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Suspeito de ser ‘o maior desmatador da Amazônia’ é preso pela Polícia Federal no Pará

Suspeito de ser 'o maior desmatador da Amazônia' é preso pela Polícia Federal no Pará

A Polícia Federal iniciou, na semana passada, uma grande operação (Retomada) para investigar suspeitos de promoverem invasões de terras públicas e desmatamento na floresta amazônica nas cidades de Novo Progresso, no oeste do Pará, e Sinop, no Mato Grosso. Em 3 de agosto, o órgão cumpriu três mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Federal, e prendeu o pecuarista Bruno Heller, de 71 anos, apontado como o maior desmatador da Amazônia.

Entre 2006 e 2021, ele foi autuado pelo Ibama ao menos onze vezes por desmatamento ilegal e é alvo de processos no Incra, que tenta retomar as terras da União. Em uma das ações, o órgão declara que ele “fracionou a área com o intuito de burlar a legislação agrária”. 

Os autos do Incra (órgão responsável pela formulação e execução da política fundiária no país), em Santarém, no Pará, indicam que “a implantação de pastagens ocorreu com base na prática de supressão da vegetação natural sem autorização da autoridade ambiental competente, dando origens a embargos sobre cinco das virtuais frações, emitidos em nome do Sr. Bruno Heller como detentor da área”.

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Ouro, espingarda, notas de real, dólar e euro

Heller foi preso em flagrante, em Novo Progresso, um dos municípios que lideram o ranking do desmatamento há mais de 25 anos e que, em 10 de agosto de 2019, ganhou maior visibilidade – inclusive mundial – quando grileiros e fazendeiros promoveram uma ação coordenada no entorno da BR-163, aumentando os focos de incêndio em cerca de 300%, que ficou conhecido como o Dia do Fogo.

A PF encontrou 350 gramas de ouro bruto entre os objetos em posse de Bruno Heller / Foto: divulgação PF

Os agentes da PF flagraram o pecuarista em posse de uma espingarda (com registro irregular) e cerca de 350 gramas de ouro bruto, que deve ter origem em garimpos ilegais. E também foram encontrados R$ 125 mil em espécie, além de notas de dólar e euro, escondidos em um armário na casa (num fundo falso).

Invasões às margens da BR-163

De acordo com as investigações, Heller e sua família deixaram a região sul do país, no início dos anos 2000, e, a medida que se dirigiam a Santarém, às margens da BR-163 se apoderaram de mais de 21 mil hectares (210 km2) de terras da União no trecho que liga Cuiabá à cidade paraense.

Apenas em três meses de 2021, eles desmataram 2.710 hectares (ou mais de 27 km2), o que demandou, certamente, grande investimento. O grupo é acusado, ainda, de promover o desmatamento de mais de 6,5 mil hectares de floresta (o equivalente a quatro vezes o tamanho das Ilhas de Fernando de Noronha, em Pernambuco) e invasões de terras indígenas e unidades de conservação.

Os lotes foram fragmentados e registrados no CAR – Cadastro Ambiental Rural (cuja declaração é feita pelos próprios proprietários – ou invasores, neste caso) e distribuídos aos parentes, entre eles menores de idade. A maioria dos beneficiados não residia na região nem realizava atividades relacionadas à agropecuária.

Devido a essas informações, investigadores consideram que Heller tem burlado a legislação referente à regularização fundiária. Inicialmente, o pecuarista e sua família atuaram com extração de madeira e depois passaram para a criação de bois.

Foram apreendidas 10 mil cabeças de gado na fazenda onde se encontrava Bruno Heller / Foto: divulgação PF

Em 3 de agosto, a Justiça Federal do Pará também determinou o bloqueio de R$ 116 milhões, além do confisco de 16 fazendas (entre outros imóveis) e de 10 mil cabeças de gado que devem pertencer ao pecuarista investigado. A medida visa garantir uma quantia mínima para a recuperação da área atingida e de recursos florestais extraídos por Heller.

Foto (destaque): Polícia Federal do Pará

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