
Tudo começou quando Lorenzo recebeu o diagnóstico de uma leucemia linfoide aguda tipo B. Durante o tratamento, a mãe, Fernanda de Lucca, conheceu os desafios enfrentados por tantas outras famílias que passavam pela mesma situação. Muitas não tinham dinheiro para comprar os medicamentos caros necessários, outras precisavam se deslocar de suas cidades para acompanhar os filhos.
“Eu conheci muitas mães na oncologia que precisavam de ajuda. E comecei a juntar tampinhas para ajudar uma amiguinha do meu filho que precisava fazer um tratamento de alto custo fora do Brasil como última chance de cura”, contou Fernanda ao Conexão Planeta. “Pedia ajuda para conhecidos, eles me entregavam e eu vendia para a reciclagem e o valor eu revertia para a campanha. Não era muito, mas toda ajuda era valiosa para o montante.”
Inspirada por essa iniciativa, surgiu então, em São Paulo, em 2021, o projeto socioambiental Tampinhas que Curam. “E desde então ninguém parou de me entregar tampinha”, brinca Fernanda.
Quatros anos depois, Lorenzo, que hoje tem 7 anos, está curado (ele é a crianças que aparece na foto acima). E o Tampinhas que Curam celebrou seu aniversário há poucos dias, comemorando a coleta de mais de 300 toneladas de tampinhas plásticas e a ajuda a famílias de centenas de crianças em tratamento contra o câncer.
A ideia do projeto é simples: o dinheiro arrecadado com a venda das tampinhas plásticas e lacres de latinhas é revertido para as crianças que enfrentam a doença (assista ao vídeo ao final deste texto).

Foto: divulgação Tampinhas que Curam
Trabalho voluntário
Hoje o projeto idealizado por Fernanda já está em dez estados brasileiros. São mais de 250 pontos de coleta somente no estado de São Paulo. Todo o trabalho é feito por voluntários, que auxiliam na triagem e separação por cor para otimizar a reciclagem (o valor da venda é mais alto quando os resíduos estão separados por cor).
São arrecadadas tampas plásticas das mais diferentes embalagens: garrafas pets, suco, leite, iogurte líquido, produtos de limpeza e de higiene pessoal, além de lacres de latinhas – que precisam estar separados das tampinhas.
Nas redes sociais da ONG, é possível conferir as datas dos mutirões de triagem do material e as oportunidades de voluntariado.
Na capital paulista haverá dois mutirões no próximo final de semana, 22 e 23 de novembro, na zona norte, próximo ao metrô do Tucuruxi, e na Vila Osasco.
Além disso, escolas, empresas e condomínios também podem se cadastrar como parceiros de arrecadação.

Foto: divulgação Tampinhas que Curam
Economia circular
Além do lado social do Tampinhas que Curam, o projeto tem um importante impacto ambiental. Tampas plásticas estão entre os resíduos mais descartados no meio ambiente – e na lista dos “campeões” encontrados nas areias das praias.
Ao estimular a reciclagem de tampinhas e lacres em prol de uma boa causa, a iniciativa ajuda o funcionamento da economia circular.

Foto: divulgação Fuplastic
Uma das empresas que compram o material coletado pela ONG é a Fuplastic, que transforma plástico reciclado em novos produtos. Até o final de setembro de 2025, a companhia já tinha reutilizado 70 milhões de tampinhas plásticas, transformadas, por exemplo, em blocos modulares e outras estruturas para construção civil, como revestimentos de parede.
“Nossa parceria com a Tampinhas que Curam mostra o impacto real de uma economia circular bem estruturada: resíduos plásticos são reaproveitados de forma eficiente, gerando benefícios ambientais e sociais concretos”, diz Bruno Frederico, CEO da Fuplastic.

Foto: divulgação Fuplastic
Abaixo o vídeo que conta a história e o trabalho do Tampinhas que Curam:
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Foto de abertura: @adrianabernardesfotografia / divulgação Tampinhas que Curam




