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Sucuri atropelada em rodovia de Cuiabá, no MT, estava grávida de mais de 100 filhotes, no final da gestação

Sucuri atropelada em rodovia de Cuiabá, no MT, estava grávida de mais de 100 filhotes, no final da gestação

Ao ver a cena chocante de uma sucuri-verde (Eunectes murinus) atropelada, na rodovia MT-338, cercada por diversos filhotes – também mortos -, pescador filmou e enviou o vídeo para o amigo Ederson Negri Antonioli, também pescador e protetor dos animais -, que o publicou no Instagram, causando espanto entre seus seguidores. O registro viralizou rapidamente.

O animal tinha mais de cinco metros e foi atropelado na altura do município de Porto dos Gaúchos, a 644 km de Cuiabá, no Mato Grosso. O impacto rompeu a pele, deixando a maior parte de seus filhotes expostos, no chão.

No vídeo (que você pode assistir no final deste post), o amigo de Ederson conjectura que havia “uns 200 filhotes” no local – dentro e fora da barriga da mãe.

Sucuris-verdes gestam entre 40 e 70 filhotes (durante seis a sete meses), no entanto, os agentes Departamento de Vigilância Sanitária da SEMA (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais) – que fizeram a remoção das serpentes da rodovia junto com o trabalhador de uma fazenda próxima –, contaram mais de 100 indivíduos. 

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Sucuri atropelada em rodovia de Cuiabá, no MT, estava grávida de mais de 100 filhotes, no final da gestação
Na parte de baixo da foto, pode-se ver a lateral do corpo da sucuri.
Parte dos filhotes ficaram espalhados pelo chão da rodovia ao lado do corpo da mãe
Foto: reprodução de vídeo / Instagram

De acordo com o G1, o fiscal sanitário Josias Campinas declarou que foi impossível identificar o número exato de filhotes, “pois alguns estavam esmagados na estrada e outros ainda estavam na barriga da mãe”, mas certamente havia entre 100 e 120. “No final da retirada, ainda contei uns 15 filhotes dentro dela”, completou. 

Para o biólogo Henrique Abrahão Charles, a quantidade de filhotes impressiona. “É um indicador de que, quando a sucuri passa de cinco metros, ela pode gerar mais que o dobro da média de filhotes. E é importante ser registrado, pois são raros os registros como este”. Ele também declarou ao G1 que a sucuri estava no final da gestação, prestes a parir os filhotes. Que tragédia!

De todo modo, o especialista destacou também que, geralmente, “apenas cerca de 5% dos filhotes sobrevivem até a idade adulta, já que muitos se tornam presas de outros animais ou já nascem mortos”.

Sucuri atropelada em rodovia de Cuiabá, no MT, estava grávida de mais de 100 filhotes, no final da gestação
Carro dos agentes da SEMA ao lado da sucuri-verde revela a extensão de seu tamanho
Foto: divulgação

Museu e conscientização

Este atropelamento deixou biólogos, veterinários e ambientalistas consternados e veio reforçar ainda mais a importância de medidas preventivas como passagens subterrâneas ou aéreas para animais, sinalização adequada e campanhas de conscientização para motoristas.

A perda irreparável deste exemplar de sucuri destaca, mais uma vez, os riscos enfrentados diariamente pela fauna que vive próximo a rodovias e destaca a necessidade de implementação de proteção ambiental efetiva.

A retirada da serpente e dos filhotes levou cerca de 20 minutos devido ao perigo do local (centro da pista), “que dificulta a visão dos motoristas […], esse fator pode ter colaborado para o atropelamento do animal”, contou Josias. Os corpos dos animais foram levados para o Departamento de Vigilância Sanitária do município. 

A pele e o crânio da sucuri-verde foram retirados para curtimento e para transformar a pele em couro, por meio de reação química: ambos ficarão expostos no museu de Porto dos Gaúchos para que esta tragédia para a biodiversidade do Mato Grosso não seja esquecida.

Como predador de topo da cadeia alimentar, a sucuri é imprescindível para a saúde de todos os rios. Tem papel essencial no equilíbrio do ecossistema, controlando populações de outras espécies e preservando a biodiversidade. É um indicador de que o ambiente está saudável. 

O restante do corpo da serpente foi enterrado junto com os dos filhotes. 

Características

Diferente de outras espécies de serpentes (que botam ovos), a sucuri é vivípara – o embrião se desenvolve dentro do corpo da mãe, que lhe fornece os nutrientes necessários ao seu desenvolvimento – e pode gerar de 20 a 70 filhotes por ninhada. 

O período de gestação dura de seis a sete meses, dependendo da espécie. Os filhotes nascem na água e já seguem sozinhas pelo rio. Não existe o período de cuidado parental. 

A sucuri acasala anualmente no período do outono – entre abril e maio -, mas, para que a fêmea engravide, são necessários vários machos, que disputam sua atenção ao mesmo tempo. É a chamada reprodução poliândrica. Ela seleciona os machos com os quais quer copular e depois escolhe um deles para devorar.

Considerada a maior serpente das Américas do Sul, Central e do Norte – pode atingir até sete metros e pesar mais de 130 kg -, a sucuri não é venenosa, mas constritora, ou seja, usa a força muscular para imobilizar e matar sua presa por asfixia. Depois, a engole.

Quem já viu uma sucuri de perto? Ela é aterrorizante, devido principalmente a seu tamanho, mas a chance de engolir um ser humano é quase nula. Não fazemos parte de sua dieta, que consiste em carne de mamíferos, aves, répteis e peixes, que caça à beira da água. 

Não é agressiva, a menos que se sinta ameaçada ou acuada. E evita se aproximar do ser humano pois o considera perigoso: um grande predador.

Também chamada de anaconda, a sucuri é uma serpente do gênero Eunectes e está entre as maiores do mundo. Há três espécies no Brasil:
– Eunectes-murinus, conhecida como sucuri-verde devido ao tom de sua pele, com fundo verde-oliva, manchas dorsais marrons e bordas pretas, é considerada a maior serpente do mundo em massa corporal, podendo medir até sete metros de comprimento e pesar mais de 130 quilos. É encontrada em 20 estados brasileiros, sendo mais comum na região norte do país;
– Eunectes deschauenseei, conhecida como sucuri-malhada, encontrada no Amapá e no Pará; e

– Eunectes notaeus, conhecida como sucuri-amarela, que ocorre no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul.

A seguir, assista ao vídeo gravado pelo amigo de Ederson, que registra a sucuri-verde e seus filhotes já mortos:

 
 
 
 
 
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Foto: reprodução de vídeo (Instagram)

Com informações do G1 (aqui e aqui) e do Instagram de Ederson Negri Antonioli

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