SOS Manaus: famosos se engajam para doar cilindros de oxigênio para vítimas de covid-19. Veja como ajudar

Manaus é uma das cidades brasileiras que mais tem sofrido com a pandemia do coronavírus desde que ela começou a se espalhar pelo país, em fevereiro/março de 2020.

A capital do Amazonas ocupou as manchetes inúmeras vezes, com dados alarmantes sobre mortes e contaminações, que só aumentavam, e imagens impactantes de inúmeras covas abertas em cemitérios e outras localidades, além de corpos encaminhados para câmeras frigorificas devido a falta de estrutura e de espaço para enterrá-los.

Vale ressaltar que o governo do Amazonas desativou, entre julho e outubro, cerca de 85% dos leitos de UTI criados para o combate da Covid-19.

Mortes anunciadas

Agora, a nova tragédia que poderia ser evitada pelos governos estadual e federal, se agrava com mortes por asfixia. Mortes por falta de ar porque falta oxigênio nos hospitais. Você consegue imaginar o que é isso? Morrer sem conseguir respirar!

Depois de decretar lockdown, em 26 de dezembro, faltou coragem ao governador, Wilson Lima, para manter a decisão. No dia seguinte, ele voltou atrás devido à pressão de comerciantes e de bolsonaristasnegacionistas convictos – nas redes. Entre estes, o ex-ministro Osmar Terra, que, em 2020, errou todas as previsões que fez a respeito da pandemia e pegou covid-19! 

Como previu a pneumologista e pesquisadora Margareth Dalcomo, da Fiocruz, em dezembro de 2020, este certamente será o janeiro mais triste do Brasil:

“O que vai trazer a segunda onda para o Brasil são as festas de Natal e de fim de ano. Teremos o janeiro mais triste da nossa História porque nós falhamos em trazer uma consciência cívica da gravidade do que estamos vivendo”.

De ontem pra hoje, ou seja, em 24 horas, o Amazonas registrou o maior número de novos casos de covid-19 desde o início da pandemia: 3.816, dos quais 2.516 somente em Manaus, de acordo com dados divulgados pelo Consórcio de Veículos de Imprensa.

Pazuello e o ‘Kit Covid

O ministro da saúde, general Eduardo Pazuello, esteve em Manaus devido à crise sanitária na cidade e no estad. No primeiro dia, aproveitou para fazer propaganda do kit de medicamentos indicado por Bolsonaro, com destaque para a cloroquina e a azitromicina. Com um detalhe: uma equipe do seu ministério estava na capital amazonense havia três semanas e nada disse sobre o risco de faltar oxigênio.

No dia seguinte do “seu pronunciamento”, Bolsonaro declarou – para seus seguidores – que a situação catastrófica do estado era resultado da inação das autoridades locais. Por que? Oras, porque não adotaram o tratamento precoce com os dois medicamentos recomendados pelo ministério da saúde sem nenhuma comprovação de eficácia. 

Antes fosse assim! O prefeito David Almeida, apoiador do presidente, segue “sua cartilha”: os médicos das UBSs – Unidades Básicas de Saúde estão receitando o kit covid à população, como apurou o site Amazônia Real. O kit ainda inclui o ivermectina, reconhecido antiparasitário usado contra piolhos, pulgas e verminoses. Portanto, indicá-lo para combater covid-19 é crime!

Venezuela oferece ajuda

A falta de oxigênio foi anunciada pela White Martins, empresa fornecedora dos cilindros, no início deste mês. Chegar a esse cenário trágico já é inaceitável, mas, depois desse anúncio, os governos tiveram, pelo menos, dez dias para tomar providências urgentes.

Hoje, famílias tentam comprar cilindros de oxigênio para atender seus familiares doentes e, assim, apoiam a especulação e a bandidagem. Ontem, 14/1, a polícia apreendeu 33 cilindros de oxigênio em um caminhão, e, depois de prender o responsável, encaminhou o material, sob escolta, para quatro hospitais da rede estadual. A que ponto chegamos!

Agora, com inúmeras mortes que poderiam ser evitadas, os governos tentam remediar a situação, talvez para evitar uma tragédia maior – por pressão da sociedade. 

O governador pediu ajuda dos estados para o envio de cilindros e o governo federal acionou a FAB para levá-los para Manaus. Somente aviões de carga podem fazer o transporte já que a pressão nos aviões comerciais é enorme e provocaria a explosão dos mesmos. 

Nesse cenário, a ajuda veio também da Venezuela: Nicolas Maduro se dispôs a ajudar Manaus e o governo do estado. Numa crise humanitária desta magnitude, é assim que se faz! O que importa é salvar vidas, não ideologias. O governador aceitou, claro! E tudo já foi devidamente combinado entre os dois governos. A White Martins também está importando cilindros de sua filial naquele país.

Corrente de famosos

Ao mesmo tempo, cidadãos se unem para ajudar, tentando encontrar soluções não só para a falta de oxigênio, mas também de outros itens imprescindíveis no combate à pandemia nos hospitais. Falta tudo.

Assim, campanhas para arrecadar fundos – com depósitos via PIX (sem taxa) – estão sendo exaustivamente divulgadas nas redes sociais. Também por famosos que se uniram para garantir a compra e a doação de cilindros de oxigênio a partir do convite do humorista Whindersson Nunes.

“Providenciando 20 cilindros de 50L de oxigênio pra distribuir nas unidades mais urgentes em Manaus! Alô meus amigos artistas! Na hora de fazer show é tão bom quando o público nos recebe com carinho né, vamos retribuir?”, convocou Whindersson no Twitter, ontem, 14 de janeiro (veja seu tweet).

Pouco tempo depois, celebrou: “Tô no whats com a galera. Tirullipa: 10 cilindros de 50 litros. Tatá Werneck: 10 cilindros 50 litros. Simone: 10 cilindro 50 litros. Tierry: 10 cilindros 50 litros. Vai dar certo pivete!”. 

Vale acompanhar o humorista pelo Twitter. Hoje, ele contou que seu irmão também está envolvido na campanha e que vai ajudar a fazer a distribuição dos cilindros: “Galera, meu irmão Marcos, que mora em Manaus, vai cuidar de distribuir nos hospitais pequenos e nos interiores, que também estão precisando! Ele está em contato com a galera das doações lá! Jorge e Mateus e Alok entraram pesado na doação, vai acontecer”.

Assim, a atriz e apresentadora Tatá Werneck, o ator Bruno Gagliasso, o youtuber Felipe Neto, os humoristas Marcelo AdnetTirullipa e Paulo Vieira, as cantoras sertanejas Simone e Marília Mendonça, a apresentadora Sabrina Sato, os cantores Tierry e Wesley Safadão, o colunista Hugo Gloss, chef de cozinha e ex-jurada do programa Master-Chef, Paola Carosella, o apresentador Luciano Hulk, o escritor Paulo Coelho (leia seu tweet de adesão), o jogador de futebol Diego Ribas e os cantores Luan Santana e Gusttavo Lima, entre outros, se engajaram nessa corrente com o humorista.

Luan – que, no ano passado, foi bastante atuante na campanha da SOS Pantanal no combate aos incêndios no bioma – escreveu em seu Twitter: “Sobre a triste situação em Manaus: estou com vocês! Providenciando agora o equivalente a 50 cilindros de oxigênio de 50 litros e a logística de entrega. Deus abençoe minha Manaus!”.  

“Estamos desenhando toda a logística e sábado estará chegando em Manaus 150 cilindros de oxigênio. Estou com todos vocês, manauaras…”, divulgou Gusttavo, que comprou 150 cilindros. E acrescentou: “Uma mão lava a outra e as duas lavam o rosto. Assim seguimos com bondade e amor ao próximo! Ei, Manaus, estamos com vocês! Parabéns a todos que estão ajudando!!!”.

Você também pode ajudar

Hoje cedo, no Twitter, Whindersson divulgou o total arrecadado pela campanha SOS Manaus até ontem: R$ 340.617, 80. E a campanha continua. Você também quer colaborar?

Abaixo, segue a lista das instituições envolvidas na campanha, com indicação do PIX para facilitar o depósito:

Foto: montagem com imagens reproduzidas do Instagram

Fontes: G1, Folha de São Paulo, Estadão, Isto É, Amazônia Real

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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