Tamanduá-bandeira resgatada no interior de Minas dá à luz um dia após chegar a centro de reabilitação

No dia 19 de abril, a equipe do Corpo de Bombeiros do município de Patos de Minas recebeu um chamado sobre uma fêmea de tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla). O animal estava próximo a uma área de mata, mas parecia bastante debilitado. Foi levado então para o Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetas) da região.

Ao chegar no local, veterinários realizaram exames e constataram que na verdade a fêmea estava grávida. E qual não foi a surpresa de todos quando, no dia seguinte, ela já deu à luz a um pequeno filhote, pesando aproximadamente 1 kg.

O filhote, batizado como Luna, também é uma fêmea e passa bem. A mãe está sendo chamada de Tiradentes, já que foi resgatada no dia do feriado do mártir da Inconfidência Mineira.

“Estamos acostumados a receber no Cetas animais mutilados, doentes, em situação de risco, então, quando a gente tem o nascimento, principalmente de um animal saudável como esse, é uma alegria muito grande”, celebra o veterinário Rafael Ferraz de Barros. “Apesar de não ser inédito o nascimento da espécie em cativeiro, a situação é incomum, já que se travava de um animal debilitado e em situação de risco”.

O filhotinho: grande e boa surpresa para todos

O tamanduá-bandeira, conhecido ainda como papa-formigas, tamanduá-açú, jurumi ou jurumim é considerado ameaçado de extinção. A espécie não é endêmica do Brasil, pode ser observada também em outros países das Américas do Sul e Central. Mas em alguns estados brasileiros ela já deixou de ser vista, como em Santa Catarina, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

Esse mamífero pode ser facilmente reconhecido por seu tamanho – os machos têm em média 2 metros de comprimento -, pela coloração distintiva da pelagem, com uma faixa diagonal preta de bordas brancas, pelo focinho longo e cilíndrico e cauda grande e seus pelos grossos e compridos.

A fêmea Tiradentes, resgatada no interior de Minas

A espécie apresenta hábitos terrestre e solitário, com exceção da mãe com seu filhote, durante o período de amamentação, e da época de reprodução, quando podem ser formados casais. O tamanduá-bandeira pode ser observado ao longo do dia e da noite, dependendo da temperatura e da chuva. Pode comer até 30 mil formigas e cupins por dia.

A gestação da fêmea dura em torno de 180 dias e ocorre apenas uma vez por ano, quando em geral dá à luz a um filhote.

Segundo o Cetas de Minas Gerais, quando Tiradentes e Luna estiverem em boas condições, provavelmente daqui a algumas semanas, elas serão devolvidas à natureza.

*Com informações adicionais do ICMBio

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Fotos: reprodução vídeo e Instagram Cetas Minas Gerais

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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