano, os médicos lutavam contra um vírus completamente desconhecido. Hoje tem-se uma melhor noção dos efeitos do SARS-CoV-2 sobre o corpo humano. Entretanto, ainda há muitos desafios.

Além disso, com a ampliação da realização de testes, o isolamento e o tratamento dos pacientes infectados podem ser feitos de maneira mais rápida e eficiente.

Taxa de letalidade da COVID-19 cai pela metade no Brasil entre maio e julho e há outras boas notícias no tratamento na doença

Testes são importantíssimos aliados no diagnóstico precoce das pessoas contaminadas

Razões para otimismo

Recentemente, o médico Joseph Allen, um especialista em saúde pública, que trabalha na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, escreveu um artigo para o jornal The Washington Post, em que lista seis razões pelas quais vale a pena ter otimismo em relação à crise da COVID-19.

Abaixo, traduzimos para o português os principais pontos citados por Allen:

– Os tratamentos terapêuticos chegarão antes das vacinas. Um exemplo é o realizado com anticorpos clonados, que tem demonstrado ser eficaz tanto no tratamento quanto na prevenção da COVID-19;

– Estão sendo desenvolvidos testes rápidos e de baixo custo com saliva para a COVID-19, que podem fazer uma grande diferença para conter novos possíveis surtos;

– O uso universal de máscaras aumentou. Depois de muito debate, após o início da pandemia, foram necessários três meses para que a constatação fosse feita e aceita por todos sobre a eficácia da máscara de proteção para evitar o contágio do vírus;

– Há um consenso de que a disseminação do coronavírus pelo ar ocorre e a Organização Mundial da Saúde e outras organizações estão recomendando o uso de estratégias de construção saudáveis, como maior ventilação, melhor filtragem e uso de dispositivos de limpeza do ar;

– Vários estudos sugerem que uma exposição anterior a outro tipo de coronavírus, como o do resfriado comum, pode ajudar a proteger algumas pessoas da infecção por COVID-19;

– Os testes com vacinas parecem estar funcionando e os fabricantes de medicamentos disseram que podem administrar doses já em outubro. Vale lembrar que não se tinha certeza que os testes funcionariam, mas eles estão. Conseguir uma vacina em apenas um ano será uma conquista sem precedentes.

“Pela primeira vez na história, quase todos os cientistas do mundo estão focados no mesmo problema”, escreveu o médico de Harvard. “Isso está começando a mostrar resultados reais”, acredita.

Então, continue usando sua máscara e mantenha o distanciamento social. Há luz no fim do túnel e a ciência está fazendo de tudo para que possamos vê-la o mais rápido possível.

Taxa de letalidade da COVID-19 cai pela metade no Brasil entre maio e julho e há outras boas notícias no tratamento na doença

Em alguns estados, onde já há um melhor controle da pandemia, houve o fechamento dos hospitais de campanha, como no da foto acima, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo

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Fotos: Andréa Rêgo Barros/PCR (abertura), Igor Sales/Cruzeiro (jogadora sendo testada) e Gildson di Souza/SECOM/Fotos Públicas

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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