Suécia vai construir viadutos para a travessia de renas

Suécia vai construir viadutos para a travessia de renas

O aquecimento global tem provocado um sério impacto na alimentação do rebanho das 250 mil renas da Suécia. Nos meses de inverno, esses animais, que são herbívoros, costumam se alimentar de líquen (fungos) que ficam na vegetação embaixo da neve. Todavia, com a temperatura cada vez mais quente na região do Ártico, houve um aumento de chuvas e com isso, o que se forma é uma camada de gelo duro e as renas não conseguem perfurá-lo para chegar até seu alimento.

Com fome, elas começaram a percorrer distâncias mais longas e no caminho precisam cruzar estradas e ferrovias. Na última década, mais de 10 mil renas morreram atropeladas por veículos ou trens, segundo o Sametinget, o braço do parlamento sueco que representa os indígenas Sami, população nativa com autorização para ter rebanhos desses animais.

Para evitar mais mortes, o Departamento de Transportes da Suécia anunciou que irá construir uma série de viadutos para a travessia das renas.

Chamadas de “renoducts”, uma junção das palavras rena e viaduto, em sueco, elas serão erguidas na região norte do país.

“Em um clima em mudança com condições de neve difíceis, será extremamente importante ser capaz de encontrar e acessar pastagens alternativas”, disse Per Sandström, ecologista paisagista da Universidade Sueca de Ciências Agrícolas, em entrevista à Sveriges Radio. “Sem os viadutos, áreas críticas de pastagem de inverno com algumas das últimas terras de líquen remanescentes, especialmente importantes durante invernos difíceis, se tornariam inacessíveis”, explica.

Ilustração mostra como serão os viadutos

O impacto do aquecimento global sobre as renas não ocorre apenas na Suécia. Em 2019 escrevi também sobre como mais de 200 renas morreram de fome em um ilha no ártico norueguês.

Nunca antes os pesquisadores do Instituto Polar Norueguês tinham encontrado tantas renas sem vida. “Este é um exemplo trágico de como a mudança climática está afetando a natureza. É muito triste”, afirmaram na época.

*Com informações da Sveriges Radio

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Foto: Saad Chaudhry on unsplah e ilustração The Swedish Transport Administration

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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